Cavernas: Mergulhar ou Emburacar ?

Tenho pra mim que mergulhar, é poder aproveitar as belezas naturais dos ambientes subaquáticos e ter a chance de poder admirar cada detalhe do ambiente, registrando em mente, tudo aquilo que pude ver e presenciar.

No caso do mergulho em caverna, tenho visto muitos vídeos de mergulhadores visitando cavernas lindíssimas, como as do México, por exemplo, mas em diversos deles percebe-se que os mergulhadores seguem o cabo guia batendo pernas sem parar, adentrando pela caverna sem nem olhar para os lados, e objetivo do mergulho que deveria ser a apreciação do ambiente como um todo, se transforma praticamente em uma “corrida contra o tempo” para se chegar mais longe no interior da caverna.

É como se muitos estivessem com um “tapa olho lateral”, aquele usado nos cavalos e que permite apenas uma visão frontal. Esses mergulhadores só olham para frente e saem batendo pernas para entrar, entrar e entrar cada vez mais na caverna, sem olhar para os lados e curtir aquele momento, aquele ambiente, aquele local.

Assistir alguns vídeos de mergulho em caverna chega a dar cansaço só de ver os mergulhadores batendo pernas o tempo todo e entrando cada vez mais.

Filmar um mergulho em cavernas como uma produção estilo “National Geographic” dá trabalho, pois o cinegrafista precisa gravar as cenas em posições combinadas e ângulos diferentes, o que requer tempo, mas quando falamos apenas em mergulhos convencionais, onde estamos “turistando”, será que realmente vale à pena mergulhar em caverna apenas pra sair batendo perna e ir entrando no ambiente sem ter a chance de poder perceber o que há no local e curtir as belezas que esse ambiente pode proporcionar ?

Talvez eu esteja ficando velho e crítico, mas acredito que o mergulho em caverna deve ser mais lento e de forma que permita aos mergulhadores poderem curtir cada detalhe do ambiente… o tom azulado da luz na água transparente, os reflexos das luzes nos acúmulos de bolhas no teto, as estalactites milenares, e aquela “sensação de ambiente pré-histórico” que as cavernas nos passam.

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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