Alguns corais dos grandes recifes, estão conseguindo se recuperar de forma inesperada da destruição induzida pelas mudanças climáticas. Acontece que alguns corais só parecem mortos quando expostos a água morna.

Enquanto isso, os pólipos dos corais encolhem e recuam em seu esqueleto duro, fazendo o recife parecer morto, antes de reerguer o esqueleto quando as condições estiverem melhores. É uma estratégia de sobrevivência nunca vista antes nos corais, e que pode não ajudar na sobrevivência deles à medida que o clima continua alterando.

Os corais foram duramente atingidos pelas águas quentes em todo o mundo, incluindo a Grande Barreira de Corais, que estão chegando ao grande colapso. A espécie ameaçada de crescimento lento, Cladocora caespitosa, é particularmente vulnerável à destruição e com poucos indicativos de recuperação.

Ao monitorar colônias de C. caespitosa no Mar Mediterrâneo por 16 anos, Diego Kersting e Cristina Linares da Universidade de Barcelona, ​​Espanha, observaram que a recuperação é possível. Eles descobriram que os corais aparentemente mortos podem, de fato, regredir na sequência dos danos causados ​​pelo calor das alterações climáticas. Alguns deles conseguiram uma recuperação quase completa.

Quanto aos pólipos que compõem uma colônia de C. caespitosa e atingidos pelo clima quente, Kersting e Linares descobriram que eles encolhem e recuam profundamente no esqueleto de coral. Para os olhos humanos, o coral duro parece desprovido de vida, mas com o tempo, esses pequenos pólipos podem voltar a crescer.

Estratégia antiga

Pesquisadores já tinham conhecimento que os corais antigos poderiam fazer isso, pois seus fósseis contêm restos de pequenas estruturas esqueléticas que se formaram quando os pólipos se recuperaram, mas não estava claro se os corais de hoje poderiam. “Podemos perceber como essa estratégia é implementada e como o processo de recuperação evolui com o tempo”, diz Kersting.

Detectar um desses corais “recuperados” é difícil porque eles parecem saudáveis, e pode ser por isso que os biólogos não registraram essa estratégia de sobrevivência nos corais anteriormente. Kersting e Linares notaram o comportamento apenas porque monitoraram os corais ao longo de vários anos e testemunharam os “mortos” retornando à vida.

Estratégias de sobrevivência usadas por diferentes corais, ainda apresentam uma janela estreita de oportunidade para reconstruir os recifes do mundo. Kersting diz que não será suficiente competir com a mudança climática se o aquecimento continuar como estamos vendo.

Essa estratégia em particular será “altamente ineficaz” nos atuais cenários de mudança ambiental, diz Gergely Torda, na James Cook University, na Austrália. “Adaptação e aclimatação são as únicas chances dos corais”, diz ele.

Por:

Redação

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