O cinturão de sargaço atingiu concentrações recordes no Caribe e no golfo do México em junho de 2026.
O sargaço (Sargassum) é uma macroalga originária do Mar de Sargaços, no Atlântico Norte, a leste de Bermuda. O local é conhecido desde a época das grandes navegações – a frota de Cristóvão Colombo encalhou por ali por algum tempo. O nome provavelmente foi dado por algum marinheiro português ou espanhol, já que “sargaço” era o termo usado para designar bagos de frutas silvestres. Se você olhar bem, enquanto estão na água os sargaços parecem cachos flutuantes.
No meio do oceano, o sargaço é ótimo, pois serve de abrigo e alimento para várias espécies marinhas. O problema é quando ele chega à costa em quantidades industriais. Ao encalhar na areia, ele entra em decomposição, exala um cheiro forte de enxofre (ovo podre), turva a água azul-bebê do Caribe e inviabiliza o banho de mar.
Nos últimos anos, o sargaço deixou de ser um evento puramente sazonal no Atlântico Norte para formar um verdadeiro cinturão permanente no Atlântico Sul, alimentado pelo aumento da temperatura dos oceanos e pelo excesso de nutrientes vindos da foz de grandes rios. Resultado: o volume vem crescendo ano a ano de forma assustadora.
O Laboratório Nacional de Observação da Terra (LANOT) do México previu uma circulação impressionante de 40 milhões de toneladas de sargaço no Atlântico na temporada 2026. Os impactos nas praias estão batendo recordes históricos.
Dados de satélite da Nasa, agência espacial americana, colocam o ano como o segundo com maior volume de algas detectado, atrás apenas de 2025.
Imagens do instrumento OCI, no satélite da missão Pace, mostram uma faixa de algas entre a costa oeste da África e as Américas. Embora não seja totalmente contínua, a formação se estende por quase todo o Atlântico, movida por correntes e ventos.
Caribe e golfo do México registraram os maiores acúmulos já medidos na região, com milhões de toneladas métricas de sargaço. Brian Barnes, da Universidade do Sul da Flórida, afirma que o fenômeno tem escala oceânica, mas pode gerar efeitos locais devastadores.
Correntes levaram grandes volumes de algas para o Caribe nesta temporada, enquanto a costa oeste da Flórida evitou acúmulos massivos. A missão Pace, lançada em 2024, permite acompanhar diariamente a distribuição do sargaço no Atlântico tropical.
Cancún e República Dominicana: as correntes empurraram manchas gigantescas para a costa leste. Destinos como Cancún, Playa del Carmen, Tulum e partes de Punta Cana enfrentam dias difíceis na orla. Miami e as praias do sul da Flórida entraram na rota crítica com registros quase recordes de algas nas areias.
A gravidade é tanta que a própria presidente do México, Claudia Sheinbaum, visitou a região de Cancún e Tulum para vistoriar o problema in loco. O governo mexicano anunciou um investimento pesado de 2 bilhões de pesos (cerca de 100 milhões de dólares) para ações emergenciais. A estratégia mudou, e ao em vez de apenas raspar a areia (o que causa erosão nas praias), a Marinha Mexicana foi mobilizada com barcos sargaceiros e barreiras de contenção para tentar interceptar a alga ainda no mar, antes que ela chegue à costa.
Aumento do sargaço
O crescimento do cinturão está ligado a uma combinação de nutrientes de rios como Amazonas, Orinoco e Congo, poeira do Saara e aquecimento das águas. AP e Reuters informam que essas condições favoreceram a expansão da alga em áreas tropicais.
Antes concentrado no mar dos Sargaços, no Atlântico Norte, o sargaço passou a se expandir para águas tropicais por volta de 2010. Em 2025, a massa total chegou a cerca de 40 milhões de toneladas métricas.
Em mar aberto, o sargaço serve de abrigo para tartarugas, peixes e invertebrados e contribui para a produção de oxigênio. Quando chega em grande volume à costa, pode reduzir o oxigênio da água e bloquear a luz necessária a corais, manguezais e pradarias marinhas.
Um dos grandes problemas do sargaço, é a interferência no turismo em diversos países no Caribe, como o México, que vem enfrentando grandes problemas com a redução do turismo.
Fugindo do problema
Nem todo o Caribe está entregue ao sargaço e, mesmo num destino atingindo, existem praias livres das algas. É preciso entender a época, as correntes marítimas e a geografia das ilhas.
Época: apesar de poder aparecer o ano inteiro, o sargaço costuma ser pior entre abril e outubro.
Correntes: O sargaço viaja de leste para oeste. Por isso, praias voltadas para o leste tendem a receber as colônias de algas.
Geografia: Praias voltadas para o oeste (sotavento) continuam com a água no padrão caribenho, mesmo durante a invasão dos sargaços.
Se você quer fugir do sargaço, os dados históricos de monitoramento por satélite apontam os seguintes refúgios seguros.
Aruba, Curaçao e Bonaire
Risco: Quase zero / Muito baixo – Por estarem localizadas no extremo sul do Caribe, bem próximas à costa da América do Sul, Aruba, Curaçao e Bonaire ficam completamente fora da rota da corrente que transporta o sargaço pelo Atlântico Equatorial. Aruba e Curaçao são apostas 100% seguras o ano inteiro.
Ilhas Cayman e Bahamas
Risco: Baixo – Bahamas ficam mais ao norte, acima do cinturão principal de proliferação. Embora um fragmento ou outro possa passar dependendo da corrente do Golfo, os extensos bancos de areia rasos protegem a maior parte das praias. Já as Ilhas Cayman se beneficiam da sua posição geográfica bem ao oeste do mar do Caribe.
Costa Oeste da Jamaica
Risco: Muito Baixo – Enquanto a costa leste da Jamaica pode sofrer, a famosa praia de Seven Mile Beach, em Negril (voltada para o oeste), está blindada pelas correntes.
San Andrés
Risco: Baixo – Embora não esteja imune a receber fragmentos de sargaço em suas praias voltadas para o leste nos dias mais ventosos, San Andrés se beneficia de um escudo natural valioso: uma das maiores barreiras de corais do mundo. Um verdadeiro paredão submerso que funciona como linha de defesa.
Praias menos atingidas
As praias voltadas para o oeste normalmente estão livres de sargaço. E mesmo entre as praias voltadas para o leste, pode haver variação no volume de sargaço recebido (ou na rapidez em que é recolhido).
Em Cancún e região, Isla Mujeres e a costa da ilha Cozumel voltada para o continente, normalmente estão livres de sargaço. Outras praias da Riviera Maia podem também registrar pouco sargaço – consulte a Rede de Monitoramento do Sargaço, que identifica o volume de sargaço em três níveis, com bandeiras verde, amarela e vermelha.
Ja as praias de Punta Cana, costumam oferecer pouca variação no volume de sargaço, mas em Bayahibe a situação é sempre mais light. Acompanhe a situação no pelo site Fangass.
St. Maarten tem praias ótimas nas costas oeste e sul, como Mullet Bay, Maho Beach e Grand-Case. Acompanhe a situação das demais pelo site Fangass.
St.-Barth, as praias de Colombier e Flammands são as mais bem protegidas. Descubra quais outras praias estão livres de algas no site Fangass.
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