Alguns lugares reservam boas surpresas quando estamos “turistando” por uma determinada cidade, e Salvador é uma delas.
Justamente por lá, encontramos um dos cartões postais mais famosos do mundo: O Farol da Barra.
O farol encontra-se na antiga Ponta do Padrão, atual Ponta de Santo Antônio, e segundo um documento, a data de construção da última versão do farol, seria 2 de dezembro de 1839.
O farol em si possui 22m de altura e foi construído dentro do Forte Santo Antônio da Barra, que por muitos anos, permaneceu fechado ao público.
Histórico
No século XVII, o porto de Salvador era um dos mais movimentados e importantes do continente, e com o naufrágio do Galeão Santíssimo Sacramento, a Capitania da Frota da Companhia Geral do Comércio do Brasil, decidiu reedificar o Forte de Santo Antônio da Barra e instalou uma torre retangular com lanterna de bronze envidraçada, que na época era alimentada por querosene. Isso teria ocorrido em 5 de maio de 1698, durante o Governo Geral de João de Lencastre.
Com essas alterações, o local passou a ser chamado de “Vigia da Barra ou de Farol da Barra”.
Em 6 de julho de 1832, um decreto determinou a instalação de um farol mais moderno, e conforme documentos da época, um novo farol foi fabricado no Reino Unido e adquirido para substituir o antigo modelo, sendo inaugurado no dia 2 de dezembro de 1839, e tendo alcance de 18 milhas náuticas.
Em 1937, o antigo sistema foi substituído por um que utilizava energia elétrica, e com sua potência melhorada, passou a alcançar 34 milhas náuticas. Naquela época, houve a comemoração do primeiro centenário do farol e no mesmo ano, acabou sendo tombado e virando patrimônio histórico.
Museu Náutico da Bahia
Além da beleza do farol e do Forte Santo Antônio da Barra, o visitante pode visitar o Museu Náutico da Bahia e conhecer as partes da edificação, além do próprio farol.
Durante a visitação encontramos inúmeros equipamentos usados no passado pelos navegantes, além de peças dos naufrágios ocorridos nas proximidades da capital baiana.
Todas as peças estão em redomas de vidro, permitindo ao visitante uma boa observação dos itens, além de obter um conhecimento sobre essa parte história da navegação em nossas águas. Todos muito bem guardados.
Na parte superior do farol encontramos uma grande área aberta, permitindo ao visitante observar todos os lados da estrutura e ter um belíssimo pôr do sol nas tardes claras, sendo um destino turístico imperdível.
Visitar Salvador e não conhecer o Farol da Barra, é como ir ao Rio de Janeiro e não conhecer o Cristo Redentor. É ponto obrigatório do viajante.
Uma informação incorreta ?
Em tese, a última versão do farol fora fabricado pela C. Barbier, que é da França, e não do Reino Unido como todos os sites mencionam. Além disso, mencionam o ano de 1839 como sendo o ano em que o farol fora construído, mas durante a visitação, um detalhe me chamou a atenção… na base do farol contém uma placa em bronze com o nome “C. Barbier” e a inscrição 1889, onde seria o ano de construção do farol (Veja na galeria de fotos mais abaixo).
A informação ficou confusa, porque em tese, o ano de construção do farol seria 1889 e não 1839 como todos mencionam. Questionei a informação no local, mas infelizmente ninguém soube esclarecer e acabei saindo de lá com essa lacuna.
Visitando
É possível visitar o farol e o museu pagando uma pequena taxa no local. Quando estive por lá (outubro / 2021), o ingresso para adultos custava R$ 15, havendo outros valores mais baixos para residentes e menores de idade.
O endereço é Largo do Farol da Barra, s/nº – Barra, mas obviamente qualquer um saberá informar onde fica o Farol da Barra.
Mais detalhes no site museunauticodabahia.org.br
Galeria de Imagens

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



