21 Regras de segurança do mergulho em apneia e pesca submarina

1 – Jamais mergulhe sozinho. Encontre um parceiro qualificado que domine técnicas de resgate e primeiros socorros.

2 – Nunca se arrisque com o intuito de se exibir para os seus amigos demonstrando que consegue descer fundo e capturar peixes grandes.

3 – Durante a pesca submarina, utilize no máximo 60% da sua capacidade de apneia. Reserve os outros 40% para uma eventual situação de emergência.

4 – Nunca mergulhe em apneia logo após mergulhar autônomo. As microbolhas de nitrogênio residual podem se expandir durante a rápidas subidas do mergulho em apneia, causando doença descompressiva. Aguarde pelo menos 12h após um mergulho autônomo, antes de mergulhar em apneia.

5 – Remova o respirador (snorkel) da boca antes de imergir. Caso ocorra um apagamento, o risco de inalar água é maior se o snorkel ainda estiver na boca. Além disso, a expiração forçada para desalagar o snorkel na superfície após o retorno de uma imersão reduz drasticamente a pressão de O2 nos pulmões, aumentando o risco de um apagamento.

6 – Nunca hiperventile. O estado de hiperventilação geralmente ocorre após mais do que 15 inspirações profundas por minuto. Ele aumenta a pulsação e reduz os níveis de CO2 a ponto do apneísta sofrer um apagamento (síncope) antes que o CO2 atinja o nível mínimo necessário, para provocar a vontade de respirar.

7 – Mantenha o contato visual com o seu parceiro por pelo menos 20 segundos após ele ter retornado de um mergulho em apneia. Há muitos registros de “samba” ou apagamento após alguns segundos do retorno à superfície.

8 – Nunca teste a flexibilidade dos seus tímpanos. Equalize sempre ao menor sinal de variação de pressão. Não espere sentir dor para equalizar.

9 – Recupere-se bem entre uma imersão e outra. Esta regra merece especial atenção dos pescadores submarinos que realizam imersões consecutivas para desentocar peixes e, devido à ansiedade, negligenciam uma recuperação adequada na superfície. Para mergulhos abaixo de 20m de profundidade, recupere-se por pelo menos o dobro do tempo de duração do último mergulho, a fim de evitar doença descompressiva.

10 – Evite olhar para baixo durante a descida (salvo para evitar colisões com o fundo) e para cima durante a subida (salvo para evitar colisões barcos e outros objetos na superfície). A inclinação da cabeça, além de prejudicar o hidrodinamismo, dificulta a equalização durante a descida e reduz o fluxo sanguíneo para o cérebro, além da pressão do O2 nos pulmões durante a subida.

11 – Nunca faça imersões com os pulmões vazios. Esta é uma técnica perigosa utilizada somente em preparações específicas de atletas de elite.

12 – Ajuste a quantidade de lastro de acordo com a profundidade que irá mergulhar. Na dúvida, coloque menos lastro, e nunca a mais.

13 – Não acelere demais o ritmo da subida. Se achar que não terá fôlego suficiente para retornar, abandone o lastro.

14 – Não realize mais do que dois mergulhos profundos (de performance máxima) num mesmo dia.

15 – Suspenda as atividades de mergulho no dia que tiver sofrido um “samba” ou apagamento.

16 – Avalie as condições do mar, confira as previsões e planeje o mergulho antes de sair para o mar.

17 – Utilize sempre bóias de sinalização para ser mais facilmente localizado e evitar acidentes com embarcações.

18 – Tome cuidado com o excesso de carpas. Esta é uma técnica avançada utilizada por atletas de elite para hiperinsuflação dos pulmões e pode gerar graves lesões se praticada em excesso. Nunca faça carpas durante alongamentos para caixa torácica e posições de yoga.

19 – Jamais mergulhe sob o efeito de álcool ou outros entorpecentes. Também não mergulhe gripado ou congestionado.

20 – Faça intervalos a cada pelo menos 2h para se hidratar e alimentar.

21 – Respeite os limites do seu corpo levando em conta que eles podem variar de dia pra dia.

Ricardo Bahia

Pesquisador PhD em Botânica Marinha e atleta recordista de mergulho livre (apneia). É recordista mundial de apneia estática com O2 puro (Guinness) tendo alcançado 20’21”, obtendo de vários outros recordes homologados pela AIDA. Atualmente ministra cursos e treinamentos de apneia pelo Brasil.