Na configuração sidemount, o equipamento é configurado para evitar que alguma parte acabe ficando exposta e possibilite o enrosco do mergulhador, permitindo que ele consiga passar mais facilmente pelas restrições durante o mergulho.
Um dos equipamentos mais importantes nessa configuração, obviamente são os manômetros dos cilindros, que normalmente ficam rentes ao corpo do mergulhador para que não se enrosquem em algo, evitando a possibilidade de um vazamento repentino por algum dano a mangueira.
Um aspecto algumas vezes causa dúvida em alguns mergulhadores, que é a utilização do manômetro voltado para trás ou para a frente em relação ao corpo do mergulhador.
Configuração antiga

No passado, os mergulhadores com sidemount utilizavam pequenas mangueiras de 6 polegadas realizando uma curvatura de 180° (Foto acima), posicionando o manômetro para frente, o que permitia uma leitura mais fácil.
Hoje a grande maioria dos mergulhadores utilizam o manômetro com a mangueira totalmente solta, pois ficou claro que mantê-lo curvado em um ângulo 180° acabava forçando demais a mangueira, ocasionando com o tempo, rachaduras e degradando rapidamente o equipamento, sem contar, que haveria mais chances da mangueira começar a vazar repentinamente, podendo ocasionar um acidente.
Basicamente o problema de posicionar os manômetros virados para trás, é que a leitura pode não ser tão fácil, obrigando ao mergulhador ter que puxar o manômetro para frente e forçar o pescoço para que consiga realizar a leitura da quantidade de gás presente em cada cilindro.

Manômetros para frente
Tempo depois, alguns mergulhadores passaram a usar os manômetros virados para frente e rente ao corpo. Isso é possível de ser feito, dependendo do tipo de regulador utilizado, pois alguns modelos apresentam uma inclinação melhor para esse tipo de configuração por causa o posicionamento das portas de baixa pressão, posicionando bem a mangueira em relação ao corpo do mergulhador.
Disposto para frente, pelo menos na minha opinião, isso torna mais fácil a visualização do manômetro.
Como aspecto negativo, dependendo do posicionamento da mangueira por causa do primeiro estágio do regulador, o manômetro pode ficar um pouco mais exposto e, com isso, aumentar a chance de um enrosco dessa mangueira em algo.
Tenho preferência pelos manômetros virados para frente, porque acho a visualização mais fácil e eficaz, e nunca passei por qualquer situação que me colocasse sob chace de enrosco devido ao posicionamento das mangueiras estarem para frente.
Sempre mantenho as mangueiras bem rente ao tórax e para realizar a leitura, basta puxar o manômetro no sentido contrário e olhar para baixo. Levando em consideração que muitos mergulhadores usam óculos para perto, como é o meu caso, o manômetro está mais próximo dos olhos e facilita a leitura.
Com os manômetros estivessem virados para trás, é preciso forçar o pescoço para trás, sem contar que os manômetros estão mais distantes dos olhos.
Mas é aquilo, desde que a configuração não crie uma situação de risco, não se discute a preferência de cada um. Cada configuração é uma configuração e deve estar adequada a cada mergulhador e situação, mas é importante saber que sempre existem outras alternativas, sempre com aspectos positivos e negativos, obrigando a cada mergulhador estudar qual delas é a melhor para si.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



