Transpac e back plate, são equipamentos essenciais utilizados pelos mergulhadores técnicos, onde o cilindro e a asa ficam encaixados e ajustados ao corpo do mergulhador através de tiras laterais.

O back plate pode ser fabricado em aço inox, alumínio ou em materiais plásticos de grande resistência, já o Transpac é fabricado com um nylon de alta resistência, levando vantagem sobre o back plate no que diz respeito ao peso, pois é bem inferior ao do back plate.

O back plate é mais robusto, com algumas tiras e 2 ou 4 d-rings atachados, sendo facilmente fixado em um cilindro duplo.

O Transpac parte do mesmo princípio, mais é interessante que o mergulhador utilize o que a Dive Rite chama de “plates”, que nada mais são que 2 peças em aço inox que dão um reforço ao local onde se prende o Transpac aos parafusos das cintas, garantindo maior conforto também.

O Transpac é fabricado pela Dive Rite e teve como origem, a necessidade dos mergulhadores de caverna em utilizar os cilindros nas laterais ao invés colocá-los nas costas, devido as passagens pouco elevadas de algumas cavernas.

Contrário ao que muitos pensam, este tipo de mergulho foi criado pelos ingleses

Para o uso de um cilindro simples, o back plate leva desvantagem em relação ao Transpac, pois o usuário necessitará  de um adaptador de cilindro simples, que nada mais é do que uma peça em aço inox ou alumínio, que fica entre o cilindro e o back plate, tendo como atuação a fixação dos dois, sendo mais um item a ser levado na bolsa do mergulhador.

Quanto ao Transpac, ele se prende diretamente ao cilindro simples com duas (2) cintas normalmente utilizadas nos BC’s Jacket.

O Transpac vem com 4 d-rings e é acolchoado tanto nas costas quanto nas laterais, por onde é passado o cinto com a fivela, e tem a possibilidade de se configurar o Transpac em diversos formatos, conforme a necessidade.

Nos dois casos, há regulagens onde o mergulhador poderá deixar com que o equipamento fique bem adequado ao corpo. O Transpac possui dois (2) quick-release ou desengate rápido na altura do peito, facilitando a retirada do equipamento.

Apesar de alguns dizerem que seria um ponto de falha, pois este quick-release poderia se romper e trazer problemas ao mergulhador, particularmente não acredito nesta hipótese pois eu nunca vi um deles se romper e nunca ouvi alguém passar por uma situação dessas. Além disso, o quick utilizado, é de grande resistência.

Basicamente os dois são fabricados com o mesmo objetivo, sendo que indiscutivelmente, o Transpac leva vantagem em peso e conforto em relação ao tradicional back plate, porém, cheguei à conclusão que em determinadas posições na vertical, o Transpac por ser flexível, acaba deixando a dupla se “descolar” das costas, tirando o controle do TRIM do mergulhador.

Percebi isso em algumas restrições em mergulho de caverna, onde tínhamos que ficar posicionados um pouco na vertical, devido ao tipo de conduto da caverna.

O back plate é mais simples, pesado e menos confortável, mais sempre está “chapado” nas costas, facilitando a posição de trim, mesmo que em posição “quase vertical”.

Conclusão

Como tudo na vida tem um custo, o valor de um Transpac é superior ao do back plate, porém, você terá maior conforto. Fica a minha observação quanto ao desequilíbrio e perda do trim, quando se está num plano inclinado.

Quadro Comparativo

Back Plate

Transpac

Durabilidade Indeterminado Há um desgaste com o tempo
Peso Auxilia no mergulho em mar, pois o mergulhador necessitará de menos lastro. Reduzido. Ideal para caverna, mas em algumas ocasiões, requer lastro para mergulhos no mar.
Tiras reguláveis Sim Sim
D-rings Sim Sim
Quick Release Normalmente não Sim. Dois nos ombros e um no coath strap
Conforto Pouco confortável Muito confortável
Uso recreacional Sim. Com o uso de um adaptador Sim, com o uso de um par de fitas
Acessórios Só para uso com cilindro simples Uso dos plates para cilindros duplos
Bolsos Opcional Opcional
Custo Baixo Alto

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986, participando da primeira turma de Dive Master da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 30 anos de experiência em mergulho e fotografia / vídeo subaquático.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS, em 2008, é o idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior, sendo uma referência quando o assunto é mergulho e naufrágios para a mídia e órgãos públicos no país, e diversas entidades internacionais como a ONU e UNESCO.