Cavo Artemidi – Um mergulho pra não esquecer

Foto: Clécio Mayrink

Salvador é sem dúvida um dos pontos turísticos mais importantes do Brasil, e rota importante para os mergulhadores. Além de inúmeros naufrágios e outros pontos de mergulho. Os passeios de terra são fantásticos. Não deixem de visitar o Museu Náutico uma viagem na história da navegação.

Fui para Salvador em março deste ano (2008) com um único objetivo, mergulhar no Cavo Artemidi.

Fazia tempo que escutava as histórias fantásticas deste enorme cargueiro grego com mais de 180 metros de comprimento, que afundou em 1980 a 7,5 km da costa na entrada da Baia de Todos os Santos, a caminho da Inglaterra com carregamento de ferro-gusa.

Em uma profundidade máxima de 30 metros e mínima de 10, é um naufrágio fantástico para todos os níveis de mergulho.

Chegando às operadoras de mergulho, uma notícia que nenhum mergulhador gosta de escutar: as condições indicavam que não haveria mergulho no Cavo Artemidi, por conta da Naufragio-Cavo-Artemidi1maré. Mas, para minha surpresa, o mar ajudou muito, e saímos por volta das 9hs da manhã do Porto da Barra, a bordo do Delfin barco de 30 pés sobe o comando do mestre Luiz, da Dive Bahia. Na embarcação estávamos eu e meus duplas de mergulho Carlos Freitas e Kátia Trindade, e os instrutores Zig e Daniel.

Após uma navegação tranquila, mar parado, chegamos à marca do naufrágio. A água estava roxa assim que mergulhei e dava para ver o naufrágio todo de proa à popa. Foi maravilhoso, água quente, cerca de 28°C, muito mais do que eu podia imaginar, e o naufrágio estava belíssimo, muita vida e sem correnteza.

Não perdi tempo, já fui descendo em direção ao leme situado aos 30 metros de profundidade, onde lá se encontrava um cardume de xiras e dois grandes linguados. Dei uma volta completa na popa do naufrágio, admirando o tamanho do seu costado que já se encontra todo coberto de vida. A proa do naufrágio atualmente encontra-se toda enterrada em decorrência do tempo e das marés.

Após algum tempo, começamos a subida para aproveitar o máximo do mergulho e poder vasculhar todas as estruturas do naufrágio, convés, sala de máquinas e o corredor de boreste do casario. Neste, havia muita concentração de peixes ciliares, tricolors, budiões, peixes pedra, polvo e alguns peixes morcegos. Muita vida em todas as partes do naufrágio, proporcionado um lindo visual.

Ao encerrar o primeiro mergulho com o tempo de 40 minutos de fundo, a satisfação era total, muito mais do que eu podia imaginar. Realizamos um intervalo de superfície e conseguimos realizar o segundo mergulho no Cavo, com cerca de 35min de fundo, onde a maior parte do mergulho foi concentrada no casario e nos porões do naufrágio, dando uma atenção especial na estrutura do Cavo Artemidi, depois de uns 20 minutos, e já dava para notar a mudança da maré, pois a água começava a ficar turva e uma leve correnteza podia ser percebida, mas realizamos todo o planejado e isso já era previsível.

Naufragio-Cavo-Artemidi2Sem dúvida é um naufrágio que vale vários mergulhos, pois há muito o que descobrir neste fantástico cargueiro.

Uma coisa me preocupou… Ouvi alguns comentários nas operadoras locais, que os dias do Cavo Artemidi estavam contatos, pois o mesmo vem sendo castigado pela maré, deixando suas estruturas cada vez mais vulneráveis onde é possível até ouvir os ruídos das chapas de aço embaixo d’água, devido à ação das correntes marinhas durante o mergulho.

Recomendo a todos que o visitem o mais rápido possível, para admirá-lo na condição em que se encontra semi-inteiro.

Não se esqueça de entrar em contato com as operadoras locais, antecipadamente, para verificar condições de mergulho no Cavo Artemidi.

Fábio Marchetti Trindade
Nascido em São Paulo, capital, residente em Recife-PE desde de 1985. Atualmente é representante comercial, iniciando suas atividades de mergulho pela CMAS. Hoje, possui diversas especialidades, sendo Advanced EANx IANTD, Advanced Recreational Trimix IANTD e Decompression Specialist IANTD.