Visitando The Brothers Island

Um grupo de amigos estava discutindo qual seria o próximo destino de mergulho, e a convite de um amigo egípcio, que conhecemos no Rio de Janeiro, decidimos que iríamos conhecer Sharm El Sheik, o mais conhecido ponto de partida para os mergulhos no Mar Vermelho. Iríamos ficar 14 dias na região e fizemos uma encomenda para ele: Queríamos ficar alguns dias em um Live Aboard.

Qual não foi nossa felicidade ao sermos informados, logo na chegada a Sharm El Sheik, de que nosso Live Aboard estava confirmado, com previsão para ficarmos 4 dias mergulhando nas Ilhas The Brothers, considerado um dos melhores mergulhos do Mundo. Estávamos na melhor época do ano para visitar as ilhas, e as nossas chances de passar este período lá Free-The-Brothers-Islands1eram muio grandes.

As Ilhas The Brothers

El-Akhawein, ou The Brothers como são conhecidas, são duas pequenas ilhas localizadas a 67 quilômetros (36 milhas náuticas) a leste de El Quseir, ao sul da Península do Sinai. Na verdade elas são as pontas de montanhas submersas, que surgem de grandes profundidades.

Por serem as única formações na região, constituem-se em um grande atrativo para peixes pelágicos e de recifes. Aliado a isto, por serem banhadas pela força das correntes típicas de mares abertos, sustentam uma incrível diversidade e densidade de corais. Esse conjunto faz de The Brothers um paraíso para qualquer mergulhador.

Mas nem tudo são flores. Devido a sua localização, isolada no meio do Mar Vermelho, o local é sujeito a todo tipo de adversidade do tempo. Uma vez sob ação de uma tempestade não há local para se abrigar e nem serviços de emergência nas ilhas. Adicionado a estas dificuldades, existem as grandes profundidades e correntes. Por todos esses motivos o mergulho é recomendado apenas para mergulhadores experientes.

A maior das ilhas é conhecida como Big Brother, com um formato retangular, com aproximadamente 400 metros de comprimento, facilmente identificada pela presença do Farol de Pedras Victorian, erguido pelos ingleses em 1880. Nesta ilha ficam dois naufrágios: O Numidia e o Aida II. A aproximadamente um quilômetro de distância, ao Sul, fica Little Brother, inferior apenas no seu tamanho.

Free-The-Brothers-Islands2A viagem

Saindo de Sharm El Sheik, pegamos um Ferry Boat que nos levaria para o outro lado do Mar Vermelho, para a cidade de Hurghada, ponto de partida do nosso Live Aboard.

Ao chegarmos à Marina onde estava o nosso barco tivemos a primeira grata surpresa. Estávamos para sair na embarcação Capt. Moro, que como a maioria nas embarcações na região, são verdadeiros iates, com uma completa estrutura para apoio ao mergulhador incluindo duas unidades compressoras, cilindro de O2 para Nitrox e uma plataforma de dar inveja a qualquer barco que tenha conhecido anteriormente.

Saímos por volta da uma da madrugada, e mal conseguíamos dormir, tal era nossa euforia e expectativa com o dia seguinte. Fomos acordados por volta das 7 da manhã com a forte agitação do mar. Tomamos contato então com o primeiro desafio que a região impõe aqueles que a visitam: a falta de abrigo. A embarcação balançava tanto que mal conseguíamos nos movimentar por ela. A operação para ancorar e amarrar o barco durou quase 2 horas.

Free-The-Brothers-Islands3Os mergulhos

O mergulho nessas ilhas é feito a partir de um inflável, que nos deixa no ponto de início, pois as fortes correntezas impedem que cheguemos ao costão e ao ponto norte das ilhas. A orientação é que desçamos direto aos 15 metros, pois a correnteza e as ondas na superfície eram fortes.

O mergulho é realizado ao longo do paredão, coberto por Corais de todos os tipos e cores. Peixes de todas as cores bailam no ritmo da corrente, presenteando a todos com um belo espetáculo. Os pequenos anthias, com sua cor vermelha saem e voltam aos corais, formando um belo contraste com o azul do mar. O tempo passa rápido e a vontade é sempre de voltar para a água o mais rápido possível, mas sempre preocupados com a segurança, pois qualquer tipo de socorro está a algumas horas de navegação.

O mergulho é realizado dos dois lados da ilha, sempre com correntes fortes e terminando em uma parte mais abrigada. Nesta ilha as Gorgônias (Sea Fans) chegavam a duas vezes o tamanho dos mergulhadores.

Os peixes nos permitiam chegar bem perto, uma vez que não enxergam em nós mergulhadores nenhum tipo de ameaça. Ao final de um dos mergulhos, enquanto cutia a parte mais protegida da ilha e fazia descompressão na faixa dos 5 metros, passei mais de 5 minutos brincando com um Napoleão, que chegou tão próximo que pude tocá-lo.

Em Little Brother, logo ao cair na água, tivemos uma imagem que iria se repetir outras vezes: um tubarão Raposa (Thresher) passou por nós como se não estivéssemos ali. Com a sua nadadeira caudal superior quase do mesmo tamanho do corpo, esse peixe deixou a todos hipnotizados. No mesmo mergulho encontramos ainda um whitetip e um gray reef shark, além é claro de tudo que havíamos visto nos mergulhos anteriores.

À noite, após o jantar, dedicamos a ver as imagens filmadas durante o dia, falar sobre o que cada um havia visto e planejar o dia seguinte, já que o mergulho noturno não é permitido.

Nas nossas explorações nas duas Ilhas que forma The Brothers tivemos a oportunidade de ver e com diferentes seres deste paraíso: Napoleões, Peixes Leão, Borboletas de varias espécies, Pipefishes, Triggerfishes, Garoupas e Badejos, Peixes Picasso, Trombetas, Xaréus, Moréias, Papagaios, Baiacus, Peixes Palhaço, Imperadores, Barracudas, ostras gigantes entre outros.

Além disso, tubarões: Raposa, Gralha Branca e Preta de Recifes, além de Gralha Branca Oceânicos. Alguns mergulhadores no nosso grupo chegaram a ver um tubarão martelo, que passou bem próximo a eles, mas infelizmente perdi este momento.

Free-The-Brothers-Islands4Ao final dessa parte da viagem estávamos todos com o sorriso aberto e certos de termos feito o melhor mergulho de nossas vidas. Um mergulho que agradou ao que gostam de grandes peixes e tubarões, aos que gostam de macro fotografia, aos que gostam de curtir os peixes e principalmente aos gostam de ver o conjunto de tudo isso, convivendo em harmonia.

Não podemos esquecer dos dois naufrágios existentes em Big Brother, o Numidia, mais ao norte e exposto a forte correntes, e o Aida, mais próximo ao centro da ilha e com melhores condições de exploração. Neste último chegamos a mergulhar no seu interior e sobre as estruturas completamente cobertas por corais, dando um toque mágico a este naufrágio.

Neste Live Aboard foram 9 mergulhos fantásticos, que deixaram um gostinho de quero mais e a certeza de que voltaremos em bre   ve.

O nosso quarto dia ficou dedicado então a mergulhos na região de Safagha, onde tivemos a oportunidade de mergulhar em um naufrágio do século VI, onde pudemos avistar as estruturas principais do barco, em madeira, e inúmeras ânforas, de todos os tipos e tamanhos. Mas essa é outra história.

Danilo Trinchão

Administrador de empresas com MBA em Logística, ossui certificação em Dive Master pela PADI. Já participou de diversos campeonatos de fotografia subaquática, tendo mergulhado versos destinos o Brasil no Brasil e no Mundo.