Uma aventura na majestosa Lagoa Misteriosa

A Lagoa Misteriosa está situada no município de Jardim-MS, a exatos 239 km da capital do Mato Grosso do Sul, Campo Grande, sendo um dos locais mais indicados no Brasil juntamente com outras atrações da Serra da Bodoquena para a atividade do espeleomergulho, sendo também, um dos melhores locais no mundo para essa atividade. Já são mais de 100 cavernas conhecidas no planalto da Bodoquena.

Na verdade a Lagoa Misteriosa trata-se de uma dolina alagada com dimensões aproximadas de 80m de comprimento por 40m de largura em média, com dois poços no seu fundo, que no ano de 1998, o mergulhador técnico Gilberto Menezes, realizou um mergulho que durou aproximadamente 8h e alcançando 220m de profundidade, mas ainda assim, não chegou ao fundo máximo do local, deixando um ar de mistério e dúvida de qual seria a profundidade máxima, recebendo o nome de “Lagoa misteriosa”.

O período mais indicado para visita são os meses de maio a setembro, antes do período de chuvas da região e, quando a água fica com sua maior visibilidade, chegando a mais de 40m, dependendo da luminosidade e período do ano. Sua água é incrivelmente transparente e com vários tons de azul devido à presença de rochas calcárias, predominantes na região.

Foto: Rennan Almeida

A aventura

Dia 13 de agosto de 2020 eu e o fotógrafo Rennan Almeida, que forma dupla comigo, nos aventuramos para conhecer a tão falada e mística Lagoa Misteriosa.

A aventura começou em Fortaleza-CE, e na semana da viagem tivemos nosso voo cancelado, tendo que reorganizar todo o planejamento, a menos de dois dias da viagem. Com a nova situação perderíamos pelo menos uma tarde e noite que teríamos para conhecer a área com antecedência, para poder traçar que tipo de imagens poderíamos fazer daquele incrível lugar.

Inicialmente tivemos uma conexão em São Paulo e, de lá, um voo para Campo Grande, onde pegaríamos um carro e partiríamos direto para Bonito, local onde ficaríamos hospedados.

Foram cerca de 4h de viagem pela estrada à noite, o que nos deixava mais ansiosos e apreensivos, tendo em vista que alguns animais de hábitos noturnos transitam no escuro e o medo de um possível acidente era uma realidade, seja por um indesejável atropelamento de animal ou pelo intenso tráfego de caminhões na BR-060.

Chegamos ao destino no início da madrugada e ainda tivemos que ajustar e montar todo o material fotográfico para nesse mesmo dia, ainda no início da manhã, poder ir a outro ponto de mergulho que estava em nosso roteiro também para fotografar, ficando o mergulho na Lagoa Misteriosa somente para o dia seguinte, quando estaríamos mais descansados e focados no que iríamos trabalhar.

De início ficamos atordoados ao ver o céu nublado e acinzentado em razão da fumaça proveniente das queimadas que estão ocorrendo em grande proporção no pantanal sul, vindo de Corumbá-MS, e seria mais um desafio visto que, sem a presença do sol e a falta de luminosidade para realizarmos as imagens com iluminação natural, as fotos poderiam ficar comprometidas, principalmente nas imagens no contraluz, em que as nuvens cobrindo o sol serviriam como uma espécie de filtro difusor.

Fomos para o tão esperado mergulho, saímos bem cedo para poder conhecer a equipe de apoio e mais sobre a história do local. O caminho percorrido sempre com mostrando a beleza natural do local, sendo possível avistar emas nas fazendas, raposas, tucanos, araras, periquitos, gaviões, e diversos outros, evidenciando o quanto são belos e ricos os biomas do Cerrado e da Mata Atlântica.

Ficamos encantados com tudo que avistávamos e, principalmente, também pela organização do local de uma forma geral, que nos passava segurança para o que iríamos fazer.

Realizamos uma caminhada por uma trilha de mata por aproximadamente 20min em que um guia, também instrutor de mergulho, foi mostrando algumas espécies da fauna e flora do local, além de contar um pouco da história da lagoa e sobre o atual projeto ambiental de reflorestamento da área.

Após a caminhada, seguimos em uma escadaria situada acima do espelho d’água, e ao chegarmos nessa base, começamos a realizar as filmagens com um drone. O lugar é realmente encantador e no meio de uma densa vegetação com copas de árvores ao seu redor com águas translúcidas nos tons de azul.

Alguns turistas estavam fazendo flutuação, que é uma atividade comum nesse ponto, mas haviam outros mergulhando com cilindro. Descemos e começamos o trabalho fotográfico, apesar do tempo ruim e coberto de nuvens. A água registrava seus 25°C de temperatura e logo na escadaria, fomos recebidos por diversos peixinhos, como pequenos lambaris e algumas espécies de tetras, comumente vistos em lojas de aquariofilia. Muitos troncos de árvores caídos no fundo dão um charme especial ao lugar, principalmente aqueles as margens dos penhascos submersos.

A dupla de instrutores que nos acompanharam se tornaram também, além de guias, modelos subaquáticos, e assim, a brincadeira se tornou bem interessante ora com modelagens tradicionais, ora com modelagens bem criativas ou radicais.

No final do dia apesar do sol não mostrar sua cara, a aventura foi garantida e ficamos muito satisfeitos com o que vivemos e contemplamos naquele momento. A interação com a natureza em um lugar de beleza ímpar, nos passa a sensação de liberdade e paz de espírito, assim como a certeza de que em breve, estaremos por lá novamente, para uma nova aventura, nova jornada, registrando um pouco da magnitude e da profunda beleza desse incrível local para mergulho em terras tupiniquins.

Foto: Ruver Bandeira

Por:

Ruver Bandeira

Natural de Fortaleza-CE, é graduado em Geografia e professor da Rede Pública de Ensino.

O fotógrafo subaquático iniciou sua paixão pelo mergulho e fotografia no ano de 1998 quando visitou o Arquipélago de Fernando de Noronha.

Atualmente tem dezenas de publicações em revistas especializadas, artigos em sites, participação em livros e diversas premiações nacionais e internacionais na fotografia subaquática e utiliza deste meio para sensibilizar as pessoas a preservarem mais o meio ambiente e suas belezas.

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