Bastões “Anti-toque” – Usar o não usar ?

Durante uma operação de mergulho convencional, percebi que um dos mergulhadores estava usando um bastão conhecido como “anti-toque”.

São pequenos bastões fabricados em metal que não enferruja e usados por mergulhadores que não querem tocar no fundo rochoso, sob o argumento de não degradar a vida marinha de um ambiente em si.

A pessoa simplesmente estende o pequeno bastão em direção à rocha, não permitindo que alguma parte de seu corpo e/ou equipamento venha tocar em algo do fundo.

A grande questão, é que o simples toque de um bastão desses, já pode ser o suficiente para degradar qualquer ser marinho que venha ser tocado por ele. Um coral, por exemplo, pode acabar se despedaçando pela pressão exercida deste bastão contra a superfície.

Conversando com um biólogo amigo que possui extrema competência e conhecimento na área, ele afirma que esses bastões não deveriam ser usados, pois são capazes de incomodar ou acabar com algum ser da vida marinha.

O correto, seria os mergulhadores treinaram o bastante, para ter o conhecimento e habilidades necessárias para um perfeito controle da flutuabilidade, obtendo o ajuste correto de trim e evitando assim, qualquer tipo de toque / contato com os seres marinhos.

Ao invés de se gastar dinheiro com mais um acessório a ser lembrado e transportado durante os mergulhos, o mergulhador deveria se preocupar em melhorar seu desempenho embaixo d’água, evitando de forma proficiente, qualquer tipo de toque e degradação da vida marinha.

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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