Algumas pegadinhas nas compras de equipamentos pela Internet

Tenho visto alguns mergulhadores comentando sobre a realização de compras de equipamentos pela internet, e de fato, ela chegou pra ajudar facilitar a vida de todos, mas é preciso tomar alguns cuidados pra não ter dor de cabeça.

Quando pensamos em comprar algum equipamento de mergulho pela internet, o primeiro aspecto que deve ser levado em consideração é quanto à qualidade do produto. Se ele é fabricado por uma empresa que preza pela qualidade e garantia.

Algum tempo atrás adquiri dois “clamps”, que pra quem não sabe, é um acessório metálico utilizado no conjunto de equipamentos de foto e vídeo subaquático, cuja finalidade é permitir a movimentação dos braços dos flashes iluminação.

Ao receber o produto, pude perceber a baixa qualidade.

Era tão ruim, que não dava pra fixar e confiar meu conjunto de flashes num acessório tão ruim e frágil.

Imagine confiar vários dólares em flash e, repentinamente ver ele se soltar e caindo num abismo… Não dá pra arriscar…

 

A pegadinha da Taxa Administrativa

Outro aspecto que tem pego muita gente, é a Taxa Administrativa. Inclusive, isso aconteceu comigo recentemente.

De algum tempo pra cá, os Correios passaram a cobrar R$ 15 por pacote entregue. Uma cobrança adicional e sem justificativa plausível, que está sendo feita para as compras internacionais. A coisa é tão bagunçada, que ora essa taxa é cobrada, ora não.

E quando pensamos que a coisa não pode ser pior, ela acaba ficando.

Recentemente, recebi de um fabricante de caixas estanques na China, uma caixa para conhecer, testar e dar minha opinião. O produto foi enviado via DHL, e além do tributo que teria que ser pago, veio um valor adicional de R$ 102.54 referentes à “Taxa Administrativa”, que é da própria DHL.

Ao investigar, descobri que a DHL, UPS e Fedex, estão cobrando uma taxa proporcional ao valor do produto transportado, ou seja, quando você comprar um produto e este for entregue por uma dessas três empresas, além do tributo do governo, essas empresas irão lhe apresentar uma  outra taxa, que segundo eles, refere-se ao trâmite aduaneiro, o que na prática não acontece.

O desembaraço de encomendas que não passam pelo processo de importação é feito e analisado pela fiscalização da Receita, cabendo ao transportador apenas apresentar e passar os pacotes na esteira do Raio X, e antes que alguém aqui diga o contrário, trabalhei por 8 anos na Receita, e conheço bem os trâmites.

Logo, procure fugir dessas empresas, pois eles irão taxar sem avisar com antecedência o valor que irão cobrar de você.

 

Foto: Clécio Mayrink

Mercado Livre

Tenho visto também alguns equipamentos novos de mergulho sendo comercializados no Mercado Livre, e pode ser um motivo de receio.

Digo isso, pois em muitos casos o mergulhador não detém a informação correta do produto, e faz toda a diferença um profissional do ramo das às orientações ao mergulhador.

Além disso, há relatos de pessoas realizando contrabando para o Brasil e comercializando equipamentos sem o pagamento de impostos e, consequentemente, sem a emissão de notas fiscais, o que poderá acarretar na falta de garantia do produto.

Algum tempo atrás, uma corporação dos Bombeiros teve vários problemas com alguns equipamentos que adquiridos por processo de licitação. A empresa que ganhou o processo e comercializou para eles, não era autorizada a distribuir equipamentos da marca em questão no Brasil, e venderam equipamentos que haviam sido comprados de uma loja no exterior, e por causa disso, não tinham como fornecer a garantia no Brasil.

No final, os Bombeiros não tiveram como consertar os equipamentos pela garantia.

 

Conclusão

Ao realizar uma compra pela internet, fique atento quanto à origem do produto e quem está vendendo.

Analise os valores e veja o quanto está valendo comprar diretamente pelos sites.

Muitas vezes, o pagamento parcelado e a garantia de receber orientações e sair da loja com o produto em mãos, pode fazer diferença no final.

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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