O costume que estraga o mergulho

O ser humano geralmente tem uma facilidade (mas sem saber exatamente como…) de se adaptar as situações e/ou condições que lhe são impostas e, o que necessariamente pode não ser tão bom.

Sabemos que a manutenção dos equipamentos de mergulho é um elemento básico não só para a segurança do mergulhador em si, como também, ela normalmente aumenta o tempo de uso do equipamento, além, é claro, de diminuir as chances de uma surpresa desagradável na hora de mergulhar, o que geralmente acontece ainda na embarcação, quando estamos prestes a entrar na água.

Me considero uma pessoa bem cuidadosa com meus equipamentos e tento sempre estar com a manutenção em dia e, provavelmente por isso também, aliado à qualidade dos equipamentos do fabricante americano Dive Rite, minha roupa seca durou quase 20 anos !

Você leu certo, quase vinte anos !

Obviamente, o estado da roupa já estava bem diferente de quando eu utilizei pela primeira vez, mas, cumpria seu princípio básico, que era mergulhar seco.

Bom, talvez, eu esteja exagerando um pouco, afinal de contas, nos últimos anos eventualmente, houveram algumas pequenas entradas de água, o que era de se esperar, pois dificilmente um equipamento dura tantos anos como foi o caso.

Esta semana tive a oportunidade de ser convidado pela Orion Diver, empresa que opera na Laje de Santos com uma operação extremamente segura e confortável, e lá estive utilizando minha nova roupa seca da Dive Rite modelo 901, o novo modelo do fabricante  e totalmente remodelada.

Inicialmente tudo ok como imaginado, mas a percepção mudou nos primeiros metros quando ia em direção à faixa dos 22m de profundidade. A roupa foi se ajustando e um conforto grande conforme continuava descendo, chegando ao fundo e totalmente seco como se esperava.

Nos primeiros minutos, tinha uma sensação diferente quanto ao trim… estava 100% tudo perfeito. Munido de uma câmera na mão com dois spots de luz, literalmente parava há pouquíssimos centímetros das rochas para captar algumas imagens dos pequenos seres marinhos, como se eu estivesse amarrado em algum tipo de estrutura, tamanho controle de trim.

No segundo mergulho ao visitar o naufrágio Moreia, esse controle de trim demonstrava uma total diferença do que eu andava tendo nos últimos tempos e, claramente, tudo estava diretamente ligado à roupa seca nova, me fazendo chegar a conclusão de que realmente a vida útil da minha antiga roupa já havia passado, e eu, teimoso como sempre, continuava resistindo na aquisição de um novo equipamento, mas moderno e, obviamente, “zero quilômetro”.

Analisando os dois mergulhos, cheguei à conclusão do fator “costume”, pois acabei me acostumando com um equipamento que foi se degradando após tantos mergulhos ao longo dos quase 20 anos de uso, e não me dei conta do quanto esse aspecto estava influenciando na qualidade, conforto e performance dos meus mergulhos.

No fim das contas, realizei dois maravilhosos mergulhos em meio aos 20m de visibilidade da água azulada no dia, com uma tremenda paz embaixo d’água, diante de tamanho conforto que a nova roupa me proporcionou e, sem contar, com o retorno para a embarcação estando totalmente seco e sem o cansaço muito comum que os mergulhadores de roupa “molhada” ou semi-seca, muitas vezes acabam tendo pela exposição ao frio e pela desidratação.

Em suma, ficou muito claro pra mim, que apesar de todo o cuidado com os equipamentos, precisamos colocar um “prazo” de validade para a vida útil deles, porque, por mais que eles durem tantos anos, como foi o caso da minha roupa seca anterior, alguns aspectos se alteram, a gente acaba se adaptando e isso não é bom pelo conforto e segurança do mergulhador.

No meu caso específico, foi praticamente ter um filho que já está cursando a metade da faculdade.

 

Foto: Cláudio Dal Poggetto

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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