Recentemente estive visitando o Estado da Bahia, e tive a oportunidade em conhecer o Projeto Tamar da Praia do Forte, projeto este, que atua no litoral brasileiro desde a década de 80 com a missão de promover a recuperação das tartarugas marinhas, o desenvolvendo ações de pesquisa, conservação e inclusão social, estando presente em 23 localidades distribuídas em oito estados brasileiros, além de desenvolver algumas ações de pesquisa, manejo e proteção das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil.
Há também, algumas atividades de envolvimento comunitário, inclusão social, sensibilização e educação ambiental, valorização da cultura local e geração de oportunidades de trabalho e renda.
Como resultado desse esforço contínuo, este projeto vem obtendo conquistas importantes, como a recuperação das populações, ampliação do conhecimento científico, apoio das comunidades litorâneas, sensibilização e apoio da sociedade em geral e a geração de recursos próprios (sustentabilidade).
O Projeto Tamar chegou em 1982 na Praia do Forte, quando ainda era uma pequena vila com 500 moradores, sem luz elétrica, e onde se chegava atravessando de balsa o Rio Pojuca.
Com o tempo, a relação com a comunidade foi nascendo aos poucos, e o entendimento sobre seu conhecimento tradicional fundamental para iniciar os trabalhos de proteção das tartarugas marinhas na região. Ao longo dos anos, com a dedicação e conscientização dos moradores e veranistas, a base de pesquisas e o centro de visitação foram se consolidando, e em duas décadas, a vila se transformou em polo turístico internacional.
O centro de visitantes foi criado no mesmo ano da base de pesquisas, ocupando uma área total de 10.000m² no entorno do farol Garcia D’Ávila, área cedida pela Marinha do Brasil / Comando do IIº Distrito Naval.
A biodiversidade, beleza natural, riqueza histórica e cultural dessa região turística, contribuem para que o local seja o centro de visitantes mais frequentados do Brasil, recebendo cerca de 500 mil pessoas por ano, entre membros da comunidade, estudantes, pesquisadores, além de turistas brasileiros e estrangeiros.
Visitando o local
O centro está localizado junto à praia, realizando pesquisa aplicada, telemetria dos animais, inclusão social, educação ambiental, interação com a pesca, além de possuir tanques e aquários, espaços temáticos, espaço cultural, caminhada de filhotes, visita ao farol, além de atividades interativas e visitas orientadas, como foi o meu caso.
Durante a visitação, estive com o biólogo Leandro Silva, de São Paulo, mas que já está por lá já alguns anos, e ele me guiou orientando e repassando em detalhes sobre os trabalhos de pesquisa e características de cada animal do centro, tornando mais fácil compreender como estes seres vivem nos habitats e todo o trabalho envolvido na recuperação, desde o momento em que chegam por lá com algum tipo de problema até o retorno ao mar.
Todos os habitats passam por manutenção diária e estando sob excelentes condições, sendo um trabalho admirável, em razão da quantidade de detalhes envolvidos para manter toda a estrutura em plena funcionalidade.
Entre tanques e aquários, são 750 mil litros de água salgada com exemplares da fauna marinha da região e de quatro das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, em diferentes estágios do ciclo de vida.
No final do percurso, o visitante pode dar uma parada no bar ou aproveitar um belo almoço, admirando o mar ao lado com suas belezas e corais da região.
Sem dúvida, um excelente ponto turístico e ideal para um passeio com a família.
Como chegar
A Praia do Forte faz parte do município de Mata de São João-BA, distante 75km do centro da cidade de Salvador e 50km do aeroporto internacional através da rodovia BA-092, também conhecida como Estrada do Coco.
O Projeto Tamar encontra-se na Avenida Farol Garcia D’Ávila, s/n°, e mais informações podem ser obtidas no site tamar.org.br
Para entrar no centro é preciso pagar um ingresso, havendo também, opções de meia entrada, passaporte família (dois adultos e duas crianças) que possui um desconto, além da gratuidade para crianças de até 5 anos, residentes da cidade, militares da Marinha do Brasil, funcionários da Petrobras e CLN.
Agradecimentos
- Guy Marcovaldi – Projeto Tamar
- Leandro Silva – Biólogo no Projeto Tamar
- Gade – Centro Turístico da Praia do Forte
- Taís – Projeto Tamar
Galeria de Imagens

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



