Rebreathers – Um Mergulho no futuro…

Foto: Dive Systems Malta

Atualmente, a quase totalidade dos praticantes do mergulho autônomo, em todo o mundo, utilizam o sistema Scuba de circuito-aberto.

Com a introdução dos Rebreathers, no mergulho recreativo e técnico, este sofisticado equipamento acrescentou algumas vantagens às necessidades do mergulhador.

Os Rebreathers estão sendo extensivamente usados em pesquisas subaquáticas (biólogos, cientistas), penetrações em cavernas, covas e naufrágios, na fotografia e cinematografia, assim como em grupos de resgate como os Bombeiros, pelas Forças Armadas com suas unidades especiais e por mergulhadores comerciais em sistemas de bailout.

Embora pareça recente, a tecnologia Rebreather remonta há mais de 300 anos.

Começa com o italiano Giovanni Borelli que criou um sistema de circuito-fechado em 1680, passando, em 1726, por Stephen Hale com sua unidade de limpeza do ar e seguindo com o pioneiro Augustus Siebe, com o primeiro Elmo para mergulho, em 1839.

Já em 1878 temos a empresa Siebe Gorman, com a patente do primeiro circuito fechado de oxigênio puro de Henry Fleus, chegando a 1880 com os trabalhos de construção de um túnel embaixo do Rio Severn, pelo mergulhador Alexander Lambert, utilizando o circuito fechado de Henry Fleus.

Em 1904 foi patenteado o semi-fechado Oxilite, que em 1915 foi utilizado nas filmagens do famoso “20.000 léguas submarinas”. Em 1926 foram utilizados, em resgate, rebreathers fechados de oxigênio puro e na Segunda Guerra Mundial por mergulhadores de combate.

Assim chegamos aos nossos dias, com os lançamentos do Atlantis I em 1995, o Cis-Lunar em 1996 e o Halcyon em 1997.

Mas o que é um Rebreather ?

Fundamentalmente, ele é um equipamento diferente de mergulho. Existem 3 tipos básicos:

  • Rebreather de oxigênio
  • Rebreather semi-fechado
  • Rebreather fechado

Podemos também considerar os Elmos (Diving Helmets) como um tipo de Rebreather.

Cada um, tem as suas vantagens e desvantagens, como iremos discutir a seguir. Todos os 3 projetos possuem as mesmas partes básicas, ou seja, o contra-pulmão, também chamado de bolsa respiratória, a traquéia e a boquilha. O material da bolsa respiratória é flexível, o que permite que o mergulhador, inale e exale, como se estivesse trocando o ar de seus pulmões com a bolsa respiratória e vice-versa.

Esta constante troca de gases, entre os pulmões e a bolsa respiratória, leva a um crescimento perigoso do nível da taxa de Dióxido de Carbono (CO2) na respiração. É aí que entra o Cartucho Depurador ou Canister, que vem a ser, nada mais, do que um reservatório, com toda a sua dinâmica especial, onde colocamos o material absorvente que irá, por uma reação química, retirar o CO2 do gás exalado pelo mergulhador.

O material absorvente pode ser, a princípio, de dois tipos: o mais usado, a Cal Sodada e, o mais duradouro e caro, o Hidróxido de Lítio.

Chega-se a um ponto em que o “Circuito” ou “Loop” respiratório está completo (boquilha, traquéia, bolsa respiratória e cartucho depurador), só que este ¨Loop¨ não é capaz de sustentar a respiração do mergulhador por um longo tempo, pois, o oxigênio existente será consumido metabolicamente e acabará. Desta maneira ele terá de ser injetado no “Loop” respiratório, através de um ou dois cilindros, a fim de satisfazer nossas necessidades.

Lembrando que existe um sentido único na direção dos gases, ou seja, inspiração vindo da esquerda (onde os gases são adicionados), seguindo a exalação no sentido direito, em direção ao cartucho depurador (onde haverá a retirada do CO2), graças a válvulas unidirecionais.

1 – ELMO / Sistema de Bailout

Pode ser considerado um Rebreather, pois, um protótipo norueguês, chamado Dolphin Seven, de 1991 (para realizar mergulhos a 500 metros por 10 minutos), mostrou a viabilidade de tal projeto, após testes, onde o cartucho depurador foi colocado dentro do Elmo, caso o fornecimento primário do mergulhador, utilizando este equipamento, fosse interrompido. Haveria, então, a passagem para bailout, deslocando-se a boquilha do lugar e respirando o gás dentro do capacete, depois é claro, do gás já ter passado pela remoção do CO2. O mergulhador carregava cilindros para satisfazer as suas necessidades metabólicas e para completar o volume.

Os testes acrescentaram também outra vantagem, que seria a reação exotérmica, ao provocar uma quantidade substancial de calor, que em águas frias é muito bem vindo.

Lembrando também do traje Newtsuit que mantém 1 atmosfera de pressão, independentemente da profundidade e que utiliza um cartucho depurador com capacidade para mais de 50 horas de absorção.

2 – Rebreather de Oxigênio

O Rebreather de oxigênio puro é o sistema mais simples, pois, compõe-se de um cilindro de oxigênio puro, que restabelece o oxigênio que é consumido metabolicamente pelo mergulhador.

Alguns tipos de rebreathers de oxigênio adicionam oxigênio no “Loop” respiratório, a um fluxo constante, previamente escolhido, para ficar o mais próximo possível do consumo do mergulhador.

Este consumo, no entanto, pode variar no decorrer da imersão. Tal sistema de adição ativa, portanto, é capaz de adicionar muito oxigênio, em períodos de descanso (resultando num desperdício) ou pouco oxigênio em períodos de muito trabalho ( tendo o mergulhador de adicionar o oxigênio manualmente).

Muitos rebreathers incorporam o sistema de adição passiva, ou seja, o oxigênio é adicionado no “Loop” respiratório a um fluxo que completa o consumo metabólico do mergulhador. Este sistema é facilmente alcançado com uma válvula, que abre e injeta o oxigênio, quando a bolsa respiratória estiver completamente colapsada. Em outras palavras ; o oxigênio é consumido metabolicamente, produzindo–se o CO2, que por sua vez é retirado pelo absorvente (Cal Sodada) e seguindo o raciocínio, logo perceberemos que a bolsa respiratória irá se colapsar. É de vital importância uma correta “limpeza” do sistema, antes da entrada na água, pois, uma quantidade de outros gases, que não o oxigênio, poderá levar a uma hipóxia.

Os Rebreathers de oxigênio são de simples operação e também de operação limitada a uma profundidade de, no máximo 6 metros (PpO2 1,6), podendo o mergulhador ter que lidar com a toxidade do sistema nervoso central pelo oxigênio (CNS Oxygen Toxicity), caso os limites sejam ultrapassados.

Podemos citar…

LAR V

Da alemã Dräger, unidade que compõe a maioria dos exércitos no mundo, como por exemplo o americano (Marine Corps). O LAR V permite que o mergulhador permaneça até um máximo de 4 horas embaixo d’água. Utiliza um interface com o OTPS, ou seja, o sistema de transferência de oxigênio da superfície.

  • Profundidade de 0 a 10 mam;
  • O sistema é fechado;
  • Possui um cilindro de 1,5 L a uma pressão de 200 bares em aço, TuV;
  • Utiliza apenas oxigênio;
  • Nível magnético: Magnético.

LAR VI

As mesmas especificações do LAR V, mudando o cilindro, que passa a ser não magnético e pouco magnético. O tamanho do cilindro é de 1,9 L podendo ser de aço ou alumínio.

Existem diversos outros modelos que podemos citar desde o passado até o presente, como por exemplo :

  • Dum Oxymatic da AGA (Suécia)
  • Model 57 da Cressi (Itália)
  • US Navy Mark I da Dresco
  • Cobra da Carleton Technologies
  • USBA da Dunlop (Inglaterra)
  • LARU, T4, US Navy STD da Emerson
  • Oxygers 57 da Fenzy (França)
  • Pirelli 50, S-701, S-901 da Pirelli (Itália)
  • US Navy Mark III da Scott Aviation
  • Amphibian da Sibe Gormam
  • OXY-NG da US Divers
  • Pra min, o lung da Westinghouse…

Rebreather de Circuito Fechado

Também pode ser chamado de Closed Circuit Rebreather, CCR ou ainda C2.

Tal como os rebreathers semi-fechados, os rebreathers fechados são do tipo de sistema de gás misto, permitindo ao mergulhador descer com segurança a profundidades bem maiores do que com os rebreathers de oxigênio puro.

Existem diversas e fundamentais diferenças entre os fechados e os semi-fechados.

A primeira é de como o oxigênio é adicionado no “Loop” respiratório. Nos rebreathers fechados o gás é adicionado por duas fontes de gás (cilindros), independentes. Um dos cilindros contém oxigênio puro, que é injetado no ¨Loop¨ para completar o oxigênio consumido pelo mergulhador e o outro cilindro contém o chamado diluente que, normalmente, pode ser ar comprimido ou uma mistura gasosa especial, tipo Nitrox, Heliox, Neox ou Trimix.

O diluente em geral possui suficiente oxigênio para que o mergulhador possa respirar diretamente dele, via circuito aberto (como um bailout de emergência).

Este mesmo diluente mantém o volume no sistema, quando em profundidade o ¨Loop¨ respiratório for comprimido. A segunda maior diferença é de como o sistema mantém a concentração de oxigênio no ¨Loop¨ respiratório.

Enquanto nos semi-fechados a fração de oxigênio (FO2) é mantida, ou quase mantida constante, durante a imersão, nos rebreathers fechados a pressão parcial (PpO2) é que é mantida. Para que isso seja alcançado, os rebreathers fechados possuem um sistema eletrônico de controle do oxigênio, que automaticamente adiciona oxigênio, quando a PpO2 cai abaixo do nível pré-determinado. Este nível também é chamado de set-point da PpO2.

A maior vantagem dos rebreathers fechados é sem dúvida, a grande economia de gás. Quanto mais profundo maior será a vantagem dos rebreathers fechados em relação à eficiência da utilização do gás.

Richard Pyle, um dos “Magos” dos rebreathers faz uma ótima e esclarecedora comparação:

Um cilindro normal contém gás para manter uma pessoa respirando em repouso durante 1 hora e meia, em superfície. O mesmo cilindro durará 45 minutos a 10 metros de profundidade e menos de 10 minutos a uma profundidade de 90 metros. Mas se enchermos este mesmo cilindro com oxigênio e o usarmos em um rebreather fechado, o mergulhador, teoricamente, poderá permanecer 2 dias embaixo d’água, independentemente de sua profundidade.

Este exemplo mostra com clareza a otimização na utilização do gás.

Outra vantagem que só os rebreathers fechados possuem, é a da eficiência para com os requisitos descompressivos, ou seja, trabalhando com uma pressão parcial constante faz com que a concentração de oxigênio se mantenha no valor máximo seguro, através de toda a imersão, permitindo que o mergulhador esteja mais tempo em certa profundidade sem ter obrigações descompressivas e acelerar o processo de descompressão, caso ele venha a ocorrer.

A grande desvantagem dos rebreathers fechados, vem a ser a confiabilidade na eletrônica para controlar a adição de oxigênio no “Loop” respiratório.

A maioria dos problemas referentes à rebreathers fechados dizem respeito à eletrônica que pode falhar, ao se adicionar pouco ou muito oxigênio.

Os rebreathers fechados necessitam de muito treino, experiência , conhecimentos amplos da fisiologia no mergulho, assim como uma dedicação na manutenção dos equipamentos. A experiência em rebreathers de circuito semi-fechado é vital e de suma importância para que o mergulhador tenha o primeiro contato com um rebreather.

Existem dezenas de rebreathers fechados, mas iremos relacionar apenas os mais importantes. Alguns são “passado”, outros atuais:

Andi Gator

Foi apresentado ao público na DEMA de 1997, onde teve ótima recepção, pelo seu tamanho e simplicidade. Durante o ano de 1997, foram realizados muitos testes e modificações para que, em 1998, a unidade chegasse ao mercado. A fabricação é feita pela Marine Technology e o seu desenvolvimento em São José, na Califórnia, por Barney Lambert. A distribuição é exclusiva da ANDI.

Tem uma duração de 2 a 4 horas, eletrônica que controla diversas funções, tais como, a temperatura do absorvente, pressão do gás, tempo, sistema de diagnóstico, áudio, ajuste pré-mergulho da mescla (21 % a 90 %).

A eletrônica é mantida por uma bateria de 6 volts e a unidade tem a garantia de 1 ano.

Os engenheiros da MTD desenvolveram uma boquilha bem completa evitando alguns problemas, utilizando o desenho de uma válvula rotativa e a válvula de pressão, colocada na boquilha, e não na bolsa respiratória, como a maioria dos modelos.

Buddy Inspiration

É um rebreather fechado, produzido pela empresa inglesa A. P. Valves, a mesma que produz os famosos coletes Buddy, auto-air, manômetros e profundímetros.

A idéia partiu de Martin Parker, um executivo da A . P. Valves e de David Thompson que tinha o desenho e, depois de quase 3 anos, a unidade chegou ao mercado, com as primeiras 4 unidades entregues em Outubro de 1997 e já com uma previsão de mais 30 a serem entregues.

O treinamento é realizado pela IANTD e TDI em 3 níveis, “Nitrox sem paradas”, “Nitrox com descompressão” e “Trimix com descompressão”.

As bolsas respiratórias situam-se em cima dos ombros, o que evita a entrada da água. Existem dois cilindros de 3 litros cada, um com diluente e o outro com oxigênio, o cartucho depurador tem uma autonomia de 3 horas, o bailout é realizado através do segundo estágio, em circuito aberto, do diluente.

Na parte eletrônica temos dois displays, o primário e o secundário, que mostram a PpO2 de cada um dos 3 sensores de oxigênio. Caso haja falha em um desses sensores, o outro assume. Existe também a possibilidade de adição manual do diluente, na bolsa respiratória, do lado direito e, do oxigênio, na bolsa respiratória, do lado esquerdo.

Rebreather Cochran

Este rebreather tem lançamento previsto para 1998 e para isso, diz já estar recebendo pedidos .

O rebreather fechado da Cochran, virá em duas versões, uma para o mercado recreativo, com profundidade máxima de 50 metros e outra para fotógrafos e mergulhadores avançados, para uma profundidade de 110 metros. O Cochran ainda possui uma instrumentação totalmente redundante, o cartucho depurador e o detector de CO2 à prova d’água, sensores de oxigênio tolerantes a água , pouca manutenção, fonte de energia com apenas 4 baterias “c” alcalinas, pouca resistência respiratória, sensores de pressão tanto para o diluente como para o oxigênio, cálculos reais do CNS e OTU, colete equilibrador integrado.

Prism

O engenheiro Peter Readey, que há muito tempo trabalha com rebreathers, é o responsável pela Steam Machines, uma empresa baseada na Califórnia e com centros de treinamento em Los Angeles, Key West e Cayman Brac.

Atualmente há em produção dois rebreathers fechados, o Prism e o MK 15.5B.

O Prism foi testado pela Unidade de Mergulho Experimental da Marinha Americana, passando por este rigoroso teste. Apesar de ser um rebreather fechado, ele também pode trabalhar de outros modos, tais como, semi-fechado com constante PpO2, fechado com controle manual, semi-fechado com fluxo de massa constante e por fim como circuito aberto, com o regulador saindo do diluente.

Os cilindros são de aço, com 2 litros , eletrônica com 2 displays, sensores de oxigênio e CO2, válvula de adição manual, o cartucho depurador tem a duração de 166 minutos e uma recarga de 1,7 Kg de Cal Sodada.

MK 15.5 B

O MK 15.5B é o novo nome do 1600.

É o primeiro resultado de uma estratégica parceria entre a Steam Machines e a Carleton Technologies, fabricante do aclamado MK 16. O sistema é fechado, com constante PpO2.

O cartucho depurador tem a capacidade de 3,7 Kgs, a duração é de 284 minutos e o limite de profundidade, de 100 metros.

As traquéias são de grande diâmetro e a boquilha tem flutuabilidade neutra.

A unidade está disponível, com pesos integrados no colete equilibrador e itens técnicos, sendo montada exatamente para as necessidades do comprador.

BMR 500

Este rebreather fechado vem de uma Empresa, a Bio Marine Instruments, com uma longa lista de rebreathers que fizeram história, tais como, o CCR 1000, MK 15, CCR 155 e o MK 16, todas elas, fantásticas unidades.

A Bio Marine começou sua vida como uma divisão da General Eletric, até ser comprada por um pequeno grupo de engenheiros elétricos na década de 60.

O rebreather BMR 500 ficou disponível ao público em março de 1997.

Construído para até 150 metros, o BMR 500 tem um limite de profundidade de 100 metros, sensores triplos de oxigênio, bailout de circuito aberto, com capacidade do ¨Loop¨ respiratório de 7 litros e a bateria tem uma vida útil de 12 horas.

O ar comprimido é usado como diluente a pouca profundidade, enquanto o hélio ou outro diluente é usado em profundidades maiores.

O set-point da PpO2 pode variar da 0.5 a 1.4 ata. Já as operações da U. S. Navy requerem um set-point de 0.7 ata.

CIS-Lunar

O MK-5p é a quinta geração de rebreathers produzidos pela Cis-Lunar.

A unidade, que anos atrás era considerada grande como um carro, chega atualmente a um peso e tamanho ideais.

O Dr. Bill Stone, conceituado e renomado explorador de covas, começou o seu projeto em 1984 e em 1987 o Mk-1 foi testado. Depois vieram o Mk-2 e o Mk-3. O Mk-4, que se seguiu, é essencialmente, dois rebreathers em um só.

A profundidade máxima recomendada é de 113 metros, seu peso em torno dos 28 Kgs., a duração do cartucho depurador com a Cal Sodada vai de 4 a 12 Hrs., enquanto com o Hidróxido de Lítio pode variar de 6 a 14 Hrs.

A duração de uma imersão pode chegar até 10 horas, com os requisitos de descompressão otimizados. A exposição a uma doença descompressiva é reduzida e os efeitos da narcose eliminados pelo uso de Heliox. A flutuabilidade é neutra, há múltiplos sensores de oxigênio, microprocessadores, fontes de energia e displays.

O sistema foi desenhado para operar junto, ou no evento de uma falha de algum sistema individual, funcionar independentemente.

UT – 240

Tanto o UT-240, como o UT-180 são produzidos pela Undersea Technologies, que tem a licença da Carmellan Research Limited, que por sua vez pertence a Stuart Clough. Em 1992, a Undersea Technologies assinou um contrato com a Oceanic, para juntas, desenvolverem um rebreather para o mercado recreacional, que iria ser chamado de Phibian. Em 1995, as duas empresas entraram em choque e o contrato terminou, ficando combinado que a Carmellan Research teria todos os direitos sobre a patente tecnológica e permitindo que a Oceanic entre no mercado dos rebreathers fechados em Agosto de 1999.

O UT-240, possui um cartucho depurador com capacidade de 3.5 Kgs., bolsas respiratórias duplas com dreno, dois cilindros com 3 litros de capacidade, podendo acomodar cilindros de 1 a 10 litros. Tem um computador descompressivo integrado, detector de CO2 integrado com sistema de aviso, memória da imersão (data / tempo de imersão / gás usado, PpO2, etc.), duas baterias, boquilha em T.

Existem também acessórios, tais como, uma ligação umbilical, alarmes com áudio, HMD, máscara completa (full-face mask), controladores múltiplos, display para mergulho profundos. O UT-240 trabalha com uma PpO2 constante de 1.4 bar. Caso o diluente seja o nitrogênio, a profundidade máxima recomendada é a de 50 metros, mas com o uso do hélio o UT-240 foi testado a profundidades maiores de 200 mam.

MK-16

O conceituadíssimo MK-16, parte integrante da US Navy, é um dos mais simples rebreathers no aspecto desenho e um dos mais complexos na parte de computação.

São 3 sensores de oxigênio (para redundância) que medem a PpO2 na bolsa respiratória e de vez em quando o sistema de controle eletrônico abre a válvula solenóide para que suficiente oxigênio seja injetado, mantendo assim a PpO2 constante. A PpO2 mínima pode ser ajustada pelo mergulhador, com a US Navy usando o set-point de 0.7 bar. Soube que há uma intenção de aumentar esse set- point (regra) para a marca de 1.0 bar. O MK-16 usa dois cilindros (oxigênio e diluente), o cilindro que contém 490 litros de oxigênio, proporciona ao mergulhador uma autonomia de 6 horas, com um consumo metabólico de 1.5 litro por minuto.

O cartucho depurador tem a duração de 100 minutos, a uma profundidade de 16 metros e com uma temperatura de 2 graus negativos, aumentando para 200 minutos a 4 graus de temperatura, podendo chegar a uma duração de até 400 minutos em profundidades menores.

A US Navy chegou a desenhar um rebreather ainda mais sofisticado, o MK-19, que tinha as suas características respiratórias desenvolvidas, uma eletrônica com dupla redundância combinada com uma super duração do absorvente de CO2 (hidróxido de lítio), mas o alto custo irá atrasar bastante a fabricação desta unidade.

CCR 2000

Este rebreather fechado é produzido pela AURA (Association of Underwater Rebreather Apparatuses) com sede em Seattle (USA) e tem como desenhista Dan Wible.

O seu predecessor, o CCR 1000, tem mais de 20 anos de idade .

O treinamento é feito pela AURA e é dividido em 3 níveis, tais como, cinturão verde (40 metros), depois o azul (70 metros) e por fim o preto (150 metros).

O CCR 2000 pode ser utilizado com hélio e neon, a bolsa respiratória pode ser removida, tem a capacidade de troca de gases e uma autonomia de 6 horas.

Pra finalizar, os fechados…

é interessante lembrar de alguns, tais como,

O Eletrolung que na década de 60, tornou-se o primeiro rebreather fechado controlado eletronicamente, a ser vendido comercialmente.

Ele era o predecessor do CCR 1000 e permitia 6 horas de fundo. Muitos problemas fizeram com que ele fosse retirado do mercado.

Do GaltCo AB-4 Rebreather Osmótico, que, com certeza, é uma unidade experimental que retira o oxigênio da água durante o mergulho, através de um aerogel osmótico, que se torna saturado após 90 minutos , tendo que ficar os mesmos 90 minutos em superfície. Apenas uma idéia ou realidade ?

A profundidade máxima é de 40 metros e o peso de 4 Kgs.

O SS-1000, que foi projetado para mergulhos a 307 metros, por 5 horas e fabricado pela Sub Marine Systems em 1968. Tratava-se de um rebreather que separava os gases criogenicamente, ou seja, separação por baixas temperaturas.

Os gases exalados pelo mergulhador, digamos o CO2/O2/He, ao entrarem em contato com o cilindro cheio de nitrogênio líquido (LN2), a uma temperatura de menos 160 graus, congelavam. O Nitrogênio tornava-se ¨neve¨ a uma temperatura de menos 43.3 graus e o oxigênio tornava-se líquido a uma temperatura de menos 147.7 graus, seguindo este, para um compartimento, a fim de ser reutilizado, e assim por diante.

A projeto também ficou na experiência, mas houve testes práticos que mostraram a sua viabilidade.

Rebreather Semi-Fechado

Os rebreathers semi-fechados, fazem parte dos rebreathers de gás misto, isto é, incorporam outras mesclas, que não o oxigênio puro.

Existem vários tipos de semi-fechados, mas podemos nos fixar em duas categorias principais, que seriam os semi-fechados de adição ativa e os de adição passiva.

Sem dúvida alguma, o de adição ativa é o sistema mais comum, sendo similar em desenho, aos rebreathers de oxigênio de adição ativa, onde o gás é injetado no ¨Loop¨ respiratório, a um fluxo constante, ou melhor dizendo: independentemente da profundidade, um número constante de moléculas é injetado em certo período de tempo. O fluxo, neste sistema, deve ser ajustado de acordo com a fração de oxigênio na mescla.

A vantagem deste tipo de rebreather, em comparação ao de oxigênio, é que permite que o mergulhador desça a profundidades maiores, sem maiores riscos de uma toxidade pelo oxigênio. Já a sua desvantagem é que a parte da mescla que não é oxigênio (normalmente N2 ou He, ou ambos) é adicionada ao mesmo fluxo constante. Como o mergulhador não consome o outro gás (N2 , He), este começa a se expandir no “Loop” respiratório, tendo que ser ventilado, periodicamente, para fora do ¨Loop¨.

Outro problema com a adição ativa, deve-se a concentração de oxigênio no ¨Loop¨ respiratório, que é variável, podendo causar uma hipóxia (falta de oxigênio).

Uma alternativa para um semi-fechado é a utilização da adição passiva. Esta, tenta ajustar o fornecimento de gás no “Loop” respiratório, o mais próximo possível do consumo metabólico do mergulhador. A maioria dos rebreathers de adição passiva, injetam o gás no “Loop” respiratório a um fluxo determinado pelo volume respiratório por minuto (VRM) do mergulhador. Em outras palavras: quanto maior o VRM, mais gás é injetado e é claro que menos gás é injetado, durante um menor VRM.

Em qualquer dos dois processos o gás é ventilado para fora do “Loop”, periodicamente, o que diminui a sua eficiência.

Os rebreathers semi-fechados estão sendo popularizados, já fazem parte do mergulho recreativo e dos currículos das principais certificadoras mundiais. Alguns modelos já tem preços acessíveis e nos reportaremos aos mais conhecidos, iniciando pelo:

Fieno

Teve o seu lançamento em fevereiro de 1994, pela empresa japonesa Grand Bleu Inc. (tem como parceiros a Japan Oxygen, Yasuda Marine e a Tokio Nissan), direcionado exclusivamente para o público recreativo.

Há a informação de que cêrca de 3.000 unidades já foram vendidas no Japão e que o mercado americano está no seu alvo, ao abrir ano passado uma subsidiária chamada Grand Bleu International, com a intenção de apenas formar instrutores durante 1997, para em 1998 começar a vender seu rebreather para o público. Até onde este projeto se desenvolveu é difícil saber, já que poucas informações são fornecidas pela empresa.

Sabe-se, porém, que o seu projeto, em 1997, incluía 3 modelos, o Fieno-S, Fieno-L e o Fieno-C (com um cilindro extra de oxigênio puro embaixo da unidade e que serviria para o mergulhador trocar e realizar a descompressão).

O Fieno original tem um peso de 7.5 Kgs., atinge uma profundidade máxima de 30 metros, cilindro de 1.3 litro, bolsa respiratória que deve ser trocada a cada 50 imersões, cartucho depurador deve ser trocado a cada imersão, utiliza apenas uma mescla Nitrox (40 % de O2 e 60 de N2), o fluxo é também único ( 5 L / minuto) e vem com colete equilibrador.

RI 2000

Não está a venda, mas sem dúvida vale o seu registro.

O francês Olivier Isler, além de cientista , é o criador deste semi-fechado, que na realidade são 2 semi-fechados maiores nas costas e 1 semi-fechado menor no peito. O RI 2000 é totalmente redundante , o ajuste na respiração é fixo, em 1/5 ou 1/10, dependendo da profundidade.

O RI 2000 foi muito testado por ele, em profundidades de 120 metros , chegando a 170 metros em um lago e com um projeto de 190 metros em uma cova francesa, como afirma seu amigo Frederic Badier.

O RI 2000 permite a troca dos cilindros de um rebreather para o outro, embaixo d’água, graças a diversos conectores.

SIVA +

O Siva + é um rebreather semi-fechado produzido pela canadense Fullerton Sherwood Engineering Ltd.

Conforme uma informação recente, a Carleton Technologies adquiriu a Fullerton Sherwood do Canadá. A Fullerton Sherwood é a líder em projetos e na produção de rebreathers semi-fechados, no mundo, e opera agora como uma divisão da Carleton Life Support Technologies Ltd. No Canadá, continua a fornecer seus serviços e produtos aos mercados militares e de mergulho comercial.

O Siva + foi especialmente projetado para contra-ataque de minas (MCM), embaixo d’água, e para cobrir operações em águas rasas. É um rebreather semi-fechado de gás misto, para uma profundidade máxima de 95 metros.

O Siva +, pode também ser convertido para sistema fechado em operações, utilizando oxigênio puro.

No modo MCM, ele mistura o oxigênio puro e um diluente, produzindo uma mescla gasosa com uma PpO2 constante.

Não possui nenhuma eletrônica, ocorrendo a mistura dos gases pneumaticamente. A manutenção é realizada pelo mergulhador, standards MCM, ou seja, acústico e não magnético, conexões DIN e Yoke, cartucho depurador com duração de 4 horas, pode ser utilizado com diversas máscaras “full-face”, comprimento de 61 cm, largura de 37 cm e profundidade de 19 cm, peso total carregado é de 31 Kgs., neutro na água, quando metade da bolsa respiratória estiver inflada.

Além do Siva + a Fullerton Sherwood possui outros tipos de rebreathers:

O S-10 de circuito fechado, que trabalha com oxigênio em profundidades de 0 a 8 mam.

O S-24, um rebreather que pode ser fechado ou semi-fechado. A sua profundidade máxima é de 24 metros.

O Siva-55, que é um semi-fechado, atingindo a profundidade máxima de 55 metros, podendo ser usado como sistema fechado, com oxigênio puro à profundidade máxima de 8 metros, em operações especiais.

Halcyon

Este semi-fechado fabricado pela Brownies, a mesma do Third Lung, que é uma bóia com um pequeno compressor funcionando como um narguilé, mostrou que veio para ficar.

Robert Carmichael, dono da Brownies, afirma que já foram vendidas 12 unidades e que outras 100 estão atualmente sendo produzidas.

O Halcyon chegou no ano passado revolucionando, ou seja, não se falava de outra coisa nas “rodas” (chats) de rebreather.

O seu sistema chama-se PVR-BASC, ou melhor explicando, a adição do gás na bolsa respiratória é regulada pelo volume respiratório por minuto (VRM) do mergulhador, permitindo que a fração de oxigênio inspirado esteja sempre paralela com o conteúdo de gás, sem nenhum aparelho eletrônico.

O sensor de oxigênio é o próprio mergulhador e a adição do gás depende da respiração do mergulhador.

No dia 25 de abril de 1997, mergulhadores da WKPP realizaram uma imersão nas covas da Flórida (Wakula Springs), sem precedentes, utilizando os rebreathers Halcyon.

Foram mais de 3.500 metros de penetração, 3.5 horas de tempo de fundo abaixo dos 98 metros, primeira descompressão aos 80 metros, tempo total de descompressão de 11.5 horas. Os mergulhadores líderes tiveram 15 horas de imersão.

Os 3 mergulhadores líderes utilizaram os rebreathers semi-fechados Halcyon e acharam que houve uma economia de 6 a 10 vezes, no volume de gás usado.

O Halcyon permite que o mergulhador conecte diferentes gases, embaixo d’água.

Atlantis I / Dolphin

Com o anúncio da separação entre a alemã Dräger e a Suíça Uwatec, o já tão famoso Atlantis I passou a ser chamado em 1998, Dolphin.

Com a mudança do nome veio também a redução no preço e pequenas modificações na unidade.

O nome Dolphin I, não é recente e é nada mais nada menos que a versão militar do Atlantis I.

A Dräger tem agora a tarefa de realizar a distribuição do Dolphin I, o que antes era feito pela Uwatec. Foram vendidas mais de 2.000 unidades pelo mundo e já há um mercado ativo de unidades usadas.

A Uwatec apesar de ter saído, acaba de lançar alguns produtos direcionados para a linha rebreather, tal como, o computador de pulso Air X – O2 que aumenta o rendimento do Atlantis I e faz com que haja uma melhor eficiência da unidade. Lançou também o OXY-2, que vem a ser um sensor de oxigênio para ser usado em semi-fechados, colocado na traquéia de inspiração.

Fala-se também da vontade da Uwatec em produzir uma unidade sua. Até que ponto é verdade, é difícil dizer.

O Atlantis I / Dolphin tem como características principais:

É um semi-fechado, que utiliza Nitrox como mescla, com injeção constante (adição ativa) e uma válvula de demanda adicional. Foi projetado para o mergulho recreativo e para profundidades que não excedam os 40 metros. Contém duas bolsas respiratórias (inspiração e exalação), cartucho depurador com capacidade de 2.5 Kgs., utiliza cal sodada como absorvente, tem a duração de 2 a 4 horas, trabalha com 4 tipos de mesclas Nitrox (32%, 40%, 50% e 60%) e com 4 injetores respectivos.

Estes injetores são pré-determinados antes da imersão, assim como a mescla Nitrox, e fornecem de 5.7 L/min até 15.5 L/min. de fluxo. O peso pode chegar aos 17 Kgs., possui pesos integrados no colete, cilindro Nitrox de 4 litros e sistema bailout de circuito aberto.

O novo Dolphin vem com um Analisador de Oxigênio acoplado, chamado de Oxygauge e que permite ao mergulhador um completo controle da PpO2 através de display e alarmes sonoros.

Possui todas as vantagens de outros semi-fechados, tais como, a economia do gás, proteção térmica, maior hidratação, mais compacto, silêncio, etc.

Os cursos são realizados por diversas certificadoras, dentre elas podemos citar a SNSI, IANTD,TDI, SUSV, ANDI e pela RAB (Rebreather Advisory Board) que é o setor de treinamento da Dräger.

O uso de rebreathers, sejam eles de oxigênio, semi-fechados ou fechados, requer treinamento, prática e uma conduta adequada.

Venha para o mundo dos Rebreathers. O convite está feito.

Carlos Nelli Borges

Carlos Nelli Borges é Master Scuba Instructor pela PADI, Instrutor de Rebreather pela TDI (E.1211.I) e Instrutor Trainer Rebreather pela RAB (BR-133-02/98), possindo mais de 1.200 mergulhos com rebreathers.

Foi representante da Dräger no Brasil entre 1997 e 2000. Atualmente atua como instrutor na África do Sul.