Sobrevivência no Mar – Algumas dicas e procedimentos

Naufragar, certamente é uma condição que ninguém espera estar, mas é importante conhecer alguns procedimentos básicos para uma eventual necessidade.

Veja abaixo alguns procedimentos importantes no caso de um eventual naufrágio.

 

Procedimentos

1 – Completada a lotação, deve-se afastar o bote da embarcação naufragada, evitando o excesso de passageiros e a possibilidade da entrada de água para o interior do bote, com água impregnada de combustível;

2 – Não utilize fósforo enquanto os botes estiverem dentro da área que contenha  combustível da embarcação que naufragou;

3 – Tente localizar os passageiros desaparecidos. Eles poderão estar boiando com seus coletes inflados, porém desacordados;

4 – Salve tudo o que puder de equipamentos que estiverem flutuando, principalmente, roupas de mergulho e coletes;

5 – O tripulante mais graduado de cada bote deverá assumir o comando;

6 – Verifique se o bote salva-vidas não está vazando;

7 – Se o bote possuir âncora ou biruta d’água, solte-a para evitar que o bote seja levado para muito longe. Caso não tenha um dos dois, faça um improviso utilizando um balde, uma camisa ou um pedaço de lona.

8 – Proteja o bote contra cortes provocados por objetos pontiagudos, cortantes ou sapatos;

9 – Redistribua a lotação dos barcos, caso haja excesso de ocupantes em um deles;

10 – Retire a água do mar que estiver dentro do bote;

11 – O barco sempre deverá ser mantido o mais seco possível. As pessoas com roupas molhadas deverão merecer atenção especial, principalmente em clima frio;

12 – Mantenha todos juntos para se aquecerem;

13 – Movimente-se com regularidade para manter ativa a circulação. Isso o aquecerá e evitará feridas nos pés e nas nádegas;

14 – Socorra os que necessitarem de primeiros socorros. Coloque os feridos deitados no meio do bote;

15 – Havendo algum tipo de cobertura, coloque-a o quanto antes;

16 – Familiarize-se com todo o conteúdo do kit de emergência;

17 – Em mar agitado não deixe nada solto no interior do barco, para evitar a perda, caso o bote vire;

18 – Proteja: bússolas, relógios, fósforos e isqueiros contra a umidade;

19 – Ponha em funcionamento o EPIRB e prepare todos os demais meios de sinalização;

20 – Em cada barco deverá ser estabelecido um sistema de vigilância, devendo cada ocupante exercer a função de vigia por no máximo por 2 horas consecutivas. Não coloque doentes ou feridos graves para esta tarefa;

21 – Sempre esteja preparado para usar os aparelhos de sinalização assim que surgir um avião ou navio, e evite perder a chance de ser localizado;

22 – Não deixe com os leigos a responsabilidade do manuseio dos sinalizadores;

23 – Os ocupantes dos barcos deverão manter seus coletes inflados;

24 – Crianças deverão ser atadas a um de seus pais ou responsáveis;

25 – Um dos ocupantes de cada barco deverá permanecer atado ao barco por uma corda, com pelo menos 3m de comprimento, servindo como âncora, caso o bote vire;

26 – Proteja-se contra os raios solares por meio de toldo, roupas, óculos, cera protetora para lábios;

27 – Avalie a quantidade de água disponível, levando em conta que em média um náufrago necessita de meio litro (0.5l) de água por dia;

28 – Verifique frequentemente se o bote está inflado. Ocorrendo um esvaziamento, procure corrigi-lo com o auxílio da bomba manual;

 

Lembre-se:
  • Em dias frios: Coloque mais ar no bote salva-vidas.
  • Em dias quentes: Retire um pouco de ar do bote salva-vidas.

29 – Conserve o bote seco e em constante estado de equilíbrio;

30 – Evite deixar anzóis, canivetes, latas e demais objetos afiados ou cortantes no fundo do bote;

 

Sinalização

1 – Use um espelho apropriado ou improvisado;

2 – Pedidos internacionais no horário de silêncio: 15 a 18 minutos e 45 e 48 minutos depois de cada hora cheia;

3 – Mencione a palavra May Day ou Mede na frequência de emergência marítima (canal 16) ou qualquer emissor de voz humana;

 

Artifícios pirotécnicos:
  • Sinais de fumaça, durante o dia;
  • Sinais de luz vermelha, durante a noite;

4 – Tome cuidado ao utilizar este material, pois ele pode provocar incêndio a bordo;

5 – Mantenha o foguete pirotécnico em uma posição que forme um ângulo de 45° graus em relação à linha do horizonte, para fora da embarcação e a favor do vento;

 

Corantes de Marcação

Deverão ser utilizados somente durante o dia.

Normalmente fornecidos em uma embalagem, um produto químico que reage com a água, alterando o PH e produzindo uma mancha sinalizadora (na maioria das vezes na tonalidade verde), permanecendo ativa por aproximadamente 3 horas, podendo ser vista a uma distância de 10 milhas náuticas.

 

Sinais luminosos à noite

1 – Qualquer luz pode ser percebida sobre as águas a distancia de muitas milhas;

2 – Apitos à noite ou em ocasião de nevoeiros pode ajudar a atrair a atenção das pessoas em navios ou na praia;

3 – Os sinalizadores pirotécnicos, corante marcador de água e sinalizadores luminosos, deverão ser mantidos protegidos da umidade, quando não estiverem em uso;

4 – Não desperdice os equipamentos de sinalização;

5 – Utilize se ouvir algum ruído de uma aeronave ou embarcação.

 

Uso da Água

1 – Procure reduzir a necessidade de água com a redução de alimentação;

2 – Conserve seu corpo bem protegido, tanto do sol como do seu reflexo na superfície das águas;

3 – Mantenha as roupas molhadas ou úmidas com água do mar nos dias quentes.

4 – Não exagere desta pratica quando não dispuser de alguma cobertura;

5 – Sempre que puder, fique quieto e procure descansar um pouco;

6 – Utilize o aparelho destilador atuado pelo sol, se houver a bordo;

7 – Use a água das chuvas que deverá ser coletada em vasilhas;

8 – Sempre que chover, beba água o quanto for possível;

9 – Não havendo água, não coma ou o mínimo possível;

10 – Não beba água salgada. Quanto mais se bebe, mais sede terá;

11 – A quantidade mínima de água para que uma pessoa possa se manter em forma é em torno de meio litro (0.5l) por dia.

12 – Se o suprimento de água for insuficiente, prefira toma-la no primeiro dia de uma vez só;

 

Alimentos

Não possuindo mais rações ou sendo reduzida a quantidade, procure alimento marinho (peixes principalmente);

 

Não se deve comer os seguintes:
  • Mariscos pertencentes as colônias com moluscos mortos ou quase mortos e mal cheirosos;
  • Mariscos e ostras agarrados a cascos de navios ou qualquer objeto metálico, pois eles provocam fortes intoxicações;
  • Medusas, águas-vivas, caravelas, moreias e holotúrias;
  • Vísceras ou ovos de qualquer peixe desconhecido;
  • Qualquer tipo de baiacu;

 

Pescando no mar

1 – Utilize os apetrechos de pesca que existirem no bote;

2 – Se não existirem, proceda de forma alternativa;

3 – Improvise um anzol com alfinetes, clips, pregos de sapatos e canivetes; Esses anzóis devem ser pequenos e a linha de pesca muito leve;

4 – Improvise uma linha de pesca, utilizando-se de cordão de sapatos ou fio da própria roupa;

5 – Improvise um arpão, amarrando uma faca ao remo;

6 – Tente utilizar tudo o que pode funcionar como uma rede;

7 – Empregue um facho de luz à noite, fazendo-o incidir sobre a água. A luz pode atrair os peixes e muitos deles irão cair no interior do bote;

8 – Capturando o peixe, mate-o com uma pancada na cabeça antes de trazê-lo para bordo;

9 – Peixes pequenos podem servir de isca;

 

Aves Marinhas: Alimento em potencial

1 – Para a captura, utilize anzóis como isca;

2 – São atraídas pelo bote como pouso ou descanso: Agarre-a assim que fecharem as asas;

3 – Elas fornecem carne (comida crua), penas (isca para peixes) e sangue, que poderá ser ingerido.

 

Fatores importantes

Pânico: Normalmente toma conta da pessoa no momento do acidente, ou mais tarde, já na embarcação. O conhecimento dos procedimentos e um razoável adestramento fará com que se desenvolva o autocontrole;

Solidão: É o prelúdio do tédio no barco salva-vidas, principalmente quando a pessoa se dá conta da sua situação e da vastidão do mar;

Tédio: É a fase em que o sobrevivente se revolta contra tudo e contra todos, começa a se desinteressar das coisas que lhe poderiam servir de ocupação e perde a vontade de viver;

Frio: Quando o corpo humano é exposto a baixas temperaturas, perde calor, e se a temperatura do corpo cai cerca para 30°C a, ela pode entrar em choque. Se a temperatura continuar caindo, ela poderá morrer. Durante a sobrevivência no mar um dos aspectos mais preocupantes e que se deve dar a atenção em manter as roupas e o barco o mais seco possível.

Congelamento: Ocorrem principalmente no rosto, orelha, pés e mãos, levando à ulceração e podendo gangrenar os locais. Ao menor sinal de congelamento, aqueça a parte. Não friccione ou massageie as partes atingidas.

Queimaduras: Deixe a cabeça e a pele coberta, protegendo inclusive o pescoço e a nuca. Os raios refletidos nas águas também queimam com o reflexo intenso do sol os olhos podem ficar infectados, inflamados e doloridos.

Utilize pomada antisséptica nos lábios e na pele, use óculos ou pedaço de pano, atadura sobre os olhos ou pomada oftálmica.

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