Sal – Um perigo para as caixas estanques

Quando mergulhamos no mar é comum encontrarmos em nossos equipamentos, pequenas partículas de sal, mesmo após a lavagem com água doce após o regresso do mergulho.

O problema, é que essas pequenas partículas acabam grudando nos equipamentos e com o passar do tempo, acabam endurecendo e podem “cortar” os o-ring’s mais expostos, como os usados em caixas estanque.

Na grande maioria dos casos, os o-rings presentes nas caixas são colocados em “berços”, também conhecidos como “assentos”, possuindo um formato adequado para acomodar o o-ring e ajudá-lo a mantê-lo na posição para o qual foi projetado.

Quando a lavagem com água doce não consegue remover essas micropartículas de sal, elas poderão  contribuir na degradação do o-ring. Na maioria dos casos, quando pressionamos ou fazemos o movimento de rotação dos comandos da caixa estanque, consequentemente acabará movimentando a partícula de sal, e o atrito dessa partícula diretamente com o o-ring, poderá acarretar em uma fissura ou rasgo, criando a possibilidade do o-ring rasgar e permitir a entrada de água em sua caixa estanque.

É muito comum após o mergulho ao abrirmos a caixa, encontrarmos essas micropartículas grudadas aos o-ring’s, e por isso que a manutenção anual é primordial para a segurança do equipamento em si.

Fissura no o-ring de um flash – Foto: Clécio Mayrink

Evitando o problema

A melhor forma de evitar que essas micropartículas danifiquem seus equipamentos, é lavar muito bem eles com água doce.

No caso do equipamento fotográfico e vídeo, deixe a caixa estanque depois de lavada com água corrente, em um recipiente com água doce. A água corrente vai ajudar a expulsar as micropartículas que tenham grudado no equipamento, porém, há situações em que ela não consegue remover 100% dessas partículas, e se a caixa estanque é deixada imersa por algum tempo na água doce, isso fará com que o sal que ficou desgrude naturalmente do equipamento.

É importante lembrar, que é primordial remover a câmera antes de deixar a caixa estanque imersa no recipiente com água doce, devido ao risco de alagamento na superfície, pela falta de pressão incidente na tampa traseira da caixa.

A lubrificação com silicone deve ser feita com atenção e cuidado, pois o uso incorreto poderá facilitar o alagamento ao invés de proteger os o-ring’s. Você deve passar o silicone em o-ring’s de borracha apenas, e não deixando sobras de silicone. A borracha do o-ring deve estar apenas lubrificada e sem silicone em excesso e exposto, caso contrário, essa sobra de silicone poderá segurar micropartículas de sal e trazer um resultado contrário ao esperado.

Outra dica é não usar os baldes e caixas para caixas estanques nas embarcações de mergulho. Normalmente a água presente nesses recipientes estão impregnadas com restos de sal de outras caixas, e o balançar da embarcação, poderá fazer com que as caixas estanques se movimentem, podendo haver um contato entre elas e alguma parte metálica acabar arranhando algum domo ou lente acrílica, trazendo um grande prejuízo ao proprietário da caixa estanque.

Partículas de sal na tampa da Caixa Estanque – Foto: Clécio Mayrink

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount IANTD, possuindo mais de 30 anos de experiência em mergulho, fotografia e vídeo subaquático.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, sendo o idealizador do portal Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP) e responsável pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministérios dos Esportes.

Atuou na produção de diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior, sendo uma referência para a mídia, órgãos públicos e diversas entidades internacionais como a ONU e UNESCO, quando o assunto é naufrágio.

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