Situado na “capital dos naufrágios do Brasil”, em Recife, o Vapor Bahia é considerado um dos mais belos e importantes naufrágios de nosso país, descansando há 30 anos a uma profundidade média de 24m, após ter colidido com o navio Pirapama, este último, afundado somente dois e depois de ser totalmente desequipado no porto de Recife.
O naufrágio ocorreu 15min após o acidente, levando a tripulação ao pânico, inclusive, com muitas mortes, incluindo o capitão. Foi um navio de propulsão à vapor usando pás de eixo central, assim como outros velhos conhecidos naufrágios Vapor dos 48, Pirapama e Vapor de Baixo.
O Vapor Bahia tinha importância fundamental no transporte de cargas entre as regiões nordeste e sudeste de nosso país, e no dia no acidente, levava mais de 200 pessoas, e um batalhão de infantaria de nosso exército.
Este havia partido do porto de Camocim no Ceará rumo à cidade de Porto Alegre-RS, fazendo escalas em outras cidades, como Recife. Possuía 74m de comprimento, com casco era de ferro e sua principal carga era o café.

Os navios movidos a vapor e sua história
A navegação marítima à vapor iniciou por volta do século XVIII tendo como grande “marco” a construção do navio SS Savannah no ano de 1818 em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Esse navio foi o primeiro da linha a cruzar o Oceano Atlântico, fato ocorrido entre 24 de maio e 30 de junho de 1819, embora apenas uma parte desta distância de navegação tenha sido efetivamente percorrida com a propulsão à vapor, já que o restante foi utilizada a vela.
Era um navio híbrido e que podia navegar usando a propulsão à vapor como também, usar os ventos através das velas.
Por não ter tido sucesso comercial acabou depois sendo transformado exclusivamente em veleiro, vindo a naufragar no final do ano de 1821, também em Nova Iorque, precisamente em Long Island.
O maior vapor com rodas de pás, construído foi o SS Great Eastern de Brunel (Londres – Inglaterra), mas ele também era híbrido e tinha velas e hélices. Seu comprimento atingia os 211m e pesava cerca de 32.000 toneladas, usando uma roda de pás com aproximadamente 17m de diâmetro, com capacidade de transportar quatro 1.000 passageiros, sendo realmente um navio enorme para a época.
Em 1845 o fim da era dos navios à vapor chega ao fim com a construção dos primeiros navios movidos totalmente à hélice.

O mergulho
Águas claras, quentes e com riquíssima vida marinha, são características marcantes do mergulho no litoral nordestino, que além desse atrativo, há belíssimas praias, muita diversão, um povo altamente receptivo e hospitaleiro.
Para se chegar ao Vapor Bahia é possível sair a partir de Recife pela Ponta de Pedras, no distrito de Goiana, distante cerca de 1h de Recife, ou então, da Paraíba a partir do município de Pitimbu, na região metropolitana de João Pessoa. Saindo desses dois últimos, a navegação dura em torno dos 1:30h.
A melhor época para o mergulho nesse ponto normalmente é entre os meses de novembro ao final abril.
O Vapor Bahia está desmantelado e bastante enterrado, porém, sua proa ainda está de pé e é certamente a parte mais bela deste naufrágio para se fotografar. Há duas grandes âncoras e tudo isso em meio a enormes cardumes de xiras e mariquitas.
Navegando rumo à popa, se percebe o quanto ele está desmantelado em razão do longo tempo submerso, mas podemos encontrar as caldeiras, as rodas de pás e algumas máquinas. Das duas rodas de pás, somente uma está em melhor estado, abrigando uma grande variedade de peixes e vida marinha, sendo o ponto certo para fotógrafos subaquáticos fazerem suas imagens pelo belo cenário e composição que a mesma oferece.
A outra roda se encontra totalmente desmantelada, e mesmo assim, na sua área podemos encontrar muitos peixes, como tubarões lixas.
O leme localizado na extremidade oposta a proa, marca o fim dos destroços deste naufrágio.
As tartarugas normalmente são vistas e fazem à alegria dos mergulhadores em meio aos cardumes de barrigudinhos, enxadas, xiras e cororocas.
Encontramos também, peixes papagaios, sargos, frades, arraias, e muitos outros, além de esponjas multicoloridas e muitos corais.
Após o mergulho, fica para os mergulhadores a sensação de “querer mais”, sentimento comum para quem mergulha nas águas quentes e belas do nordeste brasileiro.
Galeria de Imagens

Ruver Bandeira
Natural de Fortaleza-CE, é graduado em Geografia e professor da Rede Pública de Ensino.
O fotógrafo subaquático iniciou sua paixão pelo mergulho e fotografia no ano de 1998 quando visitou o Arquipélago de Fernando de Noronha.
Atualmente tem dezenas de publicações em revistas especializadas, artigos em sites, participação em livros e diversas premiações nacionais e internacionais na fotografia subaquática e utiliza deste meio para sensibilizar as pessoas a preservarem mais o meio ambiente e suas belezas.



