Em quatro meses a mesma raia-manta foi avistada quatro vezes no arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco, sendo a última, no dia 6 de outubro.
Foi no Morro de Fora que a raia-manta, batizada com o nome de Aya, se exibiu para os mergulhadores que tinham entrado na água para fazer mergulho livre. O instrutor de mergulho Rafael Navarro, realizou os registros e concedeu as imagens para uso científico.
Avistada pela primeira no dia 15 de maio no ponto de mergulho conhecido como Cagarras, na Ilha Rata, a raia foi identificada como uma manta fêmea juvenil (seu tamanho foi estimado em 2.5m).
Por meio da foto-identificação (Foto-ID), método muito utilizado pela pesquisa científica, foi possível identificar e catalogar este indivíduo, assim como os demais espécimes catalogados no Banco Brasileiro de Mantas, do Projeto Mantas do Brasil. A identificação é feita por meio das manchas e pintas no ventre do animal. Assim, quando fotografada novamente, é possível saber se se trata da mesma manta ou não. Depois do primeiro avistamento, Aya reapareceu nos dias 19 e 20 de agosto e ontem (06/10).
O Projeto Mantas do Brasil, com apoio da ciência cidadã, acompanha a população de raias-manta do arquipélago há anos, com registros que datam de 2002 até o presente. Atualmente, o Banco Brasileiro de Mantas conta com 147 registros de raias-manta na região, 99 deles com identificação confirmada.
Estudo liderado pela oceanóloga MSc. Nayara Bucair, doutoranda pela Universidade de São Paulo e pesquisadora do Projeto Mantas do Brasil, que tem patrocínio da Santos POrt Authority, aponta que a população de mantas de Fernando de Noronha compreende predominantemente indivíduos juvenis (nos primeiros anos de vida).
As mantas fazem uso do arquipélago para descanso e alimentação. Inclusive foi possível o registro científico da manta Aya em comportamento alimentar em um dos seus registros.
Segundo a pesquisadora, com base em registros de fotos e vídeos, pode-se depreender que, a partir do primeiro registro, os indivíduos de raias-manta tendem a utilizar a área do arquipélago por vários anos subsequentes.
Os esforços permanentes de observação pelo Projeto Mantas do Brasil – com o acompanhamento dos indivíduos que utilizaram a área do entorno do arquipélago de Fernando de Noronha por até cinco anos consecutivos – permitiram averiguar que as raias-manta apresentam elevada fidelidade ao arquipélago, principalmente enquanto juvenis. Ao mesmo tempo, indivíduos novos e mais jovens têm sido registrados todos os anos (como a AYA, neste ano).
“Isso ressalta a importância de áreas marinhas protegidas e revela Fernando de Noronha como área de extrema relevância para conservação da espécie, especialmente por compreender uma população de indivíduos juvenis” afirma Nayara.
Onde nascem e para onde vão quando saem de Noronha ainda é um mistério.
“A atuação do Projeto Mantas do Brasil na região, juntamente com pesquisadores, o apoio da população local e dos mergulhadores é fundamental para respondermos essas perguntas” declarou a pesquisadora.
As raias-manta estão ameaçadas de extinção, no Brasil e no mundo. No Brasil, sua captura, transporte e comercialização são proibidos por lei.
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