Apesar de ser proibido o uso maconha no Brasil e em muitos países, sabemos que muitas pessoas fazem uso da erva, e obviamente, alguns mergulhadores estão nesse grupo.
Quanto mais maconha é utilizada, mais curtos são os seus efeitos. A tolerância aos efeitos psicoativos se desenvolve com o uso continuado e cria-se uma dependência psicológica e física leve, gradualmente com o uso regular.
No caso do mergulho, o efeito do canabinóide pode ser potencializar os efeitos da narcose por nitrogênio.
A retenção de monóxido de carbono leva a altas pressões parciais de CO em profundidade, reduzindo severamente a oxigenação dos glóbulos vermelhos, tendendo à hipóxia na ascensão.
Riscos
- Os sintomas de abstinência incluem: Inquietação, insônia, náuseas, irritabilidade, perda de apetite, sudorese.
- O risco de reações adversas é maior para pessoas que tiveram esquizofrenia ou outro transtorno psicótico, depressão, distimia e transtorno bipolar (maníaco-depressão).
- O teor de alcatrão da maconha é significativamente maior do que o dos cigarros, havendo mais substâncias cancerígenas.
- Há grandes riscos para o mergulhador que podem levá-lo ao quase afogamento ou embolia arterial por gás. Os efeitos potencialmente prejudiciais aos mergulhadores podem incluir:
- Acidente e morte causadospor distorções na percepção do tempo, imagem corporal e distância;
- Comprometimento da memória recente, confusão, diminuição da concentração;
- Diminuição da força e equilíbrio muscular;
- Diminuição do fluxo sanguíneo no cérebro;
- Capacidade prejudicada na realização de tarefas motoras mais complexas;
- Memória insuficiente;
- Síndrome amotivacional;
- Depressão, especialmente em novos usuários;
- 50% dos usuários terão uma “viagem ruim”. Reação de pânico severa com medo de morrer ou perder a cabeça;
- Frequência cardíaca rápida e menor tolerância ao exercício;
- Boca e garganta secas.
Doses altas podem causar: Alucinações, despersonalização, paranoia, agitação e pânico extremo.
O uso crônico pode causar: Bronquite, sinusite, faringite, tosse crônica, enfisema, câncer de pulmão. Vesículas pulmonares (com barotrauma).
Nos mergulhadores
- Barotrauma pulmonar e lesão por superexpansão, embolia gasosa arterial.
- Mau funcionamento do sistema imunológico;
- Infecções marinhas graves.
- Falta de motivação e funcionamento mental deprimido.
- Erros de omissão
Não estou aqui pra dizer que uma pessoa deve ou não usar esse tipo de droga, recriminar ou qualquer aspecto do tipo, mas é importante saber que a utilização da maconha traz inúmeros problemas que já estamos cansados de ouvir.
Além disso, o uso dela aumenta exponencialmente as chances de um incidente grave ocorrer quando relacionamos o uso dessa droga com o mergulho.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



