PLB e EPIRB são equipamentos destinados ao resgate de pessoas e que utilizam um sistema de satélites para a solicitação de resgate. Alguns mergulhadores andam comprando PLB’s no exterior e utilizando sem seus mergulhos, colocando eles caixas estanques de câmeras fotográficas ou até mesmo, sob produção própria.
O tema ainda é pouco conhecido no Brasil e muitos mergulhadores se confundem com o tema, achando que o conhecido Nautilus Marine Rescue GPS é a mesma coisa, e não é.
Vamos entender as diferenças, como funciona o sistema de registro e o acionamento resgate

PLB
É conhecido como um Personal Locator Beacon ou localizador pessoal. Um dispositivo de transmissão eletrônica pessoal projetado para alertar potenciais socorristas sobre uma situação de risco de vida no ar, na água ou em áreas remotas.
Quando ativado, o PLB envia um sinal na frequência oficial SAR 406MHz, frequência esta, utilizada para a solicitação de resgates e reconhecida em todo o mundo.
EPIRB
Um EPIRB é um Emergency Position Indicating Radio Beacon, um dispositivo usado no mar para alertar serviços de busca e salvamento (SAR) em perigo ou emergência. Em 2003 já havia comentado sobre esse equipamento aqui no Brasil Mergulho, inclusive.
Funcionando de forma semelhante a um PLB, um EPIRB é instalado em embarcações e registrado para um barco específico, ao invés de uma pessoa simplesmente como no caso do PLB. Atualmente na maioria dos países, é obrigatório que todas as embarcações comerciais tenham um EPIRB registrado.
Qual é a diferença entre um PLB e um EPIRB ?
Apesar de funcionarem de forma semelhante, existem diferenças entre o funcionamento entre um PLB e um EPIRB e as situações em que você pode precisar de um.
Primeiro, um PLB é muito menor em peso e tamanho do que um EPIRB, pois é projetado para ser carregado por uma única pessoa. Por causa disso, apenas PLB’s de 406 MHz podem ser usados em qualquer lugar do mundo, no mar ou em terra, enquanto um EPIRB só será usado no mar.
Devido ao seu tamanho, a duração da transmissão de um PLB é de no mínimo 24 horas, enquanto um EPIRB transmitirá por no mínimo 48 horas e flutuará na água. Como um PLB é um equipamento pessoal, ele deve ser usado idealmente na pessoa ou integrado ao colete salva-vidas do usuário.
O EPIRB então, é um dispositivo para solicitação de resgate para embarcações, sendo adequado então, o PLB para os mergulhadores.
COSPAS-SARSAT
Segundo o Centro Brasileiro de Controle de Missão COSPAS-SARSAT, o uso do PLB não está regulamentado, mas é aceito o registro de PLB em complemento ao uso de ELT, dispositivo de solicitação de resgate para aeronaves, que não seria o caso dos mergulhadores.
PLBs são para uso pessoal, principalmente por pessoas que praticam caminhadas, clubes de veículos de cross-country, alpinistas e outros aventureiros. Eles também podem ser usados em aeronaves leves, planadores, balões de ar quente, e em situações marítimas.
Que tipo de PLB 406 MHz eu preciso ?
Recomenda-se que você compre um PLB com GPS, pois isso melhora drasticamente a precisão quanto a localização do pedido de socorro. Isto significa que a sua localização pode ser identificada pelo Centro de Coordenação de Resgate em seu primeiro contato com um satélite.
Sem o sinal GPS, isso exigirá dois satélites para obter o sinal do PLB, e para resolver a ambiguidade das posições. O tempo entre as passagens dos satélites varia muito, podendo variar entre 20 minutos e 4:30h.
Para o uso do PLB no Brasil é requerido o registro no INFOSAR, que é um cadastro do dispositivo associado a um ou mais contatos de emergência e a uma aeronave ou embarcação. Não há custo para o registro do equipamento.
Teste de funcionamento
Testes podem ser feitos por meio do botão de teste no próprio equipamento, mas obrigatoriamente devem ser previamente agendados e autorizados pelo Centro Brasileiro de Controle de Missão COSPAS-SARSAT por meio do telefone (61) 3365-2964.
No caso de uma ativação acidental do equipamento, você deve entrar em contato imediatamente com o Centro Brasileiro de Controle de Missão COSPAS-SARSAT e informar o problema, para que não sejam lançadas ações de busca e resgate sem causa. O telefone de contato do centro é (61) 3365-2964 / 3364-8395.
Compra do equipamento
Existe uma forma de testar se o equipamento está funcionando corretamente. Cada PLB / EPIRB contém um código de identificação único do país. No Brasil, o código hexadecimal começa com 58 ou D8.
Se a identificação começar com uma dessas combinações, então seu equipamento está codificado para o Brasil. Se ele começar com qualquer outra combinação, então o registro não é nacional e não poderá ser registrado no banco de dados brasileiro.
Se o seu equipamento não possuir a codificação para o Brasil, você precisará entrar em contato com o distribuidor do produto ou procurar uma oficina de manutenção específica para que ele seja recodificado.
Você pode comprar um desses equipamentos no exterior e utilizá-lo no Brasil se ele for aprovado, mas esteja atento quanto à necessidade de registro no Banco de Dados Brasileiro.
Desde 01 de fevereiro de 2009 os satélites Cospas-Sarsat não processam mais os sinais de emergência 121.5 / 243.0 MHz, e os antigos equipamentos que utilizavam essas frequências, deixaram de funcionar no país.
Havendo algum problema com o produto, como alteração de status, roubo, perda, defeito ou retirado de serviço, é de responsabilidade do proprietário manter seu registro atualizado.
Se o equipamento não estiver registrado e um sinal de emergência for enviado, ainda sim será recebido pelo Centro Brasileiro de Controle de Missão COSPAS-SARSAT e será considerada uma emergência, com possibilidade de deslocamento de equipes de resgate.
São equipamentos com uso muito sério e devem ser usados com todo o cuidado.

Qual a diferença entre o Nautilus Marine Rescue GPS e um PLB / EPIRB ?
Muitos mergulhadores mencionam e indicam o Nautilus Marine Rescue GPS como um equipamento de resgate de mergulhadores, no entanto, ele é um equipamento que atua com AIS, sendo outra plataforma de recebimento de pedidos de socorro, atuando na frequência VHF.
As embarcações que possuem o receptor de AIS instalado, recebem a solicitação de pedido de socorro, diferentemente do PLB ou do EPIRB que funcionam por satélite.
Infelizmente no Brasil, o número de embarcações com receptor AIS instalado é baixo, e a possibilidade do pedido feito por um Nautilus Marie Rescue GPS não ser recebido, de fato existe.

Dispositivos da Spot e Garmin
No mercado também existem os dispositivos satelitais da Spot e da Garmin, que também permitem o envio de pedidos de socorro, dentre outros aspetos, como o envio de mensagens, contudo, apesar de atuarem com sistemas de satélites, são sistemas pagos e relativamente caros.
Ambos utilizam uma rede de satélites diferenciada, com os benefícios de envio de mensagens, mas obrigando ao pagamento de taxas mensais e anuais.
A Garmin possui o Garmin InReach com caixa estanque para uto até os 60m de profundidade. O Spot não possui caixa estanque, mas há rumores de que eles estão cogitando a iniciarem a fabricação para o uso de seus dispositivos.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



