Talvez os cilindros de composite sejam o futuro dos cilindros de mergulho, como comentei em outro artigo aqui no Brasil Mergulho.
Normalmente os cilindros de composite são fabricados utilizando dois componentes, sendo a principal vantagem, a capacidade de armazenamento de ar comprimido.
Recentemente tomei conhecimento através do Miguel Lopes, da Aqualung, sobre um cilindro de composite da Luxfer à venda no mercado. O modelo em si, permite o armazenamento de até 106 pés cúbicos, ou aproximadamente 4.350 PSI.
São 30% mais que um tradicional cilindro S80 encontrado nas operações de mergulho.
Outro diferencial é seu peso, pois gira em torno dos 15Kg vazio, sendo 1Kg mais pesado apenas que o S80. Na água, o cilindro de composite fica negativo 2.2Kg quando está cheio, e positivo 1.40Kg quando vazio.
Manutenção
Por se tratar de um cilindro especial, ele requer um teste hidrostático a cada três anos e, não deve ser usado após 15 anos de fabricação.
Ele não permite o uso de misturas enriquecidas com oxigênio. O cilindro é fabricado especificamente para o uso com ar comprimido e deve utilizar uma válvula do padrão DIN fabricada para suportar essa pressão mais elevada, e o mergulhador deve verificar junto ao fabricante do regulador, se o mesmo é compatível com a pressão de trabalho deste cilindro.
Conclusões
É sabido que os cilindros de mergulho ainda são literalmente um “peso” para o mergulhador, pois são volumosos e pesados, sem contar com a necessidade recarregá-los e da necessidade da manutenção e testes hidrostáticos, mas enquanto os rebreathers não alcançam um patamar de segurança que possa atingir um público recreativo dominante, os cilindros de mergulho continuarão dominando o mercado mundial.
O cilindro de composite pode ser considerado uma boa alterativa para quem pretende ficar mais tempo embaixo d’água e tenha interesse em realizar mergulhos mais longos, mas a questão é o custo elevado, pois um cilindro desses chega a custar US$ 500 nos Estados Unidos, sendo mais que o dobro de um cilindro convencional S80 por lá.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



