Não são raros os casos de caixas estanques embaçando antes e durante o mergulho, e causando transtornos ao fotógrafo / cinegrafista na hora de captar as imagens.
Porque isso ocorre ? Como evitar ?
O problema
Quando a caixa estanque fica embaçada, é o resultado da grande diferenciação de temperatura interna da caixa estanque com o meio externo.
Os vidros / acrílicos resfriados pelo ar e de forma brusca, aquecem o ar interno da caixa estanque gerando micro gotículas, deixando essas superfícies embaçadas e prejudicando o mergulhador.
Normalmente o que se vê, é que a a caixa está embaçada minutos antes de entrar na água ou logo após o início do mergulho.
O motivo mais comum, é o mergulhador deixar a câmera exposta ao calor excessivo,expor o equipamento diretamente ao sol, por exemplo.
Ao entrar com a câmera na água, ocorrerá um choque térmico, criando a condensação no interior do compartimento, embaçando na lente e o visor traseiro da caixa.
Há no mercado alguns “saquinhos” anti-umidade que segundo os fabricantes, evitam que a caixa estanque fique embaçada. Particularmente acho esses produtos caros e desnecessários, pois é possível evitar este problema não deixando que haja o choque de temperaturas.
Devemos abrigar a caixa estanque do sol e ter atenção aos há três pontos principais que contribuem para o aparecimento deste tipo de problema:
1 – Evite deixar sua câmera exposta ao sol. Os raios solares irão aquecer o ar no interior da caixa estanque e irão degradar principalmente os o-ring’s de vedação;
2 – Se a temperatura ambiente estiver acima dos 30ºC, molhe uma toalha e envolva sua caixa estanque nela. Isso irá isolar seu equipamento da temperatura ambiente, deixando-o mais resfriado.
Outra possibilidade, é colocar sua caixa dentro de uma bolsa térmica com água, mas isso pode ser um tiro no pé, pois se o modelo de caixa estanque não possuir fechos que tenham boa pressão de fechamento, embora remoto, poderá haver um alagamento da caixa pela falta de pressão externa para a compressão da tampa traseira contra o corpo da caixa, o que ocorre normalmente alguns metros abaixo da superfície e que cria a vedação mais confiável;
3 – Não deixe o equipamento ligado por muito tempo enquanto estiver fora d’água, pois o circuito eletrônico da câmera irá aquecer, e estando no interior da câmera, consequentemente irá aquecer o ar.
Isso poderá contribuir para a depreciação dos componentes eletrônicos, pois o excesso de umidade favorece um desgaste maior desses componentes, podendo em alguns casos, criar um curto no equipamento.
O importante é não deixar que a caixa estanque se aqueça.
Ela sempre deve estar sob uma temperatura média, ou seja, nem quente e nem fria. O cenário ideal, é que a caixa tenha uma temperatura próxima da temperatura da água, para que não haja o choque térmico.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



