Mergulhar de roupa seca é tudo de bom, e depois que você acostuma na utilização deste equipamento, você não quer saber de outro tipo de roupa em águas frias, porque realmente, seu conceito irá mudar por causa do conforto ao utilizar uma roupa dessas, ainda mais se for uma Dive Rite 901, por exemplo.
Você retorna do mergulho seco, mais disposto e sem passar aquele frio incômodo quando utilizamos roupas de neoprene com fechamento comum.
Mas como tudo na vida tem seus prós e contras, a roupa seca, não é diferente.
Um dos pontos importantes e que todo mergulhador deve se atentar ao utilizar uma roupa seca, são com os selantes. Eles são os responsáveis pela flexibilidade dos punhos e pescoço do mergulhador, sem que a água consiga adentrar a roupa.
No passado, eles eram fabricados em borracha sintética, hoje, alguns modelos de roupa seca passaram a utilizar selantes em silicone, que são bem mais resistentes que os tradicionais de borracha, sofrendo muito menos com a ação dos raios solares. Logo, tem uma durabilidade muito superior.
São mais confortáveis e com muito menos chances de causar algum tipo de alergia ao corpo do mergulhador.
Mas independente dos selantes serem de borracha sintética ou silicone, o mergulhador precisa ter total atenção na hora do corte deles, pois um corte errado e, literalmente você não conseguirá utilizar a roupa, havendo a necessidade de substituição do selante danificado. O que eu sempre recomendo, é cortar sempre algumas linhas à menos do que se acredita ser, pois em pouco tempo, os selantes costumam a alargar e se adaptarem ao corpo do mergulhador.
Outro aspecto importante, é que o corte do selante é feito para ajustar o local por onde passará o punho ou pescoço, e você deve sempre cortar acima da chamada “linha de corte”, pois ela traz mais resistência a estrutura do selante em si. Um corte mal feito, e você poderá facilitar que o selante venha a se rasgar durante a colocação da roupa, ou pior, durante o mergulho, algo indesejado e considerável terrível por aqueles que já tiveram esse tipo de problema na hora de ir mergulhar, como já aconteceu comigo numa ocasião.
Naquele momento, era utilizar uma fita silver tape para “tentar” fechar o selante e vedar o máximo possível para evitar a entrada de água, mas obviamente isso não funciona muito bem e dura pouco tempo.
Bons modelos de roupa atualmente possuem um tipo de conexão que permite ao mergulhador, trocar o selante ainda na embarcação, garantindo o mergulho totalmente seco. Sem cola ou algo do tipo, basta desencaixar o aro plástico, tirar um e colocar o outro selante, travando o sistema na sequência.
Então, quando for cortar um selante, faça o procedimento com toda a calma do mundo. Não tenha pressa, pois ela poderá custar caro, fora a dor de cabeça para obter e conseguir trocar o selante se este for colado na roupa.
Conforme o uso da roupa, lave sempre muito bem os selantes e procure aplicar uma camada fina de silicone líquido voltando para mergulho, pois ele contribuirá para a lubrificação da borracha ou do próprio silicone do selante.
Após cada mergulho, verifique bem as pontas dos selantes contra a possibilidade de rebarbas, e acaso haja alguma, procure corrigir utilizando uma tesoura, tentando criar um perfeito alinhamento do corte em relação a linha estrutural do selante.
Busca por vazamentos
Se você desconfia que a sua roupa esteja com algum vazamento, faça um teste de estanqueidade, que consiste em encher a roupa seca com o ar do cilindro de mergulho e passar uma esponja com detergente neutro nas costuras e locais de colagem da roupa com os selantes.
Havendo a saída de ar, logo você irá ver bolhas de sabão se formando no local do vazamento, mas você precisará fechar as saídas de ar dos punhos e pescoço, para manter o ar no interior da roupa, se ele vazar, o ar interno perderá pressão e consequentemente, a força para sair pelos furo onde esteja ocorrendo o vazamento.
Se quiser se aprofundar no assunto, clique aqui e leia um artigo completo sobre teste com a utilização de alguns acessórios feitos em casa e, que costumam facilitar bastante a realização desses testes de vazamentos em roupa seca.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



