Mergulho nas cavernas de Ginnie Springs em bate e volta

Foto: Clécio Mayrink

A Flórida possui uma imensa área com cavernas alagadas, permitindo ótimos mergulhos aos mergulhadores de cavernas e, para quem vai até Orlando, um bate e volta até Ginnie Springs, um parque que contempla algumas das cavernas mais famosas da região, acaba sendo possível e facilmente alcançado em menos de 2h de viagem de carro.

Esse ano estive em Orlando, e conversando com um amigo das antigas, o Emerson Covisi, que além mergulhador de cavernas, é também, mergulhador de rebreather, combinamos de dar um pulo em Ginnie Springs num sábado pra fazer um mergulho por lá.

Ginnie Springs na verdade é o nome de um parque privado, onde encontramos a entrada de algumas cavernas como Devils Ears e Devils Eyes, com águas transparentes e uma visibilidade ilimitada. O parque é muito bem estruturado. O parque possui grandes banheiros / trocadores onde o mergulhador pode ser trocar, vestir sua roupa seca e tomar um banho com água quente, por exemplo, aspecto relevante, pois algumas épocas do ano faz frio, e um banho quente após o mergulho cai muito bem.

Além disso, o estacionamento é amplo e a passagem do Rio Suwanee pelo parque, faz com que muitos frequentadores acabam se deliciando com as belezas naturais do local, usando boias, andando de caiaque, nadando, ou brincando em outras atividades nas águas de lá.

No período de férias dos americanos, o parque chega a ficar extremamente cheio, sendo importante chegar cedo ao local, para iniciar o mergulho com mais tranquilidade, que foi o nosso caso.

Estive por lá meados de maio / junho, época em que as aulas ainda não haviam iniciado. Saí de Orlando por volta das 5:30h da manhã, pegando carona com o Emerson.

As 7:30h já estávamos na porta da operadora para buscar os cilindros de mergulho e ir para o parque. Um detalhe interessante, é que o gás usado nos cilindros é cobrado pelo “pé cúbico” consumido, e não o gás por inteiro contido no cilindro, saindo menos custoso. Na ocasião, usei um nitrox básico, pois iria descer com sidemount e o Emerson com seu Rebreather.

As 8h já havíamos pago a entrada do parque e iniciamos a montagem dos equipamentos, indo pra água posteriormente.

Mergulho

Iniciamos o mergulho por Devils Eyes ou Olho do Diabo. A entrada possui esse nome em razão do formato das rochas no local, dando a impressão de um olho humano.

No dia o fluxo não estava forte e a entrada foi super tranquila.

Para mim, era mais um dia de espetáculo da natureza, pois tenho uma admiração especial pelas belezas naturais que as caverna proporcionam, e tento observar tudo o que há por lá, como linhas, formas e o contexto comum um todo. A luz das lanternas em meio a água cristalina meio “azulada”, além dos reflexos “espelhados” nos bolsões de ar do teto, geram cenas fantásticas.

Sem dúvidas, o mergulho por lá reserva imagens e lembranças maravilhosas de um ambiente diferente, onde “poucos” têm o privilégio que conhecer de perto e saber a sensação indescritível que uma caverna dessas pode trazer.

Na ocasião seguimos metros e metros adentro até a hora em que infelizmente cheguei ao terço e tivemos que regressar.

No caso de Devils Eyes a volta é sempre mais tranquila, pois como há um pequeno fluxo em direção à saída da caverna, a batida de pernas é bem fraca e devagar, pois deixamos que o próprio fluxo faça seu trabalho e nos leve de volta. Na minha opinião, uma excelente hora para guardar energia e, principalmente, conseguir curtir ainda mais o visual diferente que as caverna passa ao mergulhador.

Tempos depois chegamos à entrada da caverna para uma pequena “deco” e aguardar a entrada de outros mergulhadores. Confesso que houve um pequeno “engarrafamento” em virtude da quantidade de mergulhadores entrando, onde muitos deles, mergulhavam solo. Coisa comum por lá. Aliás, muitos de rebreathers e sidemount. Não lembro de ter visto mergulhadores usando cilindros duplos.

Ao sair da caverna e alcançar a superfície, o parque já se encontrava bem cheio de crianças e adultos brincando com as boias fornecidas pelo parque, outros fazendo churrasco e aproveitando o dia.

Depois de um rápido banho, devolução dos cilindros na operadora um lanche maravilho no Springs Diner, uma lanchonete com estilo americano antigo, 2h mais tarde já me encontrava no hotel novamente, fechando o dia perfeito e muito proveitoso.

Placa-Ginnie-SpringsDicas

Levando em consideração que Ginnie Springs é um parque e possui grande visitação o ano inteiro, é recomendável chegar cedo por lá.

Mergulhadores certificados em Cave Diver (Full Cave) pagam atualmente US$ 24. Outros tipos de certificações pagam US$ 30, lembrando que mergulhadores recreacionais não podem realizar penetração na caverna. Quem apenas deseja entrar no parque também paga uma taxa de entrada inferior, conforme uma tabela por idade.

É possível acampar no parque, pois eles possuem uma infraestrutura para isso.

Quanto aos equipamentos, caso queira, é possível alugar todo o equipamento por lá, não sendo necessário levar algo do Brasil para lá. Na ocasião, levei apenas roupa seca (apesar da água estar quente) e uma GoPro, para tirar algumas fotos para escrever esse artigo, o que ajudou muito no tamanho da mala necessária para a viagem.

Se você desejar conhecer não só Ginnie Springs, como também, outras cavernas da região, o Emerson Covisi é um mergulhador brasileiro que fornece o serviço de guia excepcional, o que faz a diferença, pois além do fato dele conhecer tudo por lá, você acaba não perdendo tempo entre uma coisa e outra, onde se ganha tempo, o que faz total diferença, levando em consideração que normalmente ficamos poucos dias por lá.

Além disso, ele também guia os brasileiros que queiram mergulhar com grandes tubarões cabeça chata (Bull Shark) e Martelo na costa da Flórida.

Os interessados podem contatá-lo pelo e-mail:  ecovisi@icloud.com

Clecio Mayrink

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount).

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou como consultor para a ONU, UNESCO, Segurança Pública, além de diversos órgãos públicos no Brasil.