Naufrágio Príncipe de Astúrias e suas Estátuas

O naufrágio Príncipe de Astúrias é considerado um dos maiores naufrágios em que mais houveram mortes na costa brasileira, e com um misto de muitas lendas, histórias e acontecimentos.

Eu mesmo já relatei aqui no Brasil Mergulho, uma situação que passei anos atrás, contrariando muitos que também passaram por situações um tanto sinistras, mas que decidiram não se expor, com receio de serem taxados de malucos ou contadores de histórias, mas uma coisa que todos sabem, é que o Astúrias é um naufrágio “esquisito” sob vários aspectos, e por algum motivo que não sei explicar, ficou marcado pra mim.

Mesmo não desejando retornar mais nele pelos motivos já mencionados em outros artigos, bate uma sensação de compreender os reais fatos dessa catástrofe e divulgar tudo sobre ele. É estranho, mas é essa a sensação.

Recentemente aproveitando uma oportunidade de passar pela cidade de Buenos Aires, na Argentina, busquei por mais informações sobre o naufrágio, mas infelizmente sem sucesso.

Um aspecto que muitos já sabem, é que ele transportava várias cargas, dentre elas, 12 estátuas de bronze que fariam parte de um monumento onde alguns afirmam que seria chamado de “La Carta Magna y las Cuatro Regiones”, e que devido ao acidente, passou a ser chamado “Monumento a los espanholes”.

Nessa ocasião, fui até o local localizado no bairro de Palermo, nas proximidades do planetário de Buenos Aires, ficando bem num entroncamento de algumas avenidas importantes e largas, da cidade. Curiosamente, não se chega ao monumento usando faixas de pedestres, e tive que atravessar correndo entre os carros para chegar ao local escutando alguns motoristas me xingando.

A sensação é de um local frio, sozinho e raramente visitado. Parei, observei as estátuas meio sinistras e fiz algumas imagens das estátuas do monumento em si.

Algumas pessoas afirmam que as estátuas recuperadas tiveram seu destino final o monumento, outros, o monumento acabou sendo construído com parte das estátuas recuperadas e juntadas com algumas unidades fabricadas posteriormente.

 

Foto: Clécio Mayrink

 

Independente de qualquer coisa, me achei na obrigação de conhecer o monumento de perto e relatar aqui no Brasil Mergulho, como forma de lembrar daqueles que pereceram em um naufrágio tão trágico da história marítima brasileira.

 

Mas qual é o real motivo de afundamento do Príncipe de Astúrias ?

A história mais contada, é que o comandante teria errado o cálculo de navegação, sob a hipótese de interferência na bússola, fazendo com que o naufrágio colidisse diretamente contra a Ponta da Pirabura, na Ilhabela, contudo ao longo dos últimos anos anos, uma nova hipótese vem ganhando força, como sendo a real causa do naufrágio.

Há relatos de passageiros, informando que o Príncipe de Astúrias teria realizado uma parada nas proximidades da Ilhabela, feito a descarga de uma caixa relativamente grande e depois seguiu viagem.

A tripulação teria recebido uma ordem do comandante para seguir viagem sob o comando do primeiro oficial e desde então, o comandando não foi mais visto.

Muitos acreditam que o comandante ciente do carregamento de ouro no porão, parou o navio e descarregou a carga de ouro, e deu orientação para o navio seguir uma determinada rota para que encalhasse e afundasse lentamente, mas infelizmente deu errado, pois o navio colidiu e afundou rápido, matando muitos à bordo.

Durante anos diversas equipes de mergulhadores estiveram no naufrágio do Astúrias tentando encontrar essa carga de ouro, mas nada foi encontrado. Uma equipe inclusive, chegou a montar uma base de operações com um pequeno navio, e também não tiveram sucesso, aumentando ainda mais o mistério sobre o trágico naufrágio.

Algumas estátuas chegaram a ser recuperadas e foram levadas para a Argentina, ficando uma delas na base da Marinha no Rio de Janeiro.

 

Foto: Clécio Mayrink

 

 

Vídeo das Estátuas em Buenos Aires

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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