Mergulho no Naufrágio Agenor Gordilho

O ferry Agenor Gordilho foi afundado no ano passado, mais precisamente no dia 21 de novembro de 2020, após um longo processo de logística até a obtenção da autorização para a realização dos procedimentos para afundar a embarcação, para que se tornasse um naufrágio artificial.

Logo após o afundamento, fui convidado pela operadora Shark Dive, de Salvador-BA, para conhecer o novo naufrágio em águas baianas. Aliás a equipe da Shark Dive foi um dos responsáveis pelo projeto de afundamento do Agenor Gordilho e do rebocador offshore Vega.

O “Agenor” é um ferry boat com 71m de comprimento e no passado, era utilizado na travessia entre Salvador e a Ilha de Itaparica, atuando 45 anos neste percurso.

 

Visitando o naufrágio

Após uma alteração na data de ida para Salvador em razão da pandemia, finalmente consegui reagendar a viagem para o mês de outubro.

Saindo de São Paulo, chega-se ao destino em apenas 2:30h de avião, permitindo qualquer mergulhador ir conhecer o naufrágio em uma rápida visita em um final de semana.

A operadora Shark Dive está localizada na Marina Porto Salvador, bem ao lado do Terminal Turístico de Salvador, onde as barcas que partem para Itaparica e Morro de São Paulo saem todos os dias levando centenas de turistas.

A embarcação da operadora fica atracada bem no início da marina, possui amplo espaço para acomodar com tranquilidade os mergulhadores e todos os equipamentos, permitindo o transporte de até 20 mergulhadores e 4 membros do staff, com um amplo banheiro e lanche.

 

Navegação rápida e sem passar mal

Uma das vantagens de mergulhar em Salvador, é a facilidade e agilidade em alcançar os principais pontos de mergulho, pois as distâncias são curtas e com navegação tranquila.

Se você costuma passar mal durante a navegação até o ponto de mergulho, muito provavelmente você não terá esse tipo de problema por lá.

No caso do naufrágio Agenor Gordilho, chegamos ao local em menos de 20 minutos, em meio à navegação super tranquila, e admirando a bela paisagem do litoral da capital baiana.

É importante lembrar, que os mergulhos por lá são agendados de acordo com a tábua de marés, em razão do grande volume d’água que entra e sai da Baía de Todos os Santos, fazendo com que as operações tenham horários bem variados. Num belo dia você pode sair pra mergulhar às 8h da manhã, e em outros, acabar saindo às 11, 14 ou 6h da manhã.

Você deve entrar em contato com a operadora pra saber o horário de saída para cada dia de mergulho, por causa dessa variações dos horários. As operações duram em média 4 horas no total, então, você pode sair pra mergulhar e passar o resto dia praia com a família.

 

Foto: Clécio Mayrink

 

O mergulho

Tão logo chegamos ao local, o mestre “Waltinho” mostrou o Agenor na sonda do barco e alguns minutos depois, já estávamos acima dele com um dos membros realizando o fundeio.

Iniciamos o mergulho descendo pelo cabo até o naufrágio, alcançando a parte mais alta da embarcação logo depois. Como pegamos uma semana bem chuvosa em Salvador, infelizmente não tive a sorte de encontrar uma visibilidade das melhores, e nesse em mergulho em questão, tínhamos algo em torno dos 10m.

O Bruno Menezes, instrutor e um dos proprietários da operadora, nos guiou pelo naufrágio, apresentando as áreas mais interessantes.

É impressionante como em menos de um ano, a quantidade de vida marinha já tomando a embarcação. A variedade é grande, além de muitos cardumes já residindo no local, tornando o naufrágio um imenso habitat marinho.

Devido as grandes dimensões, o naufrágio permite muitas penetrações, criando grande curiosidade entre os mergulhadores conforme vão nadando. Diria até, que para conhecer razoavelmente bem o naufrágio seria preciso mergulhar pelo menos umas quatro vezes por lá, pois ele é grande.

O uso de lanterna é essencial para conseguir visualizar as maiores áreas e ambientes mais restritos da grande embarcação, que se encontra de pé e em posição de navegação.

O uso de Nitrox também é um fator que deve ser considerado, aumentando não só o limite não descompressivo, como tornando o mergulho mais seguro. Na ocasião utilizamos um EAN 32.

Com um bom tempo de fundo e uma boa navegação ao redor do Agenor e a passagem por algumas dependências, retornamos para o cabo e iniciamos a subida para nosso barco, realizando uma breve parada de segurança com o ritmo baiano, ou seja, tudo muito tranquilo, e com aquele gostinho de “quero mais”, porque o naufrágio é belo e grande.

 

Foto: Clécio Mayrink

 

Como visitá-lo

Além da atuação em todo o processo de afundamento do ferry Agenor Gordilho, a Shark Dive realiza operações frequentes neste naufrágio, no rebocador Vega, além de muito outros por lá.

A embarcação que eles operam é excelente, conta com equipe muito profissional, fazendo nos sentir em casa. Além disso, a operadora possui toda estrutura para recarga, mistura Nitrox, aluguel de equipamentos, cursos e turismo.

O site deles é www.sharkdive.com.br

Nossos agradecimentos ao Igor Carneiro, Bruno Menezes, Waltinho e Doroth, por todo atendimento prestado a nossa equipe.

 

Galeria de Imagens

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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