Padronização de Equipamentos

Na maioria das vezes, os mergulhadores não realizam uma checagem prévia da configuração de equipamentos utilizada pelo seu dupla.

Talvez, pelo fato de não ser um ponto mencionado durante os cursos de mergulho recreacionais, este cuidado poderá ajudá-lo em situações emergenciais.

 

Alguns casos

Certa vez, um mergulhador resolveu se aventurar na pedreira de Salto de Pirapora, no Estado de São Paulo, e logo no início do mergulho, este começou a descer muito rapidamente e de forma descontrolada, devido a falta de habilidade e controle de sua flutuabilidade.

Ao ser auxiliado pelo dupla, este por sua vez, acabou tendo dificuldades em prestar a ajuda necessária, pois o conjunto de inflagem do BC possuía um desenho diferente dos modelos normalmente encontrados no mercado, e até compreender qual dos botões era o automático e a sua real localização, acabou lavando alguns segundos.

E acreditem, com toda essa confusão, os dois foram parar aos 40 metros de profundidade em questão de segundos !

Irresponsabilidade, com certeza, pois o despreparo e a falta de atenção foram grandes, mas de fato, um dos motivos que contribuíram na piora da situação, foi sem dúvida foi a falta de padronização dos equipamentos utilizados e falta de atenção quanto ao equipamento utilizado por ambos.

Outro caso recente, foi o que ocorreu com um mergulhador técnico durante uma longa parada descompressiva, nos Estados Unidos.

O mergulhador estava com duas stages. No momento em que ele abrira a válvula da segunda stage e continuar a descompressão, um grande vazamento ocorreu no primeiro estágio.

O que fazer em uma situação dessas ?

Não havendo um dupla, a grande maioria pensaria em retirar o regulador da outra stage e colocar na stage com problemas, correto ???

Porém, uma é  DIN e a outra Yoke… com isso, não há a menor possibilidade de solucionar o problema em questão, tendo em vista que a primeira stage com EAN 50 era uma S40 e já não havia gás suficiente para a finalização da deco.

Resultado: O mergulhador retornou à embarcação após uma descompressão à AR no final.

E antes que você critique, o mergulho foi realizado nos Estados Unidos, e não é incomum a realização de mergulhos solos por lá. Além disso, todo mergulhador técnico deve ter em mente que ele deve ser autosuficiente, e tentar não depender 100% de um dupla, pois existem raras situações em que não poderemos contar com ele.

Não quero dizer aqui que todos os mergulhadores devem ter seus equipamentos iguais, mas que se tente chegar à uma padronização.

Antes de cair na água, veja o equipamento de seu dupla para saber o que ele está utilizando, e ter a certeza de que está tudo ok. Isto contribuirá na solução de um eventual problema embaixo d´água.

No caso dos “tec divers”, a padronização é  desejável em 100% dos casos.

Devemos lembrar que nenhuma configuração é a ideal para todos, e sempre haverá opiniões diferentes, e uma configuração ideal para um, necessariamente não será a desejável para o outro mergulhador, mas evite sair do padrão.

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

Publicidade

Veja também:

5 erros cometidos por mergulhadores que podem acarretar em acidentes

Alguns aspectos básicos podem colocar o mergulhador em situações de risco desnecessariamente. Saiba mais e evite alguns riscos no mergulho.

Avaliação de risco pré-mergulho

Uma boa operação de mergulho, é a saída planejada contra possíveis problemas com os mergulhadores. Veja alguns aspetos.

Check-list do Mergulhador

Antes de sair para mergulhar devemos realizar sempre um check list para evitar o esquecimento de equipamentos.

Padronização de Cores para Deco Markers: Uma tendência mundial

Já adotado por muitos mergulhadores recreacionais, uma nova regra surgiu quanto ao uso dele. Saiba mais...
Saiba quando publicamos

Compartilhe

Publicidade