Pedra da Baleia é um local de pesca oceânica não muito conhecida pelos pescadores da região de Salvador, Bahia.
Marcel Britto tricampeão brasileiro de caca submarina e que hoje opera pesca oceânica nesta região, passando com sua embarcação Taroa, observou na sonda elevações e a presença de cardumes neste ponto que até então era inominado.
Durante uma pescaria com meus filhos e sobrinhos, Marcel passou por este ponto e me permitiu que marcasse no GPS, para que pudesse mergulhar e conhecer o local no futuro.
Em novembro de 2014, juntamente com Bruno, realizamos o primeiro mergulhamos neste ponto, que fica há 13 milhas náuticas e à 195º do Farol da Barra, com profundidades variando entre 60 e 80 metros. Usamos rebreathers, permanecemos por cerca de 40min no fundo, realizando pouco mais de duas horas de descompressão.
Assista ao vídeo deste mergulho abaixo:
Além do mergulho
É um dos mais belos e pitorescos pontos de mergulho da região, possui pedras altas e regulares, que na ocasião, não me chamou muito a atenção, porém durante a descompressão, após um excelente mergulho tivemos a grata surpresa de avistar uma baleia Minke que fez algumas aparições, conforme documentado no vídeo do link acima. Como este local ainda não tinha nome, começamos a chamá-lo de Parede da Baleia e, depois, de Pedra da Baleia.
Trata-se de uma formação que lembra uma muralha, estando a profundidade entre 60 e 70 metros.
Além desta muralha há outras formações com formatos geométricos que sugerem que houve interferência do homem. Fiz vários mergulhos neste local e as linhas precisas quase sempre induz ao visitante, a refletir sobre como teria se formado este belo site de mergulho.
Teria sido no passado, a Pedra da Baleia, uma cidade que fora engolida pelo mar ?
No mundo há algumas cidades submersas que foram engolidas por enchentes, construção de barragens, terremotos ou pela elevação do nível do mar tais como Alexandria, Canopus e Heracleion no Egito, Pavlopetri na Grécia, Dwaraka na Índia, Yonaguni no Japão, entre outras.
Sabe-se da presença humana na América de Sul há pelo menos 13.000 anos, conforme o esqueleto de Luzia, o humano mais antigo encontrado, nas escavações em 1970 da gruta da Lapa Vermelha em Minas Gerais.
Segundo alguns autores, as zonas costeiras são ambientes propícios ao assentamento humano pré-histórico, por apresentarem ecossistemas favoráveis à captação de recursos tais como: alimento, água doce, insumos para a produção de artefatos, etc.
Como uma cidade submersa poderia estar à 70 metros de profundidade ?
Durante 95% da existência da espécie humana, o nível do mar estive mais baixo do que hoje, expondo grandes extensões de terra. Sítios arqueológicos essenciais para a compreensão da história humana provavelmente estão agora debaixo d’água.
O gráfico abaixo mostra o nível do mar nas diversas eras. Nele podemos observar que 12.000 anos atrás, já havia de fato, a ocupação humana em nosso continente, e o nível estava cerca de 70 metros abaixo do atual.
Nosso litoral era completamente diferente, ou seja, a Pedra da Baleia ficava aflorada no litoral.

Há cerca de 12.000 anos a costa brasileira pode ter sido ocupada não apenas por pescadores, caçadores e coletores, mas sim por uma civilização mais avançada, capaz de construir edificações.
Das primeira cidades ou assentamentos que se tem relato, temos a cidade de Jericó, com cerca de 11.000 anos e que está bem próxima da Moderna Jericó na Cisjordânia. A cidade de Catalhöyük na Turquia estimada também em 11.000 anos, e as cidades da Mesopotâmia, que se estimam em 6.500 anos.
É bem provável que assentamentos ou até mesmo cidades litorâneas bem mais antigas, estejam atualmente submersas ou, até mesmo, soterradas pelo assoreamento do fundo dos mares. Seria a Baleia um destas cidades ou assentamentos submersos ?
Realizei vários mergulhos na Pedra da Baleia, pois é um dos meus locais prediletos de mergulho, e tenho alguns vídeos sobre publicados no meu canal do YouTube, mas no dia 10/12/2020, juntamente com o amigo e mergulhador Peter Tofte, realizamos um mergulho de entretenimento e captação de imagens.
Durante o mergulho decidi dar enfoco a estas formações que tanto me intrigaram. Foi um mergulho com rebreather, usando como diluente Trimix 10/50 SP de 1.3 com tempo de fundo de 40min e tempo total de mergulho de pouco mais de 200min.
Levamos de bailout, 4 cilindros S80, sendo que 2 com Tx 10/60, uma com Triox 40/25 e outro com O2. O planos seria fazer team bailout.
Havia uma correnteza de moderada a forte intensidade na superfície que praticamente cessava aos 30m, onde a temperatura chegava aos 25ºC no fundo e 27 na superfície, com visibilidade oceânica.
Coletamos imagens das formações que se assemelham a uma muralha com extensão retilínea com mais de 100 metros, bordas bem definidas e precisas com 90º, com pedras que se projetam da parede e que parecem ter sido colocadas pela mão humana, e até mesmo uma pirâmide de base triangular com 15m de altura.
Sabe-se que a natureza pode criar formas geométricas perfeitas, como encontramos em diversas partes do mundo, mas não se podemos descartar que a Pedra da Baleia possa ter sido moldada, mesmo que parcialmente pela mão do homem primitivo.
Só com um estudo aprofundado da área poderá sanar esta dúvida.

Referências
1 – Gemma Tarlach, Rising Seas Swallowed Countless Archaeological Sites. Scientists Want Them Back – 27/08/2019.
2 – IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change – 16/12/2020.
3 – Andrade K. – As Primeiras Cidades do Mundo e as Primeiras Civilizações – 6/12/2020.
Galeria de Imagens
Vídeo da exploração

László Mocsári
Médico Anestesiologista e Intensivista, com formação em Medicina Hiperbárica, autor dos livros Rebreather Simplificando a técnica e Rebreather Mergulhando Fundo na Técnica.



