A velocidade do obturador interfere na quantidade de luz captada pelo sensor da câmera fotográfica.
Se você configurar a câmera para fotografar em 30, ou tecnicamente falando, 1/30, isso significa que a velocidade do obturador será aberta por “um trigésimo” de segundo. Aumentando a velocidade dele, por exemplo, para 1/60, a entrada de luz na câmera diminuirá em um ponto.
As seguintes velocidades do obturador têm uma diferença de um ponto: 1/15, 1/30, 1/60, 1/125, 1/250, 1/500, 1/1000, 1/2000.
- Quanto mais lenta a velocidade do obturador, mais luz ambiente entrará para o sensor da câmera;
- A alteração de velocidade do obturador é usada para congelar ou desfocar o movimento de algum ser marinho que apareça na imagem e, também, para reduzir a trepidação da câmera.
- É importante lembrar que a velocidade não pode ser mais rápida que a velocidade de sincronização de um flash externo;
- Quanto mais rápida a velocidade do obturador, menos luz vai entrar, e usar velocidades rápidas se torna mais difícil em situações com pouca luz, principalmente sem flash externo;
- A área fotografada e iluminada pela luz ambiente, será mais nítida com velocidades de mais rápidas do obturador, mas até certo ponto.
Compreendendo a velocidade do obturador
Velocidades altas são usadas para congelar o movimento.
A velocidade de 1/125 é a velocidade mínima normalmente necessária para congelar os movimentos em geral.
Golfinhos ou leões marinhos em movimento podem precisar de uma velocidade 1/200 ou mais rápido, para obter uma foto nítida. Outro aspecto, é que velocidades rápidas também ajudam a capturar os raios solares.
Se você configurar sua câmera com uma velocidade média do obturador, por exemplo, 1/30 a 1/100, objetos em movimento podem ou não, ficarem nítidos no resultado final da imagem. Normalmente abaixo de 1/60, as chances de obter uma imagem desfocada são grandes.

Foto em grande angular
Ao fotografar usando lente grande angular com flash, um objeto próximo será iluminado pelo flash, enquanto um recife, mergulhador, a bola de sol, peixe ou silhueta, acabam fazendo parte da composição de fundo ficando mais escuros.
O ajuste da velocidade do obturador afetará a exposição do fundo, e estando muito rápida, o fundo vai aparecer bem mais escuro.
O que a velocidade do obturador não faz ?
Alterar a velocidade do obturador pode afetar a fotografia em macro, e isso pode ocorrer quando a luz ambiente estiver forte e a abertura for baixa o suficiente para causar o problema.
Por exemplo, em águas escuras e fotografando em F16, ISO 100, você não está recebendo nenhuma luz ambiente na foto, seja em 1/250 ou 1/30 de segundo. Mas se estiver fotografando macro com luz estroboscópica em F5.6, ISO 200, 1/100 em água clara e próximo da superfície, você estará recebendo muita luz ambiente.
Nesse caso, quanto menos luz ambiente você deixar entrar (usando uma velocidade de obturador mais rápida), melhores serão as cores na imagem e nitidez.
O uso de uma velocidade lenta do obturador também pode ser usado para obter um fundo azul.
Flash – Velocidade de sincronização
Obturadores mecânicos possuem uma velocidade máxima para atuar com flash interno ou externo. Isso é chamado de “velocidade de sincronização de flash”.
Nas câmeras DSLR a velocidade do obturador adotada é de 1/200 ou 1/250 de segundo. Você até pode configurar sua câmera com uma velocidade mais rápida, mas como o flash não conseguirá acompanhá-la, você terá uma imagem escura ou parcialmente escura.
Isso acontece porque a “cortina” do obturador, responsável pela entrada de luz na câmera, estará abrindo e fechando mais rapidamente do que a luz produzida pelo flash.

Trepidação da câmera
Se você já tentou tirar uma foto de algo parado, configurando a câmera com pouca luz e sem o flash, mas obteve como resultado uma foto borrada, isso ocorre pela trepidação da câmera. Quando a velocidade do obturador é lenta, você deve manter a câmera parada.
Existe uma regra geral que diz que uma foto iluminada pela luz ambiente pode perder nitidez devido à trepidação da câmera e, se a velocidade do obturador for menor que 1 dividido pela distância focal equivalente a 35mm da lente.
Por exemplo, de acordo essa regra, se estiver fotografando em uma distância focal de 30mm em uma câmera com fator de corte de 1.5, você desejará usar pelo menos uma velocidade de obturador de 1/45 de segundo para evitar uma imagem desfocada.
No entanto, se um flash for a principal fonte de iluminação, isso se aplica apenas à iluminação de fundo (ambiente).
Em geral a trepidação da câmera não é uma grande preocupação dos fotógrafos subaquáticos, mas a falta de foco e profundidade de campo são mais relevantes.
Desfoque de movimento
Ao fotografar objetos em movimento, a velocidade mais rápida do obturador ou de um flash, devem ser usados para congelar o movimento. Geralmente 1/125 a 1/200 de segundo congelará o movimento debaixo d’água, dependendo da velocidade do objeto fotografado. Se o objeto for iluminado por um flash, isso não se aplica em razão da velocidade de sincronização com o flash, pois ele será disparado rápido o suficiente para congelar o movimento.
Algumas fotos poderão ter as chamadas “trilhas” antes ou depois do objeto em movimento. Isso ocorre quando a iluminação é a mistura entre luz estroboscópica, luz ambiente e a velocidade do obturador, estando todos lentos. O flash “congela” parte do objeto fotografado, enquanto a luz ambiente que entra em uma velocidade lenta do obturador, cria uma trilha de movimento antes ou depois do objeto.
A maioria das câmeras utiliza sincronização de cortina frontal por padrão. Isso significa que o flash dispara quando o obturador é aberto. Nesse caso, o rastro aparecerá na frente do objeto em movimento.
Câmeras DSLR’s também podem ser configuradas para o modo de sincronização de cortina “traseira”, fazendo com que a trilha apareça atrás do objeto, parecendo mais natural.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



