Mergulho de Segurança Pública

Observamos nos últimos anos uma crescente demanda por parte dos Corpos de Bombeiros Militares de todo o Brasil, na busca por especialização em Mergulho de Segurança Pública, fato que outrora ocorreu em países como os Estados Unidos, neste caminho, com profissionais dedicados e buscando por especialização vivemos um momento em que cada vez mais pensamos em alinhar os esforços para falarmos todos a mesma língua.

Seguindo a corrente evolutiva do Mergulho de Segurança Pública no Brasil, devemos nos ater a questões cada vez mais profundas que afetam os profissionais que atuam nesse tipo de trabalho.

Como todos sabemos, em qualquer mergulho existem riscos associados a atividade, os quais, com condutas sérias e profissionais, conseguimos reduzi-los drasticamente. O mergulho se tornou cada vez mais seguro com o passar dos anos.

Entramos agora em um aspecto mais “profundo”, quando um grupo decide realizar um mergulho nos naufrágios de Recife, por exemplo, eles entram em contato com uma operadora de mergulho, que os conduz de forma segura até o local a ser visitado, antes do mergulho, informações sobre o local são repassadas e, durante o mergulho, profissionais atentos à segurança do grupo os observam. E essa atividade denominamos mergulho Recreativo.

No Mergulho de Segurança Pública as ações de segurança devem ser elevadas a níveis estratosféricos. Vou apresentar-lhes alguns pontos extremamente relevantes durante uma operação de busca e recuperação de cadáveres, por exemplo.

Infelizmente, em quase 100% dos casos, os locais onde iremos fazer as buscas jamais recebeu algum mergulhador antes. Rios, lagos e lagoas, de acordo com o tipo de solo da região, são ambientes que dificilmente propiciam uma visibilidade superior a alguns poucos centímetros.

Como os ambientes são amplamente utilizados para a pesca, o número de redes, linhas, anzóis e chumbadas perdidas são enormes. Em rios, mais especificamente, devemos no atentar ainda, à presença de chuvas acumuladas para a região, dependendo do volume das chuvas, a velocidade e volume de água do rio são afetados rapidamente.

Até agora abordamos somente aspectos físicos relacionados ao ambiente. Possuímos ainda os riscos químicos, biológicos e psicológicos.

O primeiro, está relacionado ao nível de contaminação por agrotóxicos ou rejeitos despejados ilegalmente em ambientes aquáticos e se tratando da busca e recuperação de veículos motorizados, produtos como combustíveis, óleos e água de bateria.

O segundo risco relacionado, o risco biológico, está intimamente ligado ao cadáver.

O terceiro risco que citamos, o psicológico, é o que gostaríamos de dar mais atenção. O mergulhador de segurança pública, sofre a pressão psicológica de praticamente todos os lados. Está buscando, na maioria das vezes, um cadáver, em um ambiente totalmente desconhecido, com inúmeras possibilidades de danos severos a sua saúde, com toda a carga que uma família deposita sobre ele.

Devemos dedicar mais atenção aos nossos mergulhadores, e informar a maior parte da população sobre as particularidades sobre o mergulho no geral.

O que nos une é a vontade de respirar embaixo d’água.

Ulysses Borotta de Campos

É soldado no Corpo de Bombeiros do Estado do Paraná e Mergulhador de Segurança Pública no Corpo de Bombeiros do Estado do Paraná.

É instrutor de mergulho recreativo, possuindo especialização em Segurança Pública, Full Face e Roupa Seca.

 

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