Recentemente me perguntaram sobre o transporte de bateria de lanterna de mergulho em aviões, e decidi escrever esse artigo pra tentar elucidar o assunto, pois é um tema importante pra quem pretende pegar um avião sem os possíveis transtornos nos aeroportos pela desinformação dos funcionários das companhias aéreas e agente aeroportuários. Muitas vezes eles desconhecem a regra e criam problemas ao passageiro.

Desde o ataque as torres gêmeas em New York, foram criadas diversas regras na tentativa de evitar possíveis atos terroristas nos aviões comerciais, e isso trouxe muitos problemas aos passageiros.

Com isso, novas regras foram criadas para dar mais segurança aos voos e, desde então, o transporte de objetos pontiagudos, quantidades maiores de cremes e baterias, por exemplo, acabaram sendo abolidos da bagagem de mão.

Até algum tempo atrás o transporte de qualquer tipo de bateria de maior volume só poderia ser realizado em bagagem despachada, pois havia o receio de um terrorista usar a bateria para a ignição de bombas, mas desde o acidente com um avião da DHL que acabou caindo devido a um incêndio na carga de baterias de lítio, as regras sofreram alterações.

Após uma análise profunda por especialistas em segurança aérea, eles chegaram à conclusão que era melhor transportar as baterias na bagagem de mão, pois com o avanço da tecnologia aplicada no processo de pré-embarque (equipamentos de Raio X e Body Scan), é praticamente impossível de um passageiro passar pelo setor de segurança sem que ocorra a detecção do objeto explosivo, sendo mais seguro então, transportar as baterias em mãos.

Baterias e as novas regras

Com as alterações nas regras de embarque, hoje o passageiro passou a ser obrigado a transportar qualquer tipo de bateria em mãos, caso contrário, o órgão fiscalizador poderá arrombar a bagagem despachada e jogar fora a bateria encontrada sem a necessidade de informar o fato ao passageiro.

Para o transporte de baterias na bagagem de mão, foi criada a regra do “Watts Hora (Wh)”, que consiste na tabela abaixo:

  • Bateria com até 100 Watts Hora pode ser levada em qualquer quantidade para uso próprio;
  • Bateria com carga entre 100 e 159 watts hora, no máximo 2 unidades por passageiro;
  • Bateria com carga acima de 160 watts hora, não poderá ser transportada.

Essa regra foi criada após a conclusão que baterias com certo nível de carga, podem oferecer risco de explosão nos aviões, e como muitos dispositivos passaram a utilizar baterias de lítio e lítio polímero, que são extremamente explosivas, essa regra foi adotada pelo órgão internacional responsável pelas regras da aviação.

Como sei a capacidade da minha bateria ?

Para saber se a bateria de algum equipamento de mergulho está dentro da norma, você pode verificar no selo normalmente encontrado na lateral da bateria com a descrição.

O número 43.6wh na imagem acima é um exemplo de uma bateria com capacidade de 43.6 watts hora, ou seja, ela está dentro da norma e não há um limite de unidades para transporte.

Baterias mais antigas muitas vezes não possuem a identificação de watts hora no selo, e para saber a capacidade dela, basta multiplicar o número de volts pela quantidade de amperes.

Usando o exemplo acima:

A bateria 3.830 amperes (mAH) e 11.4 volts (11.4v), a conta seria esta:

3.830 X11.4 = 43.6 watts hora (wh)

Logo, é bem fácil saber se a sua bateria está dentro das normas aeroportuárias.

Antiga bateria de lítio sem a indicação de watts hora – Foto: Clécio Mayrink

No caso da bateria acima, por ser antiga, ela não apresenta a quantidade de watts hora referente a sua capacidade de carga. Como ela é uma bateria de 2.450mAH e 11.1v, logo, ela teria 27,19 watts hora, estando dentro da norma e podendo ser transportada pelo passageiro no avião.

Melhor prevenir e andar documentado

Pela quantidade de equipamentos e metais que muitas vezes nós mergulhadores acabamos transportando, frequentemente somos alvos de agentes aeroportuários despreparados ou novatos, e que muitas vezes podem trazer alguns transtornos.

Inúmeras vezes fui parado e tive que chamar um supervisor e apresentar a legislação vigente, pois as pessoas desconheciam as regras corretas a afirmam coisas sem sentido. Numa dessas ocasiões, cheguei a escutar que não poderia embarcar ou que teria que deixar as baterias no lixo do aeroporto.

Para evitar ou diminuir as chances de passar por esse tipo de problema, sempre levo comigo algumas impressões em papel com a legislação pertinente, pois dessa forma, apenas apresento a legislação e o agente faz a confirmação com seus superiores de forma mais rápida e sem muitas discussões.

Normalmente levo comigo a legislação dos seguintes órgãos:

International Air Transport Association (IATA)
Organização Internacional das Companhias Aéreas, onde uma das atribuições é divulgar as regras que as companhias aéreas e aeroportos devem seguir.

Federal Aviation Administration (FAA)
Se o voo vai ou passa pelos Estados Unidos, é interessante ter essa documentação em mãos. Eles são os responsáveis pelo controle de segurança dos voos nos Estados Unidos.

Transportation Security Administration (TSA)
Também dos Estados Unidos, esse órgão americano é o responsável pelas equipes de segurança nos aeroportos americanos e seus integrantes são as pessoas que verificam os passageiros.

Pipeline and Harzardous Materials Safety Administration (PHMSA)
Órgão Americano responsável pela padronização das regras.

Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA)
Órgão responsável pela segurança dos voos pela Europa.

Downloads

Pra facilitar a vida, você pode clicar nos links abaixo e baixar a documentação sobre o transporte de baterias nos voos para leva-la em mãos.

EASAFAAIATAPHMSATSA

Conclusão

Esse é um tema discutido por muitos, mas conhecendo as regras e estando munido da legislação em mãos, a discussão certamente será encerrada mais facilmente. Quando o passageiro não detém o conhecimento sobre essas regras ou muito menos, possui a legislação para apresentar e contestar a afirmação improcedente, as coisas tendem a ficarem mais difíceis de serem resolvidas.

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986, participando da primeira turma de Dive Master da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 30 anos de experiência em mergulho e fotografia / vídeo subaquático.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS, em 2008, é o idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior, sendo uma referência quando o assunto é mergulho e naufrágios para a mídia e órgãos públicos no país, e diversas entidades internacionais como a ONU e UNESCO.