Depois que montamos os equipamentos, é comum solicitar os lastros ao operador de mergulho, e normalmente ele surge com a pergunta:
Quantos quilos você precisa ?
A quantidade sempre irá variar de mergulhador pra mergulhador, além da roupa, se a água é doce ou salgada e outros aspectos, mas normalmente falamos a quantidade na medida de peso em quilos, acreditando que as peras de lastros possuem 1, 2 ou 3 quilos, conforme o formato, o que é um engano.
Digo isso porque se formos medir as atuais pedras de lastro, vamos perceber que elas não possuem o peso imaginado. As pedras mais encontradas nas embarcações de mergulho no Brasil são as de 2 quilos, que na verdade, possuem em média 1.6kg cada.
Sabe-se que no passado, realmente as pedras de lastro possuíam as medidas em quilos reais e ninguém sabe ao certo quando isso deixou de ser um padrão.
Se levarmos em consideração que a forma para produção de pedras de lastro fosse medida em libras, daria aproximadamente 3.5 libras, o que difere dos formatos comercializados no exterior, onde normalmente são encontradas nas medidas em numerais inteiros, como 1-2-3-4-5-6 libras.
Algumas pessoas citam o alto custo do chumbo no mercado internacional de metais como fator preponderante para a diminuição da quantidade de chumbo aplicada na unidade de lastro, o que é mais plausível.
Segundo um fabricante e distribuidor de equipamentos de mergulho, um outro aspecto seria o motivo para algumas unidades das pedras de chumbo possuírem uma pesagem inferior… a medida KPT. Algumas formas para as pedras de lastro de chumbo utilizam a medida KPT.
Confesso que nunca tinha ouvido falar sobre isso e também, não encontrei nada na web sobre a tal medida, mas haveria uma tabela com algumas medidas específicas, onde o que seriam os 2 KPT, seriam na realidade 1.6 em quilogramas, daí a confusão no mercado.
O fato é, que ao adquirir um lastro, devemos levar em consideração a quantidade de pedras e a pesagem final, sem associar tamanho da pedra em si, com o peso final do produto.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



