Baterias Recarregáveis: A falta de uso pode causar danos

Muito se fala em baterias recarregáveis, mas vejo pouca gente comentando que falta de utilização delas, pode acarretar em danos permanentes.

Baterias recarregáveis em geral possuem aspectos importantes sobre a recarga, descarga e manutenção.

Baterias de Níquel Cádmio (NiCd), são baterias que ao alcançarem 100% de carga, imediatamente a recarga deve ser finalizada pelo usuário, caso contrário, elas perderão rapidamente sua capacidade recarga. Outro ponto importante, é que este tipo de célula tende a rapidamente viciar, ou seja, perde sua capacidade de absorção de carga. Felizmente esse tipo de bateria caiu em desuso e pelo menos no mercado do mergulho, já não vemos mais.

Já as baterias de Níquel Metal-Hidreto (NiMh), fornecem mais carga e demoram muito mais para ficarem viciadas. As de Lítio (todos os tipos) conseguem absorver ainda mais carga que as de Níquel Metal-Hidreto, são menores e demoram muito mais para ficarem viciadas, sendo o tipo de bateria mais usado atualmente entre os mergulhadores em geral.

Nesses dois últimos tipos de baterias, há um aspecto que o mergulhador deve estar atento: a falta de uso.

Em ambos os casos, a falta de recarga da bateria poderá comprometer sua estrutura molecular, acarretando numa absorção ineficiente de carga. Por mais que a bateria seja recarregada ou utilizada inúmera vezes após um longo prazo sem uso, a bateria não conseguirá absorver a carga como anteriormente, sendo muito importante recarregá-la a cada 90 dias (3 meses).

Se a bateria possuir cargam, coloque sua lanterna (ou equipamento que utilize bateria recarregável) para funcionar e depois recarregue a bateria.

É importante ressaltar, que atualmente encontramos muitas lanternas (e outros equipamentos) que dependem da água para realizar o resfriamento dos circuitos internos (dissipação de calor), sendo importante deixar o equipamento ligado dentro de um balde com água. Isso impedirá que o circuito eletrônico interno possa aquecer de forma exagerada e acabar queimando. Em alguns casos extremos, os circuitos podem até fritar, como ocorre principalmente em spots de vídeo.

Outro ponto importante, é que se a carga dessas baterias chegar à zero, você pode simplesmente acabar perdendo a bateria, porque as células deixam de absorver carga, problema conhecido no mercado pelo nome de “bateria adormecida”.

Algumas vezes é possível “reviver” a bateria realizando um procedimento específico que força as células da bateria a voltar a absorver carga, mas o procedimento não funciona em 100% dos casos, e se a bateria não voltar a absorver carga, você terá que comprar uma nova.

Se a bateria for de lítio e não carregar, o problema pode estar relacionado com a placa BMS (controladora de carga e descarga das baterias), que pode ter queimado. Saiba mais sobre o assunto aqui.

Conclusão

Baterias são acessório de custo elevado e merecem atenção e cuidado do mergulhador.

Procure descarregar e recarregar as baterias de seus equipamentos de mergulho a cada 90 dias (3 meses), pois isso permitirá que ela tenha uma carga mínima (30% é o recomendável) e não o deixará na mão no momento em que for utilizá-la.

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount IANTD, possuindo mais de 30 anos de experiência em mergulho, fotografia e vídeo subaquático.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, sendo o idealizador do portal Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP) e responsável pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministérios dos Esportes.

Atuou na produção de diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior, sendo uma referência para a mídia, órgãos públicos no país e diversas entidades internacionais como a ONU e UNESCO, quando o assunto é mergulho em naufrágio.

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