Nadadeira aberta ou fechada ?

Nadadeira com mola de inox, calçadeira semiaberta e pala longa.

No passado, só encontrávamos no mercado a nadadeira fechada, aquela nadadeira com acabamento que envolve totalmente os pés, conhecida pelo nome “calçadeira”.

Com o passar dos tempos surgiram as chamadas nadadeiras semiabertas, onde parte dos pés se projetam para fora dela.

No início, alguns mergulhadores eram contra esse tipo de nadadeira, pois afirmavam que ela não protegia totalmente os pés e o mergulhador forçava mais para conseguir nadar, tendo como consequência, um cansaço mais rápido e dores nos pés. Em pouco tempo essa tese foi por água abaixo e as nadadeiras semiabertas conquistaram o mercado mundial do mergulho e são os modelos mais vendidos atualmente.

Vantagens X Desvantagens

As nadadeiras com “calçadeira” fechada permitem o uso sem meia, mas seu grande problema, é que o pé do mergulhador acaba ficando parcialmente desprotegido. Se o mergulhador decidir usar esse tipo de nadadeira com meias de lã, a calçadeira precisa ser maior, caso contrário, ela ficará apertada e poderá gerar má circulação sanguínea e câimbras nos pés. Se o mergulhador decidir usar meias de neoprene, a coisa se agrava.

No caso das nadadeiras semiabertas, obrigatoriamente o mergulhador terá que utilizar botas de mergulho, pois a calçadeira é bem mais ampla, quando comparamos com os modelos com calçadeira fechada. A calçadeira aberta permite ajustar as cintas de fixação, trazendo um melhor encaixe dos pés do mergulhador junto a nadadeira e proporcionando um melhor desempenho para o mergulhador autônomo.

Com a utilização das botas de mergulho, o mergulhador poderá andar com segurança em terra, sendo extremamente vantajoso quando realizamos saídas de praia, como é o caso de vários mergulhos no Caribe, como Bonaire, por exemplo, onde encontramos praias repletas de pedras e corais mortos e que podem facilmente machucar e cortar os pés se estiverem desprotegidos.

Numa situação como essa, se o mergulhador estiver usando apenas meias de lã ou de neoprene, os pés não estarão bem protegidos e o risco de ferimento será grande.

Até mesmo nas embarcações de mergulho, o mergulhador poderá machucar os pés, simplesmente dando uma “topada” em algum cinto de lastro ou torneira de algum cilindro, por exemplo.

Porque ainda encontramos nadadeiras fechadas à venda ?

Dificilmente iremos ver mergulhadores autônomos usando nadadeira com calçadeira fechada, sendo comum, encontrarmos esse tipo de nadadeira em operadoras de mergulho e destinadas para o aluguel. Isso ocorre em razão do custo ser mais baixo que o modelo semiaberto.

Qualidade X Performance

Quando comparamos as nadadeiras fechadas com as semiabertas, é perceptível a diferença da qualidade e performance entre elas, e a única diferença favorável para os modelos fechados, é quando nos referimos as nadadeiras fechadas de alta performance e que utilizam a pala longa, sendo destinadas aos praticantes do mergulho livre.

Botas de neoprene

Que modelo comprar ?

Hoje encontramos centenas de modelos de nadadeiras no mercado e o mais recomendado são as nadadeiras com calçadeira semiaberta, lembrando que o mergulhador deve adquirir um modelo que lhe caia bem.

É importante observar a marca, pois os fabricantes de primeira linha são os que produzem as melhores nadadeiras.

O tamanho da pala também é importante. Se a pala é pequena, ela irá gerar um menor deslocamento de água, e consequentemente, um menor deslocamento do mergulhador.

Verifique se a tira que envolve os pés é resistente e não machuca os pés. Se possível, nadadeira com molas de inox são melhores e mais confiáveis.

É importante observar se a colocação e remoção da nadadeira pode ser feita de forma rápida. Muitas vezes regressamos do mergulho e sendo preciso removê-las de forma rápida para subir na embarcação.

O peso também é importante. As nadadeira sofreram grandes mudanças nos últimos vinte anos, tornaram-se mais leves e resistentes. Se a nadadeira é pesada, o mergulhador terá que forçar mais os pés para se deslocar, e consequentemente ficará mais cansado. Além disso, em tempos onde o peso da bagagem é medida com precisão, pode fazer uma boa diferença na hora de voar.

Clecio Mayrink

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount).

É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008.

Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.