Quando voltamos do mergulho, normalmente lavamos os equipamentos e os deixamos secando para serem guardados posteriormente ou para serem usados no mergulho do dia seguinte, ficando por lá úmidos e expostos ao tempo para que sequem naturalmente.
Justamente por estarem úmidos, equipamentos como roupa de mergulho, luvas, botas, power do colete e segundo estágio do regulador, se tornam o ambiente ideal para alguns tipos de animais, e por causa disso, eles podem atrair um deles para o interior e todo cuidado é pouco.
Animais peçonhentos como aranhas e escorpiões, por exemplo, gostam de ambientes úmidos e protegidos, e os equipamentos acima podem facilmente atraí-los.
Alguns anos atrás um mergulhador que se encontrava no Mar Vermelho, ia colocar seu regulador na sua boca para um teste de passagem de gás e sem purgá-lo, e para sua surpresa, repentinamente saiu um besouro pelo bocal. Por sorte, ele não teve contato físico com o inseto.
Lembro de um amigo meu que estava no Mato Grosso, e quando estava se preparando para realizar o segundo mergulho, balançou seu par de luvas, quando repentinamente uma pequena e perigosa aranha saiu do interior da luva, sendo arremessada em direção ao chão.
Recentemente ao deixar meus equipamentos secando em uma varanda de uma casa de praia, percebi que algumas formigas entraram na bota de mergulho, e pelo tamanho do ferrão, certamente teria um incidente doloroso caso vestisse as botas sem saber que havia formigas por lá.

Portanto, sempre que deixar seu material exposto, tenha a certeza de que seu material de mergulho está livre de animais e insetos, evitando assim, o cancelamento do mergulho, e pior, uma possível picada ou mordida inesperada.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



