Qual a importância dos novos naufrágios para o turismo de mergulho em Salvador ?
Com o afundamento assistido de embarcações, estamos fomentando o turismo subaquático na Baía de Todos-os-Santos. Há um público de mergulhadores no mundo todo ávido por novos pontos de mergulho para conhecer e explorar, um público normalmente de alto poder aquisitivo.
Em geral, estas pessoas ficam mais dias na cidade que o de costume, hospedando-se em hotéis, frequentando bares e restaurantes, fazendo compras, visitando pontos turísticos e gerando assim emprego e renda.
Foi um projeto difícil de ser idealizado ?
Para realizar o afundamento do ferry-boat Agenor Gordilho, junto com o rebocador Vega, uma série de procedimentos teve de ser cumprida. Estudos prévios de localização e de impactos ambientais foram realizados.
Óleos e combustíveis da embarcação foram removidos para atender às especificações ambientais, assim como peças que oferecessem riscos aos mergulhadores. Além da Marinha, as secretarias estaduais do Meio Ambiente (Inema), Infraestrutura (Agerba) e Administração (Patrimônio) contribuíram para que a Secretaria de Turismo do Estado (Setur) pudesse oferecer este novo atrativo na Baía de Todos-os-Santos.
Como foi a repercussão após os afundamentos ?
Excelente, o afundamento do ferry e do rebocador obteve ampla cobertura da mídia, tanto local como nacional, sendo divulgado nos mais importantes veículos e noticiários do Brasil, e conseguiu, assim, chamar a atenção para este novo ponto de turismo subaquático que passamos a oferecer na Baía de Todos-os-Santos.
É importante destacar que este projeto se desenvolve em paralelo às obras do Prodetur Bahia, promovidas pelo Governo do Estado para dotar a Baía de Todos-os-Santos de infraestrutura náutica a partir de 13 intervenções, que incluem a construção e requalificação de marinas, atracadouros e terminais náuticos e até um museu, o Wanderley Pinho, em Caboto (Candeias), sendo esta a intervenção de cunho cultural do programa.
Como exemplo da cidade de Recife-PE, deve ocorrer novos afundamentos no Estado da Bahia ?
Sim, este é um projeto que tem continuidade, novas embarcações estão sendo estudadas para que possamos realizar, no devido tempo, outros afundamentos.
Quantas embarcações estão no alvo da SETUR para se tornarem recifes artificiais ?
Há já duas outras embarcações em vista, inclusive outro ferry-boat, para a realização de novos afundamentos assistidos, com o propósito de oferecer novos pontos de mergulho para o desenvolvimento do turismo subaquático na Baía de Todos-os-Santos.
O senhor acredita que outros Estados devem seguir essa tendência ?
O afundamento assistido de embarcações para propósitos turísticos é uma tendência no mundo inteiro, que já vem sendo colocada em prática há tempos em países como Estados Unidos, por exemplo. É natural que o modelo seja adotado cada vez mais no futuro e nos mais diversos lugares.
A Baía de Todos-os-Santos, em especial, é ideal para esta prática, pois trata-se da maior baía do Brasil e a segunda maior do mundo. Em seus 1.223 quilômetros quadrados de extensão há cerca de 20 pontos de naufrágio que abrigam verdadeiros tesouros arqueológicos, como o navio Galeão Sacramento, que naufragou em 1668, e os vapores Germania e Bretagne.
Qual foi o ponto mais gratificante desse projeto ?
A operação realizada no dia 21 de novembro de 2020 nas imediações do Yacht Clube da Bahia foi um grande marco, pois pela primeira vez no Brasil um ferry-boat, principalmente da magnitude do Agenor Gordilho, foi afundado de forma assistida para propósitos turísticos, com intensa divulgação em todo o país.
A operação toda aconteceu dentro dos conformes e foi um grande sucesso
Possui algum conteúdo relacionado ao mergulho e acha que pode ser interessante dividir com outros mergulhadores ?
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