Era primeiro de dezembro de 1944, o aspirante Armando Tróia, (atualmente Brigadeiro reformado) havia decolado da Base Aérea de Santa Cruz (região sul da cidade do Rio de Janeiro) em um avião Vultee Vengeance (A-31) da Força Aérea Brasileira.
A aeronave era usada na tática de instrução avançada e empregada como patrulha, devido ao seu porte e peso.

Sendo um monoplano de asa média, chegava atingir 7.000m e alcançava 3.700Km de distância, chegando a velocidade de 450Km/h.
Na época, era equipado com duas metralhadoras Browing .50 no cockpit traseiro e levava até 907Kg em cargas de profundidade, o que a colocava na posição de bombardeiro.
Logo após a decolagem, por volta das 16:15h, repentinamente o motor apresentou problemas mecânicos, fazendo com que a aeronave viesse a cair na Baía de Sepetiba, num pouso forçado.
O piloto não teve ferimentos e ficou em cima da aeronave até o momento em que ela afundou totalmente.
Percebendo que a distância não era tão grande até a praia, Armando Tróia, que era um exímio nadador na época, nadou até lá e correu 3Km até a base militar.
Quarenta e três após o acidente (1987), a pedido do Diretor Geral de Ensino da Aeronáutica na época, o Tenente Brigadeiro Nunes, solicitou ao diretor do Museu Aeroespacial do Rio de Janeiro, para que houvesse a tentativa de resgate do que restou do avião, e com isso, o Brigadeiro Armando Tróia foi chamado para tentar indicar o local provável do afundamento do avião que pilotava.

Tempos depois, o Brigadeiro indicou o local e após três semanas de intensas buscas, o avião acabou sendo localizado.
A aeronave estava aos 6m de profundidade, numa água com baixíssima visibilidade e fundo lodoso.
Infelizmente durante o levantamento, o avião se partiu para a tristeza de todos.
Na época, apenas o motor foi retirado intacto da Baía de Sepetiba pelo Grupamento de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros, levando o motor e o que restou para a base aérea.
Atualmente o motor pode ser visto no Museu Aeroespacial e acabou se tornando parte da nossa história militar.
O museu com entrada e estacionamento gratuitos, está localizado no endereço abaixo, sendo um ótimo local para visitação de todos
Av. Marechal Fontenele, 2000 – Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro – RJ
Colaboração: Carlos Mayrink


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



