Não há lugar no mundo, onde história e mergulhos são tão incríveis como no Egito.

Quando pensamos num ponto de mergulho, imaginamos que animais podemos encontrar em suas águas, se a visibilidade é boa, nos barcos, mas os atrativos também são importantes e avaliamos o quanto o destino pode ser interessante no aspecto cultural, histórico, em sua beleza natural ou arquitetônica.

Se levar tudo isso em conta, certamente o destino escolhido será o Mar Vermelho.

Ao embarcar nessa viagem, você também estará embarcando numa máquina do tempo onde tudo aconteceu há milhares de anos. Você viaja das antigas dinastias de Faraós como a de Tutancâmon, a descoberta da Pedra de Roseta (1822), Moisés levando seu povo a terra prometida e a conhecida batalha das pirâmides (1798) de Napoleão onde gritou a famosa frase: “Soldados, do alto destas pirâmides quarenta séculos vos contemplam !”.

Cairo

A cidade fascina, não só pelas pirâmides na região de Gizé, Museu do Cairo, Museu do Papiro ou das mesquitas muçulmanas, mas também, pela cultura egípcia. Entrando em contato com esse povo, que tem no sangue a arte da negociação, percebemos que são muito simpáticos, mas querem te vender algo. A negociação é simples, basta seguir um esquema teatral e muito divertido. Se um vendedor no mercado do Cairo te oferecer, por exemplo, um Narguilé (um cachimbo de água utilizado para fumar) por EP$100,00 libra egípcia (Pound), você pode oferecer 10,00 pounds.

Prepare-se, pois o vendedor simpático olhará para você com ar de insulto. Não se preocupe isso faz parte do teatro. Após falar várias palavras em árabe, irá te dizer o número – 50,00 pounds. Você pode então passar para EP$ 20,00 pounds. Com uma cara mais feia ainda a resposta é NO, NO, NO. Aí vem, a última parte. Balance a cabeça para os lados e finja que vai embora. Um bom egípcio não vai querer perder a venda, você vai escutar 25, 25, 25. Beleza, ¼ do valor inicial, já está no preço justo do objeto.

Outro aspecto dessa cultura que tenho que salientar, é costume e religião. Aproximadamente 85% da população egípcia é muçulmana. Encontram-se mulheres usando a burca, aqueles trajes pretos cobrindo o corpo inteiro, sendo comum homens andando e mãos dadas e trocando beijinhos. Mas quem somos nós para achar esses costumes estranhos, você já imaginou o que um indiano hindu, que tem a vaca como um animal sagrado, pensaria ao ver uma churrascaria ?

Sharm el Sheikh

É uma cidade balneário, na região da península do Sinai, entre o golfo de Aqaba e Suez. Assim como Las Vegas nos Estados Unidos, Sharm el Sheikh surgiu no meio do deserto. Com o Mar Vermelho banhando suas praias e sua magnífica vida marinha, atraem milhares de turistas do mundo inteiro.

Russos, italianos, israelenses, espanhóis e alguns Sheiks de países árabes lógico. Até mesmo Tony Blair, ex primeiro-ministro inglês, tem uma “casinha” de praia na região, e na mesma praia onde um sheik construiu um palácio.

Os Hotéis são muito bons, mesmo os que não estão na praia. São cerca de 280 hotéis e muitos deles cinco estrelas e super equipados, com piscinas que chamam os hospedes para um mergulho. Uma praia muito boa e com muitos hotéis é Nanna bay. Muitas baladas esperam os turistas nas noites de Sharm, além de shows de dança e várias boates. No centro há restaurantes, shoppings, lojas (sem muita pechincha) e vários bares onde o pessoal fica fumando Narguilé.

Há vários passeios para fazer, como andar de camelo nas Montanhas do Sinai, Kartódramos, e outros passeios comuns em balneários, como submarinos turísticos ou barcos com fundo de vidro para observar o fundo de corais. Um que recomendo, é o passeio de quadriciclo no deserto. A caravana sai no fim de tarde ou início da manhã, porque o sol é muito forte durante o dia para essa aventura. Logo na saída, vamos entrando no clima, com turbante e óculos escuros, partindo para as montanhas do Sinai. Além de muito divertido, a paisagem é fantástica. O passeio leva você à terra dos Beduínos, com uma parada numa tenda no meio do deserto, para hidratar com água ou chá, e você pode até andar um pouco de camelo, só para contar para os amigos.

Pirâmides do Egito – Foto: Sandro Cesar

Saídas diárias

As saídas para mergulho podem ser diárias quando hospedado em hotéis em Sharm, a grande maioria parte para os pontos chamados de “locais”.

Pontos mais distantes, são saídas de barco, mas estas são mais caras por causa da distância e por incluírem refeições.

Saídas de praia são cada vez mais raras, devido a proliferação de hotéis na orla. Isso é bem diferente de Dahad ou Nuweiba onde os acessos por praia são praticamente obrigatórios, já que não há barcos nessa região. O transporte é feito de carros off-roads, porém, algumas operadoras fazem saídas de camelo, até pela dificuldade de acesso.

Camel-dive, que tal ?

Live Aboard

No porto marina Travco, mais de 220 barcos aportam todos os dias, onde a maioria são barcos de mergulho. Os barcos de Safári ou Live aboard, são uma opção bem confortável para quem busca praticidade e bons mergulhos, afinal o barco além de levar aos melhores pontos da região, ainda é um hotel e restaurante ao mesmo tempo. Os barcos de Safári são muito bem equipados, possuem ar- condicionado no salão principal e nas cabines, dessalinizador para garantir água suficiente para vários dias no mar, compressores e carga de nitrox em muitos deles.

A comida servida sempre arranca elogios, é bem variada e saborosa como a maioria da comida árabe. A tripulação geralmente é formada por egípcios e alguns estrangeiros de todos os lugares do mundo. Você encontra até brasileiro trabalhando por lá. Recentemente Rodrigo Guerardi, conhecido amante de naufrágios, desembarcou em Sharm El shek para trabalhar como guia num dos barcos de live abord.

Mergulhos

Não tenha dúvida, o Mar Vermelho é um dos melhores mergulhos do mundo. São mais de 250 espécies de corais formando recifes que mais parecem jardins multicoloridos e uma variedade e quantidade de peixes que deixa os mergulhadores sem saber para onde olhar. Cerca de 17% das espécies da fauna marina são endêmicas, ou seja, você só vai encontrar nessa região.

Os seres que mais encantam por sua beleza e por não encontrarmos sempre, são os Anemonefishs ou Peixe Palhaço (parentes do Nemo) e o famoso Lion Fish ou Peixe Leão.

Se você fotografa, vai tirar umas 30 fotos de cada um que encontrar, e depois de alguns mergulhos você irá reparar mais na anêmona que é diferente do que os milhares de Nemos que você viu.

Outro peixe que chama muito a atenção é o peixe Napoleão, que chega a mais de 2m comprimento e impressiona.

Peixe Palhaço – Foto: Sandro Cesar

Principais Pontos

Estreito de Tiran

O estreito de Tiran no Golfo de Aqaba tem o Jackson Reef, Woodhouse Reef, Thomas Reef e Gordon Reef.

Nestes recifes, grandes quantidades de plâncton e outros materiais nutrientes passam diariamente, fornecendo, assim, uma grande quantidade de alimento para os corais e peixes, que por sua vez são comidos pelos grandes predadores pelágicos, como barracudas e sobretudo tubarões. É um dos melhores pontos para observar Tubarão Martelo, Leopardo, entre outros. Há também naufrágios como o Kormoran, Loullia e o Lara.

Sharm El Sheik Local divers

São os mergulhos entre o estreito de Tiran e a cidade de Sharm el Sheikh. Saindo da Marina Travco, em poucos minutos você pode chegar aos dezessete pontos de mergulho da região. Alguns mais ao norte de Naama Bay, como Ras Bob, White Knight, Shark Bay e Garden.

Ao sul de Naama bay, são nove pontos: Sodfa, Tower, Pinky Wall, Amphoras, Turtle Bay, Paradise, Ras Umm Sid, Temple e Ras Katy.

De maneira geral, além das imediações de Naama Bay, o mergulho tem outras características em comum, devido à sua posição, é abrigada de ondas e correntes fortes. O mergulho aqui é tranquilo e pode ser realizado por mergulhadores de todos os níveis.

Ras Mohammed

O parque nacional de Ras Mohammed está ao sul de Sharm el Sheik é uma área totalmente deserta que separa o golfo de Aqaba do Golfo do Suez. Devido à posição geográfica, a península Ras Mohammed é um local privilegiado e que atrai grandes cardumes, corais e animais pelágicos. Não é a toa que situa o Observatório de tubarões.

O clássico mergulho nesse ponto começa no sul da ponta de Marsa Bareika, conhecido como Ras Za’atar, e continua ao longo da costa oriental com Jackfish Alley, Enguia Garden e Shark Observatory (também conhecido como Ras Mohammed Wall), e na parte sul do final, a península com Anemone City, Shark Reef e Yolanda Reef, onde está o naufrágio Yolanda com sua carga de vasos sanitários. Isso mesmo. Nessa região há aparições de tubarões baleia, arraia manta e vários outros tubarões.

Estreito de Gubal

O estreito de Gubal liga o Golfo do Suez e do Mar Vermelho e faz fronteira a oeste pela costa egípcia. Muito menor que o Golfo de Aqaba, sua profundidade média gira em torno dos 80metros enquanto o de Aqaba chega a 1.800m.

Há dois afloramentos chamados Beacon Rock e Shag Rock, ambos com balizas, bem como os naufrágios Dunraven e do Sara H. respectivamente.

Outra grande formação de coral no estreito de Gubal é Sha’ab Ali, situado ao norte de Sha’ab Mahmud.

Sha’ab Ali é bem conhecida para o famoso naufrágio do Thistlegorm.

Naufrágio SS Thistlegorm – Foto: Sandro Cesar

SS Thistlegorm

Muitos devem ter ouvido falar deste naufrágio incrível da segunda guerra.

O SS Thistlegorm foi construído por Joseph Thompson & Sons do Sunderland e foi lançado em junho de 1940. Com 126,5m (415 pés) de comprimento e pesando 4.898 toneladas, era alimentado por motor a vapor de 365 HP. Ele foi um dos diversos “Thistle” operados pela Albyn Line. Na verdade o seu nome significa “Blue Thistle”.

O SS Thistlegorm fazia parte da operação “Crusader” na Segunda Guerra Mundial, uma importante operação destinada a manter o fornecimento de materiais para as forças armadas britânicas na África do Norte. A força aérea britânica era constituída por mais de 650 aviões e outros navios semelhantes ao Thistlegorm, que transportavam suprimentos e equipamentos na rota entre a Inglaterra e o Egito, Sendo transformados em navios militares. O objetivo do 8º exército britânico em 1941 era pressionar os alemães de volta para o oeste.

Dois aviões fortemente armados da Alemanha (Heinkel He – 111), bombardeiros baseados em Creta, foram requisitados para essa área. A ordem dos aviões era localizar os navios de abastecimento e afundá-los. Para esta tarefa, os aviões carregavam duas bombas sofisticadas e desenvolvidas para atacar alvos no mar. Pesavam 2.000 kg com alta quantidade de explosivos.

Era tarde da noite, com a lua iluminando e deixando um brilho prateado nas águas do Mar Vermelho. Os aviões já voltavam para casa quando um deles, que estava voando ao longo da costa do continente, avistou o grupo britânico. O maior navio, Thistlegorm, foi imediatamente atacado. O ataque aéreo foi uma completa surpresa. A maioria dos tripulantes já estava dormindo.

Duas bombas foram lançadas diretamente à frente do alvo e, pelo menos uma acertou a lateral do navio, causando um enorme buraco no casco, seguido de incêndio e explosão.

O SS Thistlegorm é muito famoso por causa de sua história e pelo fato da maior parte de sua carga ainda permanecer no naufrágio.

Esse naufrágio é um museu militar acessível aos mergulhadores.

Sandro César

Sandro César do Nascimento também conhecido como “Sandrão”, é Técnico em turismo, Guia de Turismo Nacional e Internacional, agente de viagens especialista em mergulho.

Mergulhador há mais de 25 anos, é instrutor de mergulho desde 1993, fotógrafo especialista foto submarina e diretor da Oxigenação Turismo e Empreendimentos.