Frequentemente vemos mergulhadores com dúvidas quanto ao tipo de roupa seca, mais precisamente quanto ao modelo de tecido / trilaminado ou neoprene.

Ambas mantém o mergulhador seco e realizam o isolamento, mas quais a diferenças básicas entre elas ?

Roupa Seca de Neoprene

Dificilmente vemos esse modelo de roupa no mercado, e são poucos os fabricantes que produzem esse tipo de roupa.

Como o nome sugere, são feitas de neoprene, assim como as roupas de mergulho. Algumas delas passam por um processo de compressão / esmagamento para tornar o neoprene durável ​​e à prova d’água.

Normalmente essas roupas possuem um revestimento interno e externo para torná-las à prova d’água. São mais grossas e isolantes, além de mais pesadas. São basicamente roupas de mergulho que passam por um processo de compressão e se tornam mais finas. Há quem diga que por passarem pelo processo de compactação durante a produção, há menos efeitos na flutuabilidade, mas há quem discorde, como eu.

A minha minha experiência com esse tipo de roupa é que geram mais flutuabilidade e requerem menos lastro. Isso é bom quando se está mergulhando em ambientes com água doce, e complicado, quando a maioria dos mergulhos são realizados no mar, devido à densidade da água, o que torna o mergulhador mais positivo, fazendo com que ele necessite muito mais lastro para afundar.

Há no mercado a roupa seca com o neoprene triturado, que passa por um processo de alteração na estrutura deixando o neoprene mais fino, mais durável e com efeito menor na flutuabilidade do mergulhador.

De um modo geral, as roupas secas de neoprene são mais grossas que as de tecido / trilaminado. Dependendo da temperatura da água onde o mergulho ocorrerá, uma simples camada de roupa interna  já o manterá aquecido, e por serem roupas mais volumosas e pesadas, isso pode ser um transtorno, principalmente na hora de transportá-la em um voo, por causa das atuais limitações das bagagens.

Outro ponto que merece atenção, é quando falamos em secá-las após o mergulho. O neoprene por si só demora muito mais tempo para secar do que uma roupa de tecido / trilaminado, pelo fato dela reter a água por um longo período, sendo necessárias muitas horas para secá-la totalmente. Se você pretende pegar um voo algumas horas mais tarde e sem tempo hábil para secá-la, certamente você terá uma bagagem com peso maior, e consequentemente, maiores chances de ultrapassar os limites impostos pela companhia aérea.

Quando o mergulho é realizado em águas mais profundas, dependendo do modelo de roupa de neoprene, a compressão das bolhas presentes no neoprene pode interferir no desempenho do deslocamento do mergulhador.

Roupa Seca de Tecido / Trilaminado

Em tese, são menos resistentes que a roupa seca de neoprene, contudo, há uma gama de modelos de roupas disponíveis no mercado, e dificilmente escuto alguém dizendo que furou uma roupa seca.

Devido ao tipo de material utilizado, são mais leves, não absorvem água e secam  rapidamente quando expostas ao ar.

Guardá-las é mais fácil, pois ocupam menos volume e facilmente você conseguirá dobrá-la na bagagem, seja a despachada ou de mão.

Muitos mergulhadores transportam a roupa seca em uma simples mochila e carrega nas costas antes de embarcar em um avião, o que é muito bom, pois você tem a certeza de que o equipamento chegará ao destino juntamente com você e sem riscos de extravio.

Pelo tipo de material utilizado, o mergulhador necessitará menos lastro, tem uma natação melhor, sem contar com os movimentos dos braços de forma mais rápida e ampla, pois a roupa seca de neoprene tem a tendência a encurtar um pouco os movimentos.

Que modelo comprar ?

Tudo é uma questão do quanto você pode pagar pela qualidade, durabilidade e características que farão com que o seu mergulho seja mais agradável.

Atualmente encontramos diversos fabricantes de roupa seca no mercado, atendendo todos os tipos de preferências, bolsos e gostos.

Você deve investir em uma roupa que atenderá as necessidades, mas tenha ciência que o preço nesse caso, pode fazer uma boa diferença em um desempenho melhor embaixo d’água.

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986, participando da primeira turma de Dive Master da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 30 anos de experiência em mergulho e fotografia / vídeo subaquático.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS, em 2008, é o idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior, sendo uma referência quando o assunto é mergulho e naufrágios para a mídia e órgãos públicos no país, e diversas entidades internacionais como a ONU e UNESCO.