A descoberta do naufrágio Batelão Serrambi

Foto: Michel Russi

No final de 2017 ouvi falar de um naufrágio até então desconhecido na região de Porto de Galinhas, e obviamente fiquei bastante interessado em conhecê-lo.

Iniciei uma pesquisa conversando com pescadores da região, a nada. Ninguém tinha a menor noção sobre esse navio.

Com o tempo, infelizmente acabei perdendo contato com a pessoa que havia comentado sobre a existência desse naufrágio e, confesso que em determinado momento comecei a acreditar que era só outra conversa de pescador.

Era o mês de fevereiro quando um amigo de uma praia vizinha me falou que tinham achado um naufrágio, depois de verificar como Rodrigo Lacerda que encontrou e divulgou o naufrágio, confirmei que era o mesmo que eu estava procurando, e assim, tinha acabado a busca.

Uns dias depois fomos lá, e encontramos uma embarcação afundada nos 45m de profundidade. Ele possui aproximadamente 50m de comprimento, 8 de largura e uns 5 de altura. O leme está solto no fundo e a proa esta toda destruída.

Devido à profundidade esse local é reservado para mergulhadores técnicos, pois não podemos realizar o mergulho recreativo nessa profundidade e não compensa navegar mais de duas horas para ter menos de 10 min de fundo. É possível realizar um mergulho de uns 40-45min com EAN26, e deco com EAN50 e O².

Para mergulhadores mais sensíveis a narcose, é possível usar um Trimix 26/15.

De acordo com um especialista, pelo tamanho dos corais fixos no naufrágio, ele ocorreu entre 50 e 80 anos atrás, e ainda não foi identificado.

Por lá encontramos muita variedade de corais, muitos cardumes residentes e peixes de passagem. É realmente um mergulho fantástico. Tubarões lixa, tartarugas, arraias, bijupirá, xarel, e diversos outros cardumes menores.

Temperatura no fundo média de 27°C e o tempo de navegação gira em torno de 2h (14MN de distância) e a visibilidade embaixo d’água na região normalmente alcança os 20/30m, já pegarmos 40m.

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Batelão Serrambi – BAT 45 / Google Photos
Michel Russi

Mergulhador desde 1992 e Instrutor PADI desde 1996, começou a mergulhar nos lagos e rios subterrâneo na Suíça. Passou uns 10 anos mergulhando em vários lugares do mundo até abrir a Aicá Diving, em Porto de Galinhas-PE em 1998.