Uso de Domos na Fotografia Subaquática

Ao longo dos tempos, a fotografia subaquática avançou muito. Quando criança, ouvia sempre falar nas câmeras da Nikon para mergulho, a famosa linha Nikonos, sendo o sonho de consumo de muitos mergulhadores na época. Era literalmente uma câmera fotográfica montada em uma caixa, que por si só, já era estanque.

Naquela época era normal encontramos este formato de câmera. A Nikonos, por exemplo, possuía uma linha de lentes para a fotografia subaquática, então, você encaixava a lente na caixa e fotografava como uma câmera comum de superfície. O grande problema nisso tudo, era o alto custo para a produção dessas lentes, que por serem fabricadas em baixíssima escala, acabava custando os olhos da cara.

Uma lente grande angular custava na década de 80 / 90, algo em torno dos US$ 1.200. Estimo que hoje seria algo em torno dos US$ 5.000 somente a lente, que custava por sinal, mais que o dobro da câmera. Uma coisa surreal…

Com o tempo os fabricantes inventaram o Dome Port, mais conhecido como “domo” no Brasil, e que nada mais é do que uma peça (geralmente metálica) que se encaixa na frente da caixa estanque, tendo sua parte frontal fabricada em acrílico ou vidro transparente, permitindo que uma objetiva comum possa ser usada pela câmera no interior da caixa estanque.

Através desse acrílico ou vidro, a lente consegue captar as imagens para a câmera, e o fotógrafo mergulhador, utilizar vários modelos de lentes com o mesmo domo na maior parte dos casos. Eventualmente acaba sendo necessário a utilização de extensores para projetar o domo para frente da caixa, e isso está relacionado com o comprimento da lente utilizada.

Em geral, os domos utilizam o vidro, que é mais resistente e permite uma captação de imagens mais nítidas. Há também o chamado “mini-domo“, compatível com algumas lentes apenas, porém, com a grande vantagem de um transporte mais seguro e bem menos trabalhoso, quando comparamos com as grandes dimensões dos domos enormes mais comuns e que são bem mais passíveis de riscos.

Entre o vidro e o acrílico, os domos em acrílico riscam muito mais facilmente e o mergulhador precisa triplicar os cuidados para evitar arranhões. A vantagem do acrílico em relação ao vidro, é que ele permite a realização do polimento por lojas especializadas,  deixando-o como novo. Como aspecto negativo no caso dos domos com vidro, é que uma vez arranhado, não tem solução. Então, é mais do que recomendável utilizar boas proteções nos domos para não ter dores de cabeça com algum dano, arranhões ou até a quebra dele, que dependendo da situação, poderá até danificar sua lente e câmera.

Os cuidados devem ser redobrados em momentos críticos, como na hora de entregar a câmera ao mergulhador na água e vice-versa. Aliás, inclusive, já relatei uma solução de baixo custo que deixa o mergulhador tranquilo quanto aos riscos durante a transferência do equipamento na água. Leia mais aqui.

Uma atenção especial também deve ser dada aos o-rings responsáveis pela vedação entre o domo e a caixa estanque. Procure sempre antes da montagem, observar se não há resíduos que possam permitir o alagamento da caixa estanque.

 

Foto: Clécio Mayrink

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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