Sabemos que no Brasil há inúmeros naufrágios em toda a costa que ainda não foram descobertos, e o Estado do Rio de Janeiro possui diversos registros deles, envolvendo as áreas norte, central e sul.
Uma das áreas mais conhecidas pelos mergulhadores é a Baía da Ilha Grande, em Angra dos Reis, possuindo grande histórico de afundamentos, mas com poucas embarcações encontradas por lá.
No passado, havia um grupo de mergulhadores que chegaram a realizar uma intensa pesquisa pela região em busca não só da localização desses naufrágios, como toda a história relacionada. Na época esse grupo era liderado pelo pesquisador Eduardo Galindo.
Alguns dos naufrágios pesquisados pelo grupo
Navio dos Telhas
O naufrágio está localizado em Araçatiba, próximo da Ilha Grande, aos 25m de profundidade.
Ele é conhecido por este nome em razão da grande quantidade de porcelanas encontradas em seu entorno, levando à crer, que se tratava de um transporte desse tipo de mercadoria. O mergulho no local só é permitido com autorização especial da Marinha do Brasil.
Alguns amigos chegam a comentar que quando alguma embarcação para nas proximidades, os moradores na Ilha Grande acabam alertando as autoridades, que e rapidamente realizam uma visita até o local com a finalidade de coibir qualquer prática ilegal quanto a remoção dos artefatos do naufrágio.
Balsa da Ponte Leme
Uma balsa naufragou no ano de 1976 durante a construção do terminal Almirante Maximiniano Fonseca, mais conhecido com o TEBIG. Por ser uma área restrita devido ao trânsito de navios, o mergulho no local só pode ser realizado com autorização especial do terminal.
Não identificado
Existem algumas partes de uma antiga embarcação entre a ponta Itassusê e a Ponta da Andorinha, na Ilha Grande. A embarcação possui alguns compartimentos em aço e madeira, dando o indicativo de uma embarcação utilizada na pesca de baleias.
Vapor da Marambaia
Localizado na Praia da Pescaria Velha, entre a Ponta do Furado e a Ponta do Zumbi, a embarcação encontra-se aos 2m de profundidade.
De acordo com os moradores locais, a história desse naufrágio passou por gerações entre os pescadores da Praia da Pescaria Velha. A embarcação teria encalhado e toda a tripulação salva. Partes do motor estão expostas e há indícios de que possa ser o vapor Trovador, naufragado em 24 de fevereiro de 1869.
Enseada de Palmas – Ilha Grande
Partes de dois naufrágios foram removidos na Enseadas das Palmas, na Ilha Grade.
Não identificado
Peças, estruturas e uma âncora foram encontradas nas vizinhanças da Baía das Estrelas, na Ilha Grande.

Naufrágios não localizados
Galeão português do ano de 1558
Um navio português aportou no ano de 1558 na Baía da Ribeira para capturar alguns índios que estariam pescando no local. Após o confronto, por alguma razão a embarcação teria pego fogo e afundou.
Embarcação holandesa Dom Carlos – 1725
Em 1986 um caçador submarino encontrou uma placa em bronze com o nome “Dom Carlos”, mas por algum motivo, ele não quis revelar a área onde encontrou a placa. Registro informam que em 1725 uma embarcação com este nome aportou na Ilha Grande.
Navios Negreiros – 1825 – Registros indicam o afundamento de dois navios negreiros no Saco de Dois Rios, na Ilha Grande.
Escuna de Guerra – 1838 – Há registros do afundamento de uma escuna de guerra naufragada em 2 de maio de 1838 no Costão de Santa Cruz.
Escuna Manoel Maria – Uma escuna brasileira teria naufragado 18′ sudoeste da Ilha Grande no dia 27/07/1889.
Drina – Embarcação naufragada pelo mau tempo.
Monte Alegre – Uma embarcação brasileira do tipo Patacho, naufragou em localização desconhecida.
Santos – Um rebocador brasileiro naufragou nas proximidades da Ilha Grande.
British Corvette – Naufragou nas proximidades entre o Saco de Dois Rios e a Ilha de Jorge Grego.
Avião – Há indícios de um naufrágio de uma aeronave em um área da Ilha Grande.
Não identificado – Naufragou na Baía da Ribeira e os registros indicam ser um navio negreiro.
Não identificado – Um pescador relatou ter encontrado indícios de um naufrágio na frente da Ponta dos Eixos, na Baía da Ribeira.
Não identificado – Registros informam um naufrágio na Praia Maciel.
Não identificado – Há o relato de um naufrágio ao leste do porto de Angra dos Reis. Algumas peças, moedas e madeiras foram coletadas durante a dragagem do porto.
Não identificado – Eventualmente surgem pedaços de porcelanas entre as praias de Tanguá e Brava, na Baía da Ribeira, sugestionando a presença de algum naufrágio antigo na área.
Não identificado – Pescadores afirmam ter encontrado um naufrágio virado de cabeça para baixo a 1h de navegação ao sul da Ponta dos Meros, podendo ser o naufrágio Japurá.
Não identificado – No lado oeste da Ilha Grande, entre a Ponta da Cajaíba e a Deserta, pescadores encontraram peças de porcelana, indicando a presença de algum naufrágio na localidade.
Não identificado – Duas moedas em prata com a inscrição “Instambul 1769, referente ao Sultão Ahemed III” e uma outra em cobre, foram encontradas nas águas da Baía da Ribeira. Essas moedas seriam do período do sultão turco Mahmud I, havendo a possibilidade de algum naufrágio na localidade.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



