Como todos sabem, o neoprene é a matéria prima em borracha usada nas roupas de mergulho.
Na indústria ele é conhecido pelo nome “neoprene de célula fechada”, pois as bolhas ficam presas na espuma de borracha de neoprene, e entre uma ou mais camadas de tecido.
Quando o neoprene é de célula fechada, significa que cada bolha de nitrogênio é cercada e separada por neoprene, sendo o principal tipo de neoprene usado na fabricação das roupas de mergulho em geral.
De uns anos pra cá, alguns fabricantes passaram a usar um neoprene diferenciado para o mergulho livre e que é chamado por alguns de “neoprene de célula aberta”, pois ele é de baixa ou média densidade, pois as bolhas são maiores e as paredes entre elas são mais finas do que o neoprene de célula fechada.
O resultado, é que a roupa é mais elástica, mais macia e mais confortável, pois as bolhas maiores são compactadas facilmente conforme o aumento da pressão em relação à profundidade. Como as roupas com esse tipo de neoprene não possuem revestimento interno, o neoprene mais fino adere ainda mais ao corpo do mergulhador e não permitindo que ocorra a camada de água entre a pele e a roupa, trazendo um aumento na locomoção na água, em razão de um arrasto menor e um aquecimento menor que o neoprene tradicional.
Nesse caso, a roupa é mais “quente” na superfície, mais vulnerável a rasgos e mais difícil de colocá-la. Alguns apneístas chegam a usar água com sabão e outros acessórios para facilitar a colocação desse tipo de roupa.
Já a roupa de mergulho autônomo normalmente utiliza o neoprene de alta densidade, revestido com tecido em ambos os lados, e como as bolhas são menores e paredes ao redor mais grossas, esses trajes são menos elásticos e não compactam tanto com o aumento de profundidade, mas oferecem um isolamento melhor em profundidade maiores.
O revestimento interno facilita a colocação e remoção da roupa, permitindo a formação da fina camada de água entre a pele e o tecido interno logo após a entrada na água pelo mergulhador, contribuindo para o aquecimento dele. Por ser mais grossa, ela é mais resistente do que as roupas voltadas para o mergulho livre.
Os dois tipos de roupas podem ser usadas para mergulho livre, mas certamente quando falamos em desempenho do mergulhador livre, se ele usar a roupa de mergulho convencional, o desempenho será menor, além disso, pela falta de elasticidade e arrasto, sendo usada por um longo tempo, o apneísta normalmente fica mais cansado ao final do dia.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



