Ao redor da Laje de Santos existem alguns parcéis que acabam não sendo visitados pelas operadoras de mergulho da região, por serem um mergulho mais complicado de ser realizado.
O mergulhador fica totalmente desabrigado, estando sujeito as correntes e mudanças repentinas.
Visitar esses parceis requer mergulhadores com experiência, com equipamentos de segurança e uma equipe de superfície bem treinada para um monitoramento integral e possível resgate dos mergulhadores fora da posição inicial do mergulho.
Recentemente tive a oportunidade de conhecer o Parcel do Sudoeste (também conhecido como Parcel do Sul), que está distante apenas 700m da Laje de Santos. Minha visita ocorreu durante a incursão de um grupo de pesquisadores que estão realizando um estudo pela região da Laje.

Mergulho
Apesar do verão já ter passado, a região da Laje de Santos continua recebendo águas extremamente claras e, quando nos aproximamos do parcel, já era possível avistá-lo do barco, pois a coloração da água muda, sendo possível até avistar o fundo.
Não demorou muito para nos equiparmos e caímos na água. Um dia ensolarado e zero de corrente no local. O fundo estava logo abaixo, algo entorno dos 10-12m de profundidade.
De cara vemos uma formação rochosa como se fossem placas sobrepostas. Em algumas partes, encontramos algumas cavidades onde há um acúmulo de peixes e outros seres marinhos.
Durante toda a extensão avistamos diversos cardumes, e tive a impressão de que os peixes estavam mais ariscos. Muito provavelmente por não estarem acostumados com a visita de mergulhadores.
Uma pequena tartaruga veio nos receber, olhando pra gente com uma cara do tipo “o que vocês estão fazendo aqui ? Estão perdidos ?”
Nos observou e depois foi embora calmamente como se já conhecesse os mergulhadores.
A visibilidade no dia alcançava os 20m, o que permitiu ter uma noção melhor do parcel. Foi um mergulho interessante e bem bonito.
GPS: 24° 19,606’S / 46° 11,129′ W
Agradecimentos
Ao Júnior Mello da Fundação Florestal e toda a equipe de pesquisadores, pelo apoio na visitação deste local.
Imagens

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



