Mangueiras cruzadas ou não ?

No Mergulho Técnico usando cilindros duplos e manifold, é muito comum vermos o cruzamento de mangueiras da Asa e da Roupa Seca atrás da nuca do mergulhador.

Normalmente tenho como postura, não fazer críticas ou dizer que uma configuração (quando não absurda !) não é boa e tal, mas o cruzamento de mangueiras é o tipo de configuração que deve ser analisada pelo mergulhador, para então, decidir se utiliza ou não este formato.

No passado, a lista de reguladores com a “quinta porta” disponíveis no mercado não era grande, e quando o Mergulho Técnico surgiu, o roteamento (passagem) das mangueiras ficava mais complicada com reguladores sem a quinta porta, em razão do posicionamento das mangueiras atrás da nuca do mergulhador.

Nem todos tinham reguladores com a quinta porta e muitas vezes a mangueira saía do primeiro estágio em uma direção ruim, deixando a configuração meio confusa.

Quem possuía melhores condições de compra, usava reguladores com a quinta porta, que permite um posicionamento melhor das mangueiras, criando um direcionamento mais adequado e menos confuso para o mergulhador.

Particularmente não gosto do cruzamento de mangueiras e tenho pra mim, que numa situação emergencial como um vazamento, por exemplo, tudo fica mais complicado durante a ação para sanar o problema embaixo d’água, e por causa disso, passei a adotar o roteamento simples, mantendo os itens da minha direita conectados no regulador da direita e os itens da minha esquerda conectados no regulador esquerdo.

A mangueira da Asa desce diretamente em direção ao power e a da Roupa Seca desce passando por baixo do braço direito, e conectando na válvula de enchimento da roupa.

Dessa forma não há cruzamentos, ficando mais fácil (pelo menos pra mim) de saber onde está o problema e atuando mais rapidamente para resolvê-lo.

Mangueiras cruzadas – Foto: Clécio Mayrink

No cruzamento de mangueiras, você precisa identificar onde está o problema e pensar em que lado a mangueira está conectada, deixando a coisa mais confusa.

Mas como sempre digo, configuração de equipamentos é um aspecto pessoal. Não deixando o mergulho perigoso ou criando riscos para os demais mergulhadores, cada um tem a sua e deve analisar o que acha mais adequado para si.

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount IANTD, possuindo mais de 30 anos de experiência em mergulho, fotografia e vídeo subaquático.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, sendo o idealizador do portal Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP) e responsável pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministérios dos Esportes.

Atuou na produção de diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior, sendo uma referência para a mídia, órgãos públicos no país e diversas entidades internacionais como a ONU e UNESCO, quando o assunto é mergulho em naufrágio.

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