Mergulhando nas cavernas de Tulum: um gosto adquirido

Quando decidi fazer o Curso de Intro to Cave, não tinha muita noção do que me esperava, pois sequer havia feito ou mesmo tido vontade de fazer um mergulho discovery em caverna. A decisão foi baseada no interesse em melhorar as minhas habilidades como mergulhadora, em especial, a flutuabilidade. Sempre que olhava alguns mergulhadores com admiração, pensava “um dia, quero mergulhar como eles” e descobria que eles eram mergulhadores de caverna.

Como já era mergulhadora de sidemount, a opção de configuração estava definida. Então, era só partir para os estudos, adquirindo o conhecimento teórico e o treinamento em piscina, e a escola que escolhi foi a Scuba Repair em São Paulo – com quem já havia feito os Cursos de Self Reliant e de Sidemount.

Foto: Viviane Kunisawa

 

Os preparativos para a viagem a Tulum, no México, onde optei por fazer os mergulhos de check out foi conturbada. No auge da segunda onda da pandemia, era difícil garantir que a programação daria certo, especialmente com alguns países proibindo a entrada de brasileiros, e a apreensão com a possibilidade de o México fazer o mesmo. Mas, superados alguns percalços, chegamos a Tulum em um grupo de quatro pessoas, prontas para desbravar os cenotes mexicanos.

O primeiro dia de mergulhos foi em Car Wash, tipicamente escolhido pelos instrutores para o check dive e realização dos primeiros exercícios. Confesso que, bem no início, ao nos aproximarmos da área mais escura de cavern, já bem próximos à entrada da caverna, senti um pouco de medo. Estava agitada, queria olhar tudo ao meu redor e sentia que a luz não era suficiente. Depois, acabei me concentrando nos exercícios e a apreensão passou.

Durante o segundo mergulho, em que já adentrei um pouco para a área da caverna, estava bem mais tranquila. Comecei a me imaginar no meio das cenas de filmes de aventura, como Senhor dos Anéis, quando os personagens passam por dentro de montanhas e cavernas.

O segundo dia foi em No Hoch. É uma caverna lindíssima repleta de estalactites e estalagmites. As formações rochosas pegavam carona na minha imaginação: anões, castelos de neve apareciam ao longo do mergulho. Uma das passagens da caverna tinha o teto bem baixo e o mergulho todo requereu bastante concentração na flutuabilidade.

 

Foto: Viviane Kunisawa

 

Cada cenote e caverna tinha seu charme e seus desafios, com tetos mais baixos e restrições, além da haloclina, que trouxe adrenalina adicional aos mergulhos em Minotauro e Tajma Ha, onde ainda pude observar a água doce jorrando da parede da caverna sem se misturar com a água salgada do ambiente. Mergulhamos também em Otoch Ha, Dos Pisos, Corazon, Mayan Blue, Xunaaan Ha, Taaki Bi Ha e Coop 1. Esta última foi minha favorita de toda a viagem, pela combinação de salões amplos e passagens estreitas e suas belas formações – em uma das passagens, tive a sensação de entrar em uma sala com miniaturas de cristais.

Foram dez dias intensos de mergulho e muito aprendizado. Além dos exercícios típicos do curso, como passar a carretilha, trocar de máscara e sair da caverna sem visibilidade, foram horas embaixo da água me concentrando para não levantar suspensão (silt) e, ao mesmo tempo, não bater a cabeça no teto e danificar as belíssimas formações de estalactites.

Ainda que mergulhar em caverna não seja o interesse primário de um mergulhador, recomendo o curso para qualquer pessoa que queira melhorar suas habilidades, dando um passo além da sua zona de conforto. E quem sabe o mergulho em caverna não se torne um gosto adquirido como foi para mim ?

 

Foto: Vagner Marretti

Viviane Kunisawa

Viviane Kunisawa é advogada e mergulhadora avançada com especialização em Naufrágio, Deep e Drift Dive, Nitrox, PPB, tendo treinamento em EFR e certificada como Self Reliant Diver.

Apaixonou-se pelo mergulho em 2016, quando fez o curso básico, e mergulhou em diversos destinos como Fernando de Noronha, Recife, Salvador, Laje de Santos, Cozumel, Baja Califoria Sur (Los Cabos e La Paz), Maldivas e Austrália.

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