Recentemente fui mergulhar usando minha lanterna HID, e no primeiro mergulho, percebi que a luz emitida tinha algumas pequenas variações na potência. Ainda assim, o mergulho transcorreu sem problemas, mas com essa intermitência.

Ao regressar para o segundo mergulho, simplesmente a lanterna não ligava. Tentei inúmeras vezes acionar o botão, e nada. Simplesmente ela parou de funcionar.

Encontrando o defeito

Chegando em casa, verifiquei o estado da bateria e estava tudo ok.

Resolvi desmontar a “cabeça” da HID, que é a parte onde a lâmpada HID fica instalada.

Lâmpadas HID são lâmpadas que necessitam de um pico de luz para acendimento, e por isso, utilizam uma peça denominada ballast. Quando ligamos a lanterna, a energia flui da bateria para o ballast, e este por sua vez, transforma a voltagem recebida (12v) em quase 300v, gerando o pico necessário para o acendimento da lâmpada HID.

Após esse pico, a voltagem cai e se mantém constante para deixar a lâmpada HID acesa. Por esse motivo é que não se deve ficar ligando e desligando as lanternas que utilizam esse tipo de lâmpada, pois você poderá danificar o Ballast e a própria lâmpada HID.

Esquema elétrico de uma lanterna HID – Arte: Clécio Mayrink

O esquema elétrico da lanterna HID é simples, a energia sai da bateria e passa por um interruptor, em seguida, passa pelo ballast onde a lâmpada HID é encaixada. Sendo assim, seria preciso confirmar se a corrente da bateria alcançava a lâmpada, verificando se o interruptor estava deixando passar a energia para o ballast, e consequentemente para a lâmpada HID.

No meu caso, o interruptor estava ok, então, removi a lâmpada do ballast e fui verificar se a energia estava passando pelo ballast.

Encaixando as pontas (positivo e negativo) do multímetro no soquete de conexão da lâmpada, ao ligar o interruptor o multímetro acusou um pico de 300v, e em seguida, a queda acentuada da voltagem, e estabilizando com alguns volts. Isso confirma:

  • A bateria e o interruptor estavam passando a voltagem necessária;
  • O ballast recebia a energia e estava respondendo com o pico de voltagem corretamente.

Diante deste cenário, a dúvida pairou sobre a lâmpada HID. Esse tipo de lâmpada é relativamente frágil, mas não havia ocorrido nenhuma queda ou impacto na lanterna. Como a lâmpada era relativamente nova, achei que seria pouco provável sua queima em tão pouco tempo.

Verificando novamente o ballast, percebi que os micro contatos do soquete (onde a lâmpada HID encaixa) estavam com um pouco de oxidação. Utilizando uma espátula de dentista e inserindo uma micro gotícula de vinagre usando uma seringa com agulha, consegui remover a oxidação.

Bingo !   Consegui limpar os contatos e a lâmpada voltou a funcionar perfeitamente.

Contatos do Ballast

Porque isso aconteceu se não há contato com a água salgada ?

A resposta é simples… o excesso de umidade no interior do bulbo que protege a lâmpada HID da água.

Apesar desse tipo de lâmpada não esquentar como as antigas lâmpadas de kripton e halogênio, ou como os atuais Leds, ainda assim, há um pequeno aumento na temperatura no interior do bulbo, e essa elevação da temperatura pode ocasionar pequenas bolhas de água no interior do bulbo. Pra piorar, o choque de temperatura deste bulbo com a água, acelera o processo de evaporação.

Contatos da lâmpada HID – Foto: Clécio Mayrink

No meu caso, essa umidade (mesmo que pequena) foi capaz ao longo dos anos, de ocasionar a oxidação dos contatos do ballast, impedindo o transpasse da energia para a lâmpada HID e consequentemente, o acendimento da mesma.

Isso comprova que apesar da qualidade do equipamento, ele precisa de uma manutenção preventiva frequente.

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986, participando da primeira turma de Dive Master da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 30 anos de experiência em mergulho e fotografia / vídeo subaquático.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS, em 2008, é o idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior, sendo uma referência quando o assunto é mergulho e naufrágios para a mídia e órgãos públicos no país, e diversas entidades internacionais como a ONU e UNESCO.