Segurança: Alguns cuidados com a bagagem de mergulho

Não, não sou neurado, mas como todo bom carioca, tento estar “antenado” ao que acontece por aí e ser precavido de alguma forma, afinal de contas, passar por qualquer tipo de furto e roubo, é extremamente desagradável, ainda mais quando o assunto envolve equipamentos de mergulho.

Recentemente soube de um roubo de veículo onde estavam dois instrutores de mergulho, que ao pararem em um sinal de trânsito no Rio de Janeiro, acabaram sendo roubados. Um prejuízo enorme em equipamentos de mergulho, sem contar com o susto e a perda do veículo.

Outro conhecido meu comentou que numa ocasião, em uma parada de veículos na estrada, acabou passando por um furto. Ao retornar para seu veículo após o almoço, notou que o porta-malas estava aberto, e quando foi ver, notou que sua bagagem fora furtada com os equipamentos de mergulho.

O furto ou roubo de um veículo, já é um problema, mas não tão grave quanto falamos em equipamentos de mergulho, pois normalmente os veículos tem seguro, e os equipamentos de mergulho, não.

Além disso, não encontramos muitos equipamentos no Brasil, sendo um transtorno a mais.

Principalmente o quando o assunto é Brasil, infelizmente ouvimos relatos de mergulhadores passando por algum tipo de aperto como esses. Eu mesmo já presenciei uma tentativa de assalto durante uma viagem noturna na estrada de São Paulo para Belo Horizonte, mas como o grupo era grande e se comunicava através de rádios, e isso contribuiu para fazer com que os assaltantes desistissem ao perceberem que éramos muitos.

Talvez seja um exagero meu, mas diante desses problemas, nas longas viagens utilizando veículos, passei a utilizar uma corrente com cadeado com intuito de prender minhas malas Pelican no porta-malas.

Obviamente, que isso não significa muita coisa, pois a bandidagem sabe abrir cadeados com certa facilidade, e todos sabem disso, mas levando em consideração que eles acabam não tendo muito tempo para praticar o furto, um cadeado segurando a bagagem acaba criando uma dificuldade para eles e tornando o furto mais demorado, e eles não querem perder tempo.

Se uma bagagem dá trabalho, na maioria das vezes o bandido parte para outra, e a intenção é criar exatamente essa dificuldade. Isso também vale para hotéis e pousadas.

Aliás, lembro bem de um amigo mergulhador fotógrafo bem conhecido pelo mercado, que anos atrás teve vários equipamentos furtados em uma pousada. Levaram os equipamentos e ninguém viu !

Então, carregando minhas malas “Pelicans” de um lado pro outro, decidi usar uma corrente com cadeado. As malas Pelican por si só já permitem o uso de cadeado, mas adicionei a corrente para que ficassem interligadas, criando mais dificuldades.

Com esse pensamento em pente, numa ocasião usei minha câmera tomada pra fazer um teste, e não é que flagrei duas vezes uma pessoa tentando abrir as caixas com “certa” curiosidade ?

Felizmente não passou disso, mas de certa forma, o fato demonstra que nossa bagagem com os equipamentos de mergulho chamam a atenção, o que não é bom pra ninguém.

Depois dos relatos que andei ouvindo e pelos flagrantes de gente mexendo nas minhas coisas nos hotéis, prefiro tentar ser um pouco mais “precavido e talvez, meio neurótico”, a deixar tudo aberto e amostra.

Meu conselho… jamais deixe seus equipamentos no interior do carro e de forma que fiquem visíveis para o lado de fora.

Entrando em alguma parada na estrada, deixe o veículo no estacionamento de forma que você consiga monitorá-lo de longe. Segundo um amigo da Polícia Rodoviária Federal, o número de furtos de objetos em veículos estacionados nas paradas das estradas anda subindo a cada ano, então, é melhor não dar bobeira e acabar tendo um grande prejuízo de forma tão simples.

Quanto mais dificuldade criarmos contra esses meliantes, melhor pra nós. Até um mero cabinho nas malas, já ajuda.

Se já me furtaram uma spool durante uma operação de mergulho, imagine uma mala dando bobeira no interior do carro ou em um quarto de hotel ?

Dificultar será sempre válido !

 

Pontos de Parada – Chamariz para furtos – Foto: Clécio Mayrink

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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