As vezes na vida, aparecem oportunidades dentre as quais não podemos deixá-las de lado.
Foi em 19 de abril de 2002, em uma sexta-feira com sol escaldante e mar parado, que eu, Carlos Eduardo Bersan e Lélis J, partimos em direção a Angra dos Reis, no intuito de levar a nova lancha adquirida pelo Bersan, para uma marina local.
Durante uma conversa alguns dias antes, nos recordamos da existência do naufrágio Trovador nas proximidades de nossa rota, e decidimos sair um pouco da mesma e ir dar uma conferida no local.
A chegada ao local
Partimos do Iate Clube do Rio de Janeiro (ICRJ) pela manhã, cruzando as praias cariocas e tendo a belíssima cidade Rio de Janeiro à nossa direita, onde temos uma visão diferente do cotidiano.
Com 2h de navegação, nos aproximamos da Ponta da Restinga do Marambaia, área pertencente ao exército brasileiro, local onde o navio Trovador encalhara em 24/02/1869, e com base em uma marca GPS fornecida pela Marinha, fomos até o local.
Com 20 minutos de busca, um objeto foi revelado pela sonda e prontamente nos equipamos.
O Mergulho
Enquanto Bersan ficou na lancha realizando algumas arrumações, eu e Lélis caímos no mar e descemos os pouquíssimos metros em meio a uma correnteza de média intensidade e visibilidade em torno dos 3m, em função ao tipo de fundo local.
Devido ao longo tempo de exposição do naufrágio, infelizmente só encontramos sua âncora e algumas poucas partes do naufrágio totalmente irreconhecíveis.
Com 1h de fundo e depois de vasculhar todo o fundo, retornamos ao barco felizes por mais este excelente dia de mergulho.
A recompensa
Para quem gosta de naufrágios, é sempre uma recompensa descer em um naufrágio, esteja ele inteiro ou desmantelado, principalmente se este for um naufrágio histórico.
Se você tiver a oportunidade de ir até o local, esteja atento as seguintes observações:
- Apesar de bem abrigado, notamos que a correnteza que no início do mergulho era fraca, passou a ser moderada no final deste. Provavelmente em função da geografia local (vide foto de satélite);
- Podemos dizer que o local é longe de tudo, e em caso de alguma emergência, um rádio pode ajudar bastante;
- Atenção a possibilidade de virada de mar;
- Ao planejar o mergulho por lá, esteja muito atento as condições meteorológicas e condições de mar, pois durante a navegação, a embarcação fica totalmente exposta ao mar, e com pouquíssimas opções de se conseguir um abrigo rapidamente.
- Evite também mergulhar na virada de maré;
- Tenha em mente que a Restinga do Marambaia e uma área militar, portanto, fazer uma parada na praia próxima, pode-se ter problemas com a guarda militar local, quando não se tem uma autorização para visita em solo.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



